Empresas investem em anjos da guarda virtuais

Aplicativos com recursos de localização ajudam a aprimorar a segurança física e digital de crianças, adolescentes e idosos. Oferta também alcança empresas e órgãos públicos

Por O Dia

O comportamento hiperconectado de crianças e de adolescentes está abrindo caminho para um novo mercado: os aplicativos conhecidos como rastreadores familiares. Em meio à crescente sensação de insegurança de qualquer cidade, na prática, esses serviços permitem que os pais monitorem recursos como a localização de seus filhos, bem como as relações que eles estabelecem por meio de seus dispositivos.

O movimento é recente, inclusive no exterior, mas já tem representantes no Brasil. Em comum, esses aplicativos possuem recursos como botões de pânico — que por meio de um clique acionam telefones e emails pré-cadastrados — e cercas eletrônicas. Nessa função, o pai delimita uma área no mapa – um trajeto da casa até a escola, por exemplo – e recebe alertas caso o filho sai da área predeterminada.

A brasileira ZoeMob é uma das pioneiras no país. Disponível desde o fim de 2011, o aplicativo já ultrapassou fronteiras. “Estamos falando em mais tranquilidade para os pais. Esse não é um problema exclusivo do Brasil”, diz Daniel Avizú, executivo-chefe da ZoeMob. Com foco exclusivo em consumidores, a ZoeMob tem hoje 7,3 milhões de famílias usuárias em 183 países, sendo que 35% dessa base está nos Estados Unidos. A empresa investe no modelo freemium, no qual o usuário tem acesso gratuito ao serviço por sete dias. É possível cadastrar até cinco dispositivos, que podem ser monitorados a partir de um portal, que pode ser acessado por qualquer equipamento com conexão à internet. Passado o período de degustação, a empresa cobra uma taxa mensal, em média, de US$ 4. O valor varia em cada país.

O ZoeMob tem recursos como o envio de alertas caso o veículo em que o adolescente esteja ultrapasse uma velocidade predeterminada. Se o filho não atende a seguidas tentativas de chamada, é possível acessar remotamente o áudio do aparelho do adolescente e escutar tudo o que está acontecendo no ambiente em que ele está localizado.

Depois de receber uma segunda rodada de investimentos, a ZoeMob vai transferir sua sede para o Vale do Silício, nos Estados Unidos. A ideia é estabelecer parcerias com desenvolvedores para a criação de serviços baseados em localização. “Estamos começando a desenvolver também tecnologias para dispositivos vestíveis. Nessa vertente, um dos focos será o monitoramento de idosos com restrições de saúde”, diz Avizú.

Lançado em março pela Duetec, o aplicativo AnjoMob também investe no modelo freemium. A proposta da empresa, no entanto, engloba ainda a oferta para empresas, especialmente no que diz respeito à monitoração de equipes externas. “A ideia é ganhar escala entre os consumidores, mas as companhias vão responder por grande parte das receitas”, diz Walter Nascimento, supervisor de marketing da Duetec. Para consumidores, a taxa mensal é do serviço é de R$ 16. Já para empresas, o valor varia de R$ 120 até R$ 450.

Entre outros recursos mais voltados à segurança,como a cerca eletrônica, o AnjoMob oferece a gestão do consumo de bateria, um gráfico para o gerenciamento dos custos de telefonia e a integração com os sistemas de gestão das empresas. No plano dos consumidores, uma das funções é o envio de alertas caso o usuário do aparelho receba mensagens de texto relacionadas à bullying ou mesmo com conotação sexual.O plano da Duetec para impulsionar o serviço inclui parcerias com fabricantes e operadoras de telefonia para embarcar o aplicativo em dispositivos.

Disponível desde o fim de 2013, o foco do Agentto é ainda mais ampla. A proposta do aplicativo é conectar familiares, amigos, colegas de trabalho e órgãos de segurança. “Nossa ideia é ser uma rede social de segurança pública”, diz Sergio Paim, fundador da Agentto.

Com um investimento de R$ 7,5 milhões, o serviço traz diversas funções relacionadas a situações de emergência e possui patentes registradas no Brasil e no exterior. Uma dessas tecnologias permite, por meio de um simples chacoalhar do dispositivo, acionar números pré-cadastrados na rede social, que, por sua vez, podem acionar um órgão de segurança, também integrado à rede. Ao mesmo tempo, o aplicativo permite o envio de imagens, vídeos e áudios diretamente para esse ambiente.

O Agentto já tem acordos com a polícia de Goiás e outros órgãos de segurança no Triângulo Mineiro. Outras parcerias com órgãos de segurança pública de outros estados já estão sendo costuradas, diz Paim. Para divulgar e escalar a oferta, a empresa está investindo em estratégias como o fechamento de contratos com sindicatos e entidades de classe. Como o aplicativo é e permanecerá gratuito, a Agentto prevê, em uma segunda etapa, rentabilizar o serviço por meio de parcerias para a criação de serviços no entorno da plataforma.

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