Microsoft amplia parcerias na computação em nuvem

Sob o comando de SatyaNadella, empresa deixa rivalidades históricas e reforça estratégia de aproximação com desafetos, como a Linux, para acirrar competição no mercado

Por O Dia

São Paulo - Terceiro executivo-chefe em 39 anos de história da Microsoft, o indiano Satya Nadella tem pela frente o desafio de recolocar a empresa nos trilhos e adequar a estratégia da gigante americana aos novos tempos do mercado de tecnologia. Há pouco mais de oito meses à frente da companhia, o executivo elegeu o mantra “Mobile First, Cloud First” como as palavras que guiarão a empresa nessa jornada. E os novos passos dessa caminhada foram apresentados ontem em evento realizado na sede da companhia, em Redmond (EUA). Em meio a uma série de anúncios, a Microsoft reforçou a estratégia de aproximação com parceiros para encorpar o seu portfólio e acirrar a competição com os outros dois principais nomes do mercado de computação em nuvem: Amazon e Google.

“Mais de 80% das empresas do ranking Fortune 500 já estão na Microsoft Cloud. Estamos entregando a nuvem mais completa da indústria, para apoiar qualquer empresa, de qualquer indústria e em qualquer geografia”, afirmou o executivo, no início do evento, ao citar os recursos disponíveis nas três linhas de ofertas que compõem o portfólio de computação em nuvem da Microsoft: o Office 365, que reúne versões para acesso à internet dos conhecidos programas de produtividade e colaboração da companhia; o Microsoft Dynamics, que abrange os pacotes de software empresariais; e a Windows Azure, plataforma de serviços e de infraestrutura na nuvem, como por exemplo, as ofertas de armazenamento de dados.

O esforço para estabelecer um ecossistema com maior abertura para empresas novatas, provedores de serviços de internet e até mesmo rivais em determinados segmentos é um dos motes da nova trilha que a Microsoft pretende construir em sua estratégia na nuvem. Nessa direção, a companhia está criando um marketplace para a sua plataforma Windows Azure. A ideia é oferecer um serviço pelo qual os clientes podem buscar e implantar – por meio de poucos cliques – soluções e tecnologias de parceiros, bem como combinar eventuais pacotes com os próprios softwares da Microsoft.

Com um leque que já inclui centenas de parceiros, entre eles, empresas como Oracle e Docker, a Microsoft anunciou ontem a adesão de duas novas empresas ao marketplace da Azure. A primeira delas é a Cloudera, companhia que desenvolve aplicações analíticas e de gestão de dados na nuvem para o mercado empresarial. A segunda novidade é a CoreOS, sistema operacional baseado no Linux, ícone do software livre que já esteve no centro de diversos embates com a Microsoft, especialmente na década de 90.

A Microsoft também anunciou o lançamento em conjunto com a Dell de um pacote que inclui equipamentos da parceira, com sistemas embarcados da Microsoft e acesso a serviços da Windows Azure. Em outra frente, a companhia também apresentou novas linhas de máquinas virtuais e de soluções de armazenamento, que trazem melhorias de performance para os projetos dos clientes na nuvem.

Durante a apresentação, Nadella reforçou a maior abrangência do novo direcionamento da Microsoft, em contraponto ao modelo tradicionalmente adotado pela companhia, muito focado em seu próprio ecossistema. “Hoje, nossa nuvem está pronta para suportar qualquer dispositivo e sistema operacional, seja ele baseado no iOS, da Apple, no Android, do Google, ou mesmo no Windows Phone”, observou o executivo. “Hoje, cerca de 20% dos projetos na Azure já são baseados no Linux”.

Outro ponto ressaltado foi o fato de que as ofertas de computação em nuvem alcançaram a marca de US$ 4,4 bilhões no ano fiscal de 2014 da Microsoft, encerrado em 30 de junho. Apesar de representar uma pequena parcela da receita total da companhia no período, de US$ 86,8 bilhões, a cifra representou um salto de 147% sobre o exercício anterior. “Mais de 40% dessa receita já vem de start-ups e de provedores de serviços na internet”, disse Scott Guthrie, vice-presidente executivo de Cloud e de Enterprise Group da Microsoft, destacando a presença nos dois setores que explicam a liderança da Amazon no segmento. “Estamos alcançando empresas de todos os portes, inclusive do setor público”, acrescentou Nadella, citando como exemplo as cidades de San Francisco e San Jose, na Califórnia, que já adotam soluções como o Office 365.

O alcance global da nuvem da Microsoft e os investimentos da companhia em expandir a oferta da Windows Azure foram outros elementos destacados pelos executivos, especialmente com a distribuição de data centers locais. Na próxima semana, a plataforma chega ao mercado australiano e no radar da Microsoft, a ideia é tornar o serviço disponível em 19 regiões em todo o mundo até o fim de 2014. “Essa abordagem permite que as empresas desenvolvam suas aplicações e rodem esses recursos próximos de seus clientes”, disse Nadella.

O Brasil é um dos mercados que vem sendo priorizado nessa ponta. Depois de investir em um data center local em 2011, para apoiar a oferta do Office 365, a Microsoft colocou um segundo centro de dados em operação no primeiro semestre desse ano, desta vez com foco em aprimorar a entrega de serviços da Windows Azure.

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