Por monica.lima
"As agências são de longe o canal mais caro para os bancos"%2C diz o vice-presidente de tecnologia da Diebold%2C Carlos Alberto PáduaMurillo Constantino/Agência O Dia

São Paulo - Principal motor dos investimentos em tecnologia no Brasil, o setor financeiro lidera a adoção de inovações que, depois de maduras, ganham escala em outros mercados no país. Promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e principal evento de tecnologia bancária do país, o CIAB — evento que acontece nesta semana em São Paulo — traz um bom panorama de quais serão os próximos passos e projetos pioneiros da jornada tecnológica dos bancos.

Muitas das novidades que serão apresentadas pelos fornecedores resumem as principais demandas do setor. Um novo modelo de agência, a convergência dos canais, o reforço na segurança e a aplicação da mobilidade para reduzir custos e aprimorar a experiência dos clientes são alguns dos temas no centro desses lançamentos.

A transformação das agências é um dos focos da americana Diebold, uma das principais fornecedoras globais de equipamentos, softwares e serviços para instituições financeiras. O investimento feito nas últimas décadas pelos bancos em canais como caixas eletrônicos (ATMs) e internet banking para reduzir o movimento nas agências é um dos fatores por trás dessa estratégia. Se de um lado, essas iniciativas trouxeram maior eficiência aos bancos, em outra frente, trouxeram impactos significativos para as agências. “Quando se pensa no número de transações dividido pelo custo para suportar esses processos, hoje, as agências são de longe o canal mais caro para os bancos. Outro dado que chama a atenção é fato de que 40% dessas transações são feitas por não-correntistas”, diz Carlos Alberto Pádua, vice-presidente de tecnologia da Diebold.

Nesse contexto, a Diebold lança na feira o In Lobby Teller, equipamento de autoatendimento semelhante aos ATMs, mas que permite ao cliente realizar todas as transações que normalmente são efetuadas pelos atendentes na boca do caixa. Instalado dentro das agências, o hardware também traz, entre outros recursos, a possibilidade do cliente contratar todo o portfólio de produtos e fazer videoconferências com especialistas do banco em áreas como câmbio, investimentos e tesouraria. “É uma alternativa mais conveniente para os clientes, que diminui as filas e, ao mesmo tempo, permite que os funcionários se concentrem na venda de produtos de maior valor”, diz.

A conveniência também está por trás de um novo aplicativo da Diebold. Criado no Brasil, ele integra as operações de um ATM com dispositivos móveis. Entre outros recursos, é possível adiantar todos os passos de uma transação — um saque, por exemplo — pelo celular. Para efetivar a operação, o aplicativo identifica o ATM mais próximo da localização do cliente. Quando chega ao caixa eletrônico, o cliente só precisa digitar um código que recebeu pelo aparelho para concluir a transação.

A brasileira BR Token é mais uma empresa a investir na integração multicanal. A companhia lança no CIAB um aplicativo para autenticar as transações realizadas em desktops e tablets, disponível para smartphones e para o Google Glass. Quando o usuário acessa sua conta no internet banking, o PC ou tablet identifica — via Bluetooth — o aplicativo instalado nesses dispositivos. No momento de concluir qualquer transação, todos os dados são enviados para verificação e confirmação no smartphone ou no óculos do Google. Mais que um simples adereço, um dos componentes inerentes à ferramenta é o fortalecimento da segurança no processo. “O dispositivo funciona como um token. É uma barreira adicional que garante que os dados de uma transação não serão adulterados, a partir de uma validação externa”, diz Alexandre Cagnoni, diretor de tecnologia da BR Token.

O uso dos dispositivos móveis como um meio de melhorar a experiência dos clientes também é uma das apostas da alemã Wincor Nixdorf. Um dos lançamentos da empresa é um equipamento similar a um tablet, que traz, entre outras abordagens, a visão do “gerente móvel”. Com o mesmo nível de segurança dos ATMs, o dispositivo permite que o gerente realize todas as operações bancárias em qualquer parte da agência ou mesmo em visitas a clientes. Com recursos de câmera, leitor de cartões e uma impressora que pode ser acoplada, o equipamento captura imagens de documentos e digitaliza, na ponta, processos como aberturas de contas e venda de produtos.

“Dois fatores estão direcionando as demandas dos bancos no Brasil e no mundo. Um deles é a busca dos clientes por novas formas de relacionamento, com integração de canais e meios mais simples de interação” diz Inon Neves, gerente-geral da Wincor Nixdorf no Brasil. “O segundo componente é a necessidade de repensar o papel das agências, o que passa por um atendimento diferenciado, mas que ao mesmo tempo, permita reduzir custos e traga mais eficiência operacional”, acrescenta.

No plano da eficiência operacional, a Wincor e a Diebold vão apresentar no CIAB equipamentos sob o conceito de depósito inteligente. Entre outras aplicações, essas máquinas aceitam depósitos — sem envelope — de cédulas e cheques. O equipamento separa o que é dinheiro em espécie e o que é cheque, mostra os valores totais de cada componente para a validação do cliente e, automaticamente, transfere as cifras para a conta do usuário. Entre outros benefícios, diz Neves, a tecnologia permite que os bancos reduzam os custos de transporte por carro-forte e de back office para processar essas transações.

A eficiência é um dos elementos do conceito de banco inteligente da parceria formada por Avanade, Microsoft e Accenture. Além de soluções para integração multicanal e de mobilidade nas agências, no plano dos funcionários, uma das tecnologias é um software baseado em algoritmos para aumentar a produtividade dos gerentes. A partir da navegação do funcionário pelo sistema interno, o software sugere, por exemplo, produtos e serviços mais adequados para o perfil de um determinado cliente que será visitado pelo funcionário. “O sistema sugere também conexões via rede social interna com especialistas do banco em temas que podem aprimorar a oferta para aquele cliente”, diz Hamilton Berteli, diretor de vendas, marketing e inovação da Avanade no Brasil.

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