Huawei abre centro de pesquisa em Salvador

Projeto em parceria com o instituto brasileiro BRISA será voltado à criação de softwares multimídia e de redes de nova geração para clientes da América Latina

Por O Dia

O diretor de tecnologia da Huawei para a Al%2C José Augusto de Oliveira Neto%2C diz que os projetos envolverão o desenvolvimento de softwares para o Brasil e América LatinaPatricia Stavis

São Paulo - Os investimentos em inovação têm sido um dos motores da expansão global da chinesa Huawei nos últimos anos. Nessa jornada, o mercado brasileiro pouco a pouco está ganhando relevância para a fabricante de equipamentos de rede e de dispositivos móveis. Como um reforço a essa estratégia no país, a Huawei acaba de fechar um acordo de cooperação tecnológica com a BRISA, instituição brasileira de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com a qual a companhia já mantinha uma parceria nos últimos três anos. Entre outros recursos, a nova etapa de colaboração inclui a criação de um laboratório de P&D nas instalações da BRISA, em Salvador. Já em operação, a nova unidade está interligada ao centro de pesquisas da Huawei, em São Paulo, e a outros 16 laboratórios globais da empresa.

O projeto integra o plano de investimentos de R$ 10 milhões da Huawei em iniciativas de P&D no mercado brasileiro no prazo de três a cinco anos. O esforço inclui ainda um aporte da BRISA, de valor não divulgado.

“Essa é só uma estimativa inicial. Não há restrições para ampliar essa cifra. A Huawei vem investindo na implantação e expansão de centros de P&D em países com um volume de negócios relevante para a companhia e o Brasil é um dos mercados de maior potencial para a empresa”, diz José Augusto de Oliveira Neto, diretor de tecnologia da Huawei para a América Latina.

 De acordo com o executivo, todos os projetos do laboratório envolverão o desenvolvimento de softwares para atender às demandas específicas de empresas brasileiras e da América Latina. A extensão dos produtos e sistemas criados em outros mercados globais da Huawei não está descartada.

Com três projetos em andamento – os nomes dos clientes não foram revelados – o novo centro terá duas linhas centrais de pesquisas, fundamentais para a evolução dos negócios da Huawei na região, diz Neto. A primeira será voltada ao desenvolvimento de softwares para aprimorar e integrar serviços de voz e de comunicação multimídia, o que inclui chat, serviços de mensagens e imagem,vídeos, fotos e transmissão via streaming. A segunda vertente envolverá os sistemas voltados às redes de telecomunicações de próxima geração. Um dos focos é a criação de aplicações que permitam analisar o grande volume de dados que trafegam nas redes das operadoras.

“A ideia é oferecer um meio para que as operadoras possam identificar novas fontes de receitas nessas redes”, explica Neto.

Paulo Toledo, presidente da BRISA, diz que, até então, a parceria com a Huawei envolvia adaptação e localização de sistemas para o Brasil.

“Vamos ter um salto de qualidade nessa nova fase. Teremos uma estrutura de maior porte dedicada à Huawei e trabalharemos com projetos mais estratégicos para a companhia”, afirma.

Criada em 1988, a BRISA desenvolve projetos de pesquisa em parceria com empresas como LG, Lexmark e Epson, com uma estrutura de 260 pessoas em quatro laboratórios no Brasil. Parte desse time trabalhará integrada com os 100 profissionais de P&D da Huawei no país e com uma equipe global de cerca de 70 mil pesquisadores da companhia.

“Nosso foco será gerar produtos tangíveis, que tenham aplicação e diferenciação no mercado, e não a inovação pela inovação”, observa.

Sob essa mesma abordagem, os esforços de pesquisa e desenvolvimento da Huawei no Brasil não se resumem à parceria com a BRISA. No início do mês, a empresa anunciou um acordo nos mesmos moldes com o CPqD, o que inclui a criação de um laboratório de software em Campinas (SP) voltado ao desenvolvimento de inovações em redes 4G.

“Entre outras frentes, a estrutura será dedicada à criação de sistemas que permitam às operadoras combinar a oferta de serviços variados com o atendimento ao cliente em múltiplos canais”, diz Neto.

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