Por monica.lima

São Paulo - Criado em Israel, o Waze — aplicativo de informações do trânsito em tempo real — ganhou popularidade com a mesma velocidade com que ajuda os motoristas a encurtarem suas rotas nas vias engarrafadas em todo o mundo. Entretanto, a pressa não parece ser a tônica da companhia no que diz respeito à rentabilidade desse modelo. Na condução das estratégias, as parcerias para divulgar e aprimorar o serviço são o primeiro foco. A ideia da empresa é escalar ainda mais a base atual de 50 milhões de usuários e, por consequência, ter maior poder de barganha em sua fonte de receitas: a atração de anunciantes.

Ao lado de Estados Unidos, França e México, o Brasil é um dos quatro principais mercados do Waze. Sob esse cenário, o país está na rota principal das estratégias da empresa para expandir seus negócios. “Estamos no Brasil há pouco mais de um ano e a reação do mercado local está sendo fenomenal”, diz Eric Ruiz, diretor de vendas do Waze para a América Latina.

Um dos exemplos da relevância do Brasil foi o lançamento nesse mês do Waze Connected Citizens, programa global que envolve a parceria com prefeituras e serviços públicos. Lançado inicialmente em dez cidades, como Nova York e Tel-Aviv, o projeto teve como piloto a cidade do Rio de Janeiro, a partir de uma iniciativa que começou a ser implementada em junho de 2013, na época da visita do Papa Francisco, em conjunto com o Centro de Operações Rio (COR).

A parceria ilustra o modelo que vem sendo adotado. O Waze compartilha gratuitamente com o COR dados que captura em tempo real, como incidentes e a velocidade média nas principais vias. O pacote envolve apenas informações agregadas. Dados como a velocidade de um motorista específico não estão incluídos. “Quando você decide vender mapas e dados, o foco não é mais o motorista. E ele é a nossa prioridade. Por isso, não queremos colocar um preço nesses acordos”, diz Julie Mossler, diretora de comunicação global do Waze.

Em troca, o Waze recebe dados do COR, o que inclui o conhecimento prévio das mudanças no trânsito em virtude de obras ou mesmo de eventos, como o Carnaval. “É uma via de duas mãos. Quanto mais mantemos os mapas atualizados, mais precisas são as rotas que traçamos para os nossos usuários”, diz Flavia Sasaki, chefe do programa de transmissão e parcerias corporativas do Waze na América Latina. A executiva foi contratada em abril, com a missão de construir as parcerias do serviço na região. “Nossa ideia é escalar esse modelo para outras cidades, inclusive as de médio porte”, afirma. No Brasil, o Waze já assinou novos acordos com os municípios de Vitória e Petrópolis. A empresa negocia ainda com Florianópolis, Porto Alegre e Salvador.

Com o mesmo formato isento de receitas, os esforços de divulgação do serviço incluem parcerias com emissoras de TV e Rádio. Na América Latina, já são 25 acordos nessa direção. O serviço cria soluções customizadas em cada projeto. Na TV brasileira, o Waze mantém desde fevereiro um acordo exclusivo com a Rede Globo, que já adota esses recursos em sua programação em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Teresina. A Rádio Sul-América é outro veículo parceiro. “Nós oferecemos nossos dados em tempo real e, em troca, esses veículos nos dão o crédito”, diz Flavia.

O Waze também negocia um acordo com a Indoormidia, empresa que controla painéis digitais em 20 aeroportos no país. A ideia é oferecer dados das principais vias próximas a partir dessas mídias. “Essas iniciativas facilitam o meu trabalho, pois ampliam o conhecimento do serviço e melhoram o aplicativo”, diz Eric Ruiz.

O executivo diz que o foco é atrair as grandes marcas no país e, principalmente, os anunciantes que façam sentido dentro da experiência dos usuários, em trânsito. Os segmentos de maior potencial são os serviços financeiros, de alimentação, de entretenimento e de combustíveis. No Brasil, a base de anunciantes inclui nomes como Bradesco, Itaú, Porto Seguro e Pontofrio. Para as PMEs, o Waze mantém uma ferramenta online, com um passo a passo para os interessados em anunciar na plataforma.

Segundo Ruiz, o Waze trabalha em parceria com as empresas para adaptar os anúncios e promoções às necessidades e objetivos de cada marca. Um pilar, no entanto, é comum a todas as iniciativas. O serviço investe em formatos que não distraem a atenção dos motoristas e que garantem a segurança ao volante. Um dos exemplos são as inserções mostradas apenas com o carro parado.

Na rota de expansão do Waze, a integração com o Google — que comprou o serviço em 2013, por US$ 1,3 bilhão — está mais restrita ao envio de dados para aprimorar o Google Maps. O Waze continuará a operar independente, assim como acontece com o YouTube e outras operações do gigante de buscas. “Antes de tudo, o Waze é uma comunidade. Se abandonarmos a nossa marca, perderemos a paixão dos usuários”, diz Julie.
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