Por douglas.nunes

Barack Obama, Angela Merkel e o bilionário mexicano Carlos Slim. Longe de afinidades políticas ou de discussões de negócios, o trio em questão tem um ponto em comum. Numa época dominada pelo iPhone e por smartphones Android, os três são usuários fiéis do BlackBerry. Mais que uma simples coincidência, o laço que une essas três personalidades mundiais simboliza justamente o plano da BlackBerry para retomar sua trilha de crescimento: o foco em segurança e produtividade móvel, especialmente para grandes empresas e o governo, públicos pelos quais a empresa fez seu nome no mercado.

A volta às origens chega em um momento de transição. Nos últimos anos, a BlackBerry registrou seguidos resultados deficitários, que culminaram em um 2013 conturbado. No ano, a empresa chegou a anunciar um acordo para o fechamento de seu capital, por US$ 4,7 bilhões, que acabou sendo cancelado. Em meio às vendas fracas, a BlackBerry anunciou demissões e a troca do executivo-chefe Thorsten Heins por John Chen.

“Esse cenário de más notícias fez com que os clientes questionassem o futuro da companhia e passassem a considerar outras opções no mercado”, afirma Pablo Kulevicius, diretor de segurança da BlackBerry para a América Latina. “Mas em nenhum momento perdemos o reconhecimento em termos de oferta de segurança e produtividade. Agora, com um caminho traçado, acredito que voltamos a ser o plano A desses clientes”, diz.

Dentro do plano de transição, a companhia estabeleceu quatro áreas de negócios: dispositivos; serviços empresariais, que reúne, entre outros recursos, a BES 10, plataforma de gerenciamento de dispositivos móveis; QNX, de softwares de missão crítica para aplicações em segmentos como comunicação entre máquinas; e a plataforma de mensagens instantâneas BBM.

Os apelos da segurança e da produtividade permeiam as quatro áreas. A grande mudança, no entanto, foi a extensão dessas ofertas aos dispositivos e sistemas operacionais de rivais, reduzindo a dependência dos projetos ligados exclusivamente ao BlackBerry. Um dos exemplos foi a disponibilidade da BBM para o iPhone e os dispositivos Android. A BlackBerry também passou a incorporar os aparelhos e sistemas operacionais de outras empresas na BES 10, sua plataforma de gestão de dispositivos.

Na visão da BlackBerry, essa última abordagem abre boas perspectivas em meio a um grande desafio atual das empresas: a dificuldade de gerenciar diversos dispositivos – pessoais ou profissionais – e de sistemas operacionais móveis no ambiente corporativo. Para impulsionar esse modelo, a BlackBerry lançou um programa gratuito para que clientes da base instalada e mesmo usuários de outras plataformas de gestão migrem para a BES 10. “Estamos tendo uma boa resposta do mercado”, diz Erlei Guimarães, diretor de desenvolvimento de novos negócios e de vendas corporativas da BlackBerry.

No primeiro trimestre fiscal da BlackBerry, encerrado em 31 de maio, o programa registrou 1,2 milhão de novas licenças para o BES 10, sendo que 10% desse montante foram de clientes de plataformas rivais, segundo a companhia. “Estamos atingindo alguns nomes de peso globais, como a AirBus, e também no Brasil, como o Banco Itaú e a Odebrecht”, diz Guimarães.
O mercado governamental também é prioridade na América Latina, diz Kulevicius. “Hoje, temos mais de 500 agências governamentais da região em nossa base. O grande desafio, no entanto, é o fato de que grande parte dos governos não têm uma política centralizada de segurança móvel”, explica.

Desafios à parte, o plano da BlackBerry já trouxe os primeiros resultados no primeiro trimestre fiscal. A empresa registrou um lucro de US$ 23 milhões, frente a um prejuízo de US$ 423 milhões em igual período do exercício anterior.

Você pode gostar