Distribuidores de TI sofrem com dólar alto e economia em baixa

Faturamento estimado para este ano é de R$ 12,6 bilhões, o que representa retração de 5,2% em relação a 2013

Por O Dia

O baixo nível de crescimento econômico no país e a cotação do dólar em alta frente ao real deixaram o segmento de distribuição de TI com poucos motivos para comemorar o Natal. Levantamento encomendado pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abadisti) estima que o faturamento total do setor terminará o ano no patamar de R$ 12,6 bilhões, uma retração de 5,2% em relação ao resultado registrado em 2013 (R$ 13,3 bilhões). As vendas de hardware em queda têm forçado os distribuidores nacionais a ampliarem seu mix de produtos, com participação crescente dos games. Paralelamente, as revendas apostam cada vez mais na prestação de serviços para clientes corporativos como forma de compensar a queda nas margens de lucro, chamuscadas pela concorrência dos grandes varejistas.

“Somos um setor intermediário. Fatores como o dólar alto ou o crescimento econômico mais tímido geram um efeito cascata que sempre acaba na ponta do distribuidor e do varejista”, justifica Mariano Gordinho, diretor executivo da Abradisti. “A diferença é que o varejista trabalha com uma variedade maior de produtos no seu mix”. Variedade, neste caso, pode significar melhores margens. Não foi à toa que a participação dos jogos no faturamento das revendas aumentou em um quinto, passando de 5%, em 2013, para 6%, neste ano.

Principal produto dos distribuidores de TI brasileiros, os componentes eletrônicos tiveram sua participação no bolo do faturamento reduzida de 16% para 15% na comparação 2013/2014. A redução de um ponto percentual é resultado direto do encolhimento do segmento de pequenas e médias montadoras nacionais de PCs. “Cinco anos atrás, o país tinha uma indústria pujante de montagem de computadores. Eram máquinas distribuídas regionalmente por empresas que estavam mais perto do cliente. Com a queda brutal nos preços dos computadores, a margem diminuiu muito, o que desestimula quem monta computadores”, explica Gordinho.

Em linhas gerais, a categoria hardware vem perdendo market share ao longo dos últimos anos. Em 2014 representou 71% do faturamento das revendas, contra uma participação de 74% no ano passado e de 81% em 2012. A trajetória descendente é explicada — segundo o diretor executivo da Abradisti — pela importância crescente dos smartphones. Os telefones inteligentes absorveram uma variedade de funções antes restritas aos computadores. Outro fator determinante para a “decadência” do hardware foi a evolução das tecnologias de armazenamento de dados em nuvem, disponíveis hoje gratuitamente ou a um custo baixo.

Pressionados por um cenário de margens menores e inadimplência em alta, os distribuidores de TI enveredam cada vez mais pelo mercado corporativo. Em 2006, a participação do segmento na receita das revendas era de 30%. Já em 2014 esse percentual é de 48%, conforme projeção que consta da 5ª Pesquisa Inédita Setorial dos Distribuidores de TI. Para o próximo ano, a previsão é de que os clientes corporativos respondam por 51% do faturamento. A aproximação entre distribuidores e companhias ganhou força nos últimos dois anos, com ênfase na prestação de serviços. “O grande concorrente do revendedor é o varejo. A solução para o distribuidor é buscar cada vez mais a proximidade com as empresas. Cliente corporativo quer treinamento, consultoria, serviços”, diz Gordinho.

De acordo com o estudo encomendado pela Abradisti, há 30 mil revendas de TI no Brasil, sendo que 25% delas possuem apenas um funcionário e 68% contam com até cinco empregados. A maioria — 66% — possui site, mas somente 20% estão engajados no comércio eletrônico. A associação abrange 78% dos distribuidores brasileiros de TI, com faturamento previsto de R$ 9,8 bilhões para este ano. “Este Natal não vai ser apocalíptico, mas com certeza será conservador”, acredita o diretor executivo. “O setor não está preocupado com quem vai ser o próximo ministro da Fazenda. Os empresários estão aguardando uma sinalização clara do que vão ser os próximos anos em termos de política econômica.”

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