Rede de farmácias Pague Menos fecha parceria com IBM

Objetivo é recuperar liderança perdida em 2011. Softwares vão analisar dados em tempo real para definir preços e mix de produtos

Por O Dia

Terceira maior rede de farmácias do mercado brasileiro, a Pague Menos, de Fortaleza, já tem a receita para retomar a liderança perdida em 2011, em meio às movimentações do setor. A empresa selou um acordo com a IBM para implantar um projeto ambicioso de tecnologia. Com duração de dez anos, o contrato prevê a adoção de softwares analíticos no modelo de computação em nuvem, que irão cobrir as mais de 710 lojas da rede no país. 

Deusmar de Queiróz, presidente e fundador da Pague MenosMarcela Beltrão

“Hoje, somos a terceira força no mercado e não estamos satisfeitos com essa posição”, diz Deusmar de Queiróz, presidente e fundador da Pague Menos. “Vamos investir no que há de mais moderno na tecnologia, com sistemas ainda pouco usados no Brasil”, afirma.

Os últimos três anos do segmento explicam essa estratégia. No período, o setor foi o palco de fusões entre grandes redes como Drogasil e Droga Raia, e Drogaria Pacheco e Drogaria São Paulo — que resultou na DPSP —, além de aquisições que consolidaram a Brazil Pharma como mais um concorrente de peso. Em um contraponto aos seus rivais, a Pague Menos escolheu o caminho do crescimento orgânico para expandir suas operações.

Ainda sob o impulso de fatores como o aumento da renda, o setor faturou R$ 28,7 bilhões em 2013, alta de 13,84% sobre 2012, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias (Abrafarma). Esse contexto continua a atrair investimentos, agora de multinacionais como a CVS, que comprou a Drogaria Onofre e negociava — até pouco tempo — a compra da DPSP. Há ainda a expectativa da chegada da Walgreens ao país. “Estamos nos preparando para esse cenário”, afirma Queirós.

Diante desse panorama, o projeto com a IBM será dividido em cinco áreas e tem como fios condutores a eficiência e a melhoria na experiência de compra dos clientes. A prioridade inicial será a montagem de um banco de dados com informações dos últimos dois anos de operação da Pague Menos.

Passada essa primeira etapa, a fase de implementação terá início com a linha de softwares Demandtec. Esses sistemas irão analisar grandes volumes de dados — da Pague Menos e da concorrência — em tempo real, para a definição de preços e de mix de produtos. A tecnologia usa parâmetros como localização, perfil dos clientes e produtos mais vendidos em cada ponto de venda. “No caso da Pague Menos, há uma matriz de complexidade por trás da operação. São 12 mil itens diferentes em mais de 700 lojas”, diz Rodrigo Kede, presidente da IBM no Brasil. “Nessa escala, ter eficiência na gestão do preço significa a redução de perdas e um retorno muito maior”, observa. “Estamos projetando um incremento de 1% a 3% na receita apenas nessa fase e uma economia de R$ 150 milhões”, diz Queirós.

Além de preços mais atrativos e de componentes como logística e gestão do ciclo de vida dos produtos, as demais etapas do projeto incluem tecnologias para que a Pague Menos consiga oferecer um atendimento mais personalizado. Essa ponta inclui soluções ainda pouco adotadas no varejo brasileiro. Uma das aplicações é a possibilidade de identificar um cliente na loja — por meio de recursos de localização — e, a partir de seu histórico de consumo, oferecer descontos e benefícios. “Se um cliente compra regularmente um medicamento que dura, por exemplo, trinta dias, podemos alertá-lo que é a hora de renovar o seu estoque”, diz Queirós.

Segundo o executivo, a Pague Menos projeta fechar 2014 com uma receita de R$ 4,4 bilhões e 740 lojas. Uma das frentes de crescimento serão as cidades com menos de 60 mil habitantes, um universo que até pouco tempo não era explorado pela empresa. “Estamos cadastrados em 156 municípios para chegar a mil lojas até 2017”, diz. Depois de adiar em 2012 o lançamento de sua oferta pública inicial de ações, Queirós afirma que a expectativa agora é de concluir o processo no segundo semestre de 2015.

Para a IBM, o projeto é — na mesma medida — um passo importante dentro do plano de expansão da empresa no país. “Até então, tínhamos projetos de back office com a Pague Menos. A nova parceria reforça nossa oferta local na linha do front office e prova que, cada vez mais, a inovação não ficará restrita ao eixo Rio-São Paulo”, diz Kede.

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