Tecnologia ganha espaço no setor de construção

Coleta e envio de dados por meio de dispositivos móveis aprimora o controle e a produtividade das construtoras

Por O Dia

O setor brasileiro de construção já foi apontado como um dos mais atrasados no campo de tecnologia da informação (TI). Mas desde 2006, com a onda de abertura de capital de construtoras, essas empresas foram forçadas a buscar mais profissionalização e, por consequência, os investimentos em TI ascenderam.

A primeira onda foi marcada por sistemas de gestão empresarial. Mais recentemente, com a retaguarda administrativa já organizada, foi a vez dos canteiros de obras, com os dispositivos móveis tomando o lugar das pranchetas.

“Hoje, o setor está cada vez mais preocupado em cumprir os prazos das obras e garantir a rentabilidade planejada. Um canteiro é praticamente uma cidade. Gerenciar toda essa dinâmica e assegurar que o planejamento está sendo executado é sempre um desafio", diz Gustavo Bastos, diretor do segmento de construção e projetos da Totvs. “Com a popularização dos smartphones e tablets, essas empresas estão vendo nessas ferramentas um meio eficiente de aprimorar o controle e a execução dos empreendimentos”, observa.

Com cerca de 1,6 mil clientes no segmento, a Totvs tem investido em aplicativos para o sistema operacional Android, do Google, integrados ao seu sistema de gestão empresarial. Entre outros recursos, é possível antecipar a necessidade de manutenção em equipamentos e a reposição de materiais. “Hoje, por meio de um celular, você consegue ter na palma da mão qual tarefa determinado funcionário tem que executar e em qual prazo. À medida que as tarefas vão sendo concluídas, o aplicativo registra esse progresso e envia as informações em tempo real para a equipe responsável”, explica Bastos.

“Nossa indústria precisa cada vez mais de velocidade da informação. Há dez anos, um prédio de 24 andares era construído em quatro anos. Hoje, esse mesmo prédio é construído em dois anos. Não é possível executar uma obra nesse prazo sem controle da produtividade e da qualidade na ponta”, diz Marcos Sarge, diretor de desenvolvimento imobiliário da Schahin.

A Schahin começou a investir em mobilidade nos canteiros em 2013. Hoje, todas as obras da construtora já incluem funcionários munidos de tablets para fazer apontamentos diários durante a execução dos empreendimentos. “Se há algo errado, você consegue corrigir o rumo praticamente em tempo real. Antes, esses apontamentos eram feitos por papel, caneta e prancheta e, às vezes, uma informação demorava 30 dias para chegar no escritório”, explica.

A demanda por esse tipo de aplicação atraiu a Teclógica, de Blumenau (SC). Em 2011, a companhia desenvolveu a sua primeira plataforma de aplicativos para o setor. O pacote de aplicações permite acompanhar e controlar em campo fatores como horas trabalhadas e a produtividade de cada funcionário, e o nível de segurança nas obras. Outra solução envolve a inspeção de cada etapa concluída do empreendimento. “O responsável pela vistoria tira fotos e registra qualquer não conformidade diretamente no dispositivo. Imediatamente, a equipe do escritório tem acesso a essas informações e agiliza a correção desses problemas”, diz Luis Carlos Mesquita Scheide, diretor comercial da Teclógica, que tem uma base de clientes de 35 construtoras.

A SulBrasil, de Blumenau, decidiu investir em um projeto com a Teclógica em 2011. “Até então, todos os nossos processos eram manuais e baseados em planilhas. Nós vínhamos investindo fortemente em controle e produtividade desde 2004, mas começamos a identificar um enorme gargalo, por conta da demora para obter as informações”, diz Auriciane Fachini, engenheira da SulBrasil.

Hoje, uma das principais aplicações é o controle da produtividade dos operários. Cada técnico munido de um tablet é responsável por acompanhar 100 homens em cada obra. Atualmente, a SulBrasil adota esse modelo em oito empreendimentos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Desde os primeiros projetos, a redução do retrabalho nas obras da construtora foi de 50%. “Você consegue seguir o que foi orçado e planejado. Hoje, um gestor consegue tomar decisões com muito mais propriedade e agilidade, em cima de números e informações confiáveis”, afirma.

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