Por monica.lima

São Paulo - Em meio ao avanço do comércio eletrônico, os chamados marketplaces — shoppings virtuais que oferecem diversas categorias de produtos e serviços — são uma das pontas que explicam o movimento intenso dos carrinhos de compra virtuais. Na trilha de gigantes como Amazon.com e eBay, uma nova variação desse modelo começa a despontar na internet: as plataformas digitais que reúnem ou se apoiam em serviços de profissionais autônomos, especializados em um determinado segmento de atuação.

Segundo as empresas ouvidas pelo Brasil Econômico, a tendência está ganhando força pelo fato de beneficiar toda a cadeia. De um lado, os profissionais conseguem ter mais visibilidade e acesso a uma base ampla de clientes potenciais, e na maioria dos casos, sem qualquer custo. Já as empresas que contratam os serviços passam a ter mais opções, por um preço mais acessível. “Ao mesmo tempo, essas plataformas ajudam a superar o principal desafio dos marketplaces generalistas, que é a atração de massa crítica, tanto na oferta como na procura. Ao segmentar a atuação, as demandas são atendidas com mais rapidez, a mensagem é mais clara e você sabe exatamente quem é o seu público”, diz Edmar Ferreira, cofundador e executivo-chefe da Rock Content.

Criada há um ano, a Rock Content recebeu nesse intervalo aportes da e.Bricks Digital, holding de investimentos do Grupo RBS, e da Abril Participações, braço de investimentos do Grupo Abril. A empresa assume todas as estratégias de marketing digital de seus clientes, o que inclui desde postagens em blogs e redes sociais até serviços de consultoria para medir a efetividade dessas ações.

Como base para essa oferta, a Rock Content conta com uma rede de mil jornalistas, que respondem pela produção de conteúdo e são divididos em categorias como marketing, esportes e tecnologia. Os jornalistas são remunerados por texto e escolhidos de acordo com sua especialidade. Com uma base atual de cem clientes, especialmente nos segmentos de pequenas e médias empresas, a Rock Content planeja buscar uma segunda rodada de investimentos ainda em 2014. “Nossa meta é fechar o ano com 400 clientes”, diz Ferreira.

Lançada há dois meses, depois de receber um aporte de R$ 1 milhão de investidores-anjo, a CrayonStock tem como proposta a um banco de imagens de fotógrafos brasileiros e aposta na oferta local como um diferencial frente a rivais estrangeiros. Criador e executivo-chefe do portal, Luca Atalla destaca as vantagens do modelo. “É um comércio eletrônico que não trabalha com estoque. A entrega é digital e a margem é muito maior do que no varejo”, diz. “E o apelo é forte para os profissionais. Temos muito mais estrutura e verba para investir em marketing que qualquer fotógrafo sozinho”.

A CrayonStock atraiu uma base de 1.286 fotógrafos e construiu um acervo de 25,4 mil fotos publicadas e outras 2,7 mil em processo de aprovação. O cadastro dos fotógrafos é gratuito e todas as imagens passam pela curadoria do site. O modelo inclui taxas de assinatura mensal pagas pelos clientes, que vão de R$ 27 até R$ 997. Já o download das fotos é baseado em “royalty free”, ou seja, quem compra não tem exclusividade. O principal público da CrayonStock são as agências de publicidade. O tíquete médio atual é de R$ 2.776. “A estratégia é diversificar essa base. Vamos investir para atrair também pequenas e médias empresas”, diz Atalla.

A atuação junto às PMEs é o principal gancho da 99Designs, site americano com 300 mil designers em todo o mundo, sendo 12 mil no Brasil. Os profissionais criam desde cartões de visita até aplicativos. A empresa chegou ao Brasil em agosto, após a compra da local LogoChef. “Estamos vendo um crescimento na oferta para agências de publicidade”, diz Dan Strougo, gerente-geral da empresa no país. “Hoje, as agências têm um custo alto para reter talentos em época de pouca procura. Por outro lado, fica difícil dar conta quando a demanda é muito alta.”

O modelo é baseado principalmente em concorrências criativas, nas quais os profissionais participam de projetos propostos pelos clientes e recebem comentários a cada sugestão de design. Ao fim de cada processo, a 99Designs recebe uma comissão, que pode variar de 5% a 30%. “Essa inteligência colaborativa acaba gerando resultados que uma empresa nunca teria contratando uma pessoa só ou um escritório de design”, diz. Para ampliar suas ofertas, a empresa lançou no Brasil um serviço no qual apoia as relações entre clientes e designers. Pelo serviço, a companhia recebe uma comissão de 5%. “Hoje, cerca de 20% dos projetos que começam com uma concorrência evoluem para relação direta de longo prazo”, afirma o executivo.

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