NCR aposta em inovação no Brasil

Após fortalecer a estrutura de sua operação brasileira, a companhia americana investe em novo portfólio para ampliar sua participação no mercado de ATMs e repetir - no país - a liderança conquistada no mercado global

Por O Dia

São Paulo - Líder global em caixas eletrônicos (ATMs) para instituições financeiras — a empresa detém 29,5% da base instalada mundial, segundo a Retail Banking Research (RBR) —, a americana NCR ainda está distante de repetir o mesmo desempenho no mercado brasileiro. Após colocar em prática um plano para consolidar sua infraestrutura local nos últimos anos, a empresa está investindo na oferta de um portfólio de inovações para disputar as primeiras posições na preferência do setor bancário do país.

“O Brasil é totalmente diferente. Enquanto em outros mercados a NCR dita os padrões e o nível de adaptações chega a, no máximo, 15%, aqui, os projetos são 100% customizados. A solução que vendemos para o banco A é totalmente diferente da do banco B”, diz Elias Rogério da Silva, vice-presidente da NCR para a América Latina e Caribe. “Mais que dobramos nossa participação local nos últimos anos, mas ainda estamos na faixa de 15%. Existe bastante espaço para conquistar e temos um leque extenso de soluções para aumentar essa fatia”, afirma o executivo.

A NCR aposta na oferta local de novas tecnologias voltadas à consolidação de um novo modelo de agências bancárias. Um deles envolve o ambiente de autoatendimento no qual os clientes contam com o auxílio de funcionários munidos de tablets. Além de identificar cada cliente e seu nível de relacionamento com o banco, esses colaboradores conseguem auxiliá-los nas transações com, por exemplo, a liberação de um limite adicional para uma transação. A NCR também oferece soluções que permitem aos usuários interagir em tempo real com consultores remotos por meio dos terminais.

Outra novidade que começa a ganhar escala são os terminais de depósitos inteligentes. Essas máquinas aceitam depósitos sem envelope de dinheiro em espécie e cheques, em uma única transação. Entre outros recursos, os equipamentos validam e processam a transação, e fornecem um recibo aos clientes com as imagens digitais capturadas dos cheques. Desde julho, o Bradesco é o primeiro banco brasileiro a adotar a tecnologia. “Já temos pilotos com outros três bancos de varejo no país”, diz Silva.

O portfólio inclui ainda transações multicanal. Um dos exemplos é a possibilidade de um correntista enviar a autorização de um saque em um ATM — um pai para um filho, por exemplo — por meio de um QR Code, via celular.“Além dessas inovações, um dos focos é ampliar a presença em bancos públicos. Hoje, nossa participação nesse setor ainda é incipiente”, diz.

O executivo observa que a estratégia global recente da NCR — de investir na ampliação da atuação para segmentos como varejo, hotéis, restaurantes e aeroportos — ainda está em segundo plano no Brasil.

Hoje, o setor financeiro responde por pouco menos da metade da receita global. No Brasil, esse percentual está em na faixa de 80%. Mesmo sob esse cenário, a companhia investiu em três aquisições no mercado nacional nos últimos dois anos para abrir frente nos novos segmentos. Diferentemente do setor bancário, concentrado em poucos clientes de grande porte, a NCR também está construindo uma rede de parceiros para o atendimento nesses outros segmentos, mais pulverizados. “Esses setores também estão no radar, mas, no momento, têm menor potencial. Em termos de tecnologia, o varejo brasileiro, por exemplo, ainda está muito no ‘low end’ e está no mesmo patamar que os bancos estavam há 15 anos”, afirma.

Empresa cresceu no país com fabricação e inovações locais

Em 2012, a NCR ocupava a quarta posição no Brasil, com 6%, atrás da americana Diebold, com 47%, e das brasileiras Itautec e Perto, com 30% e 12%, respectivamente, de acordo com a RBR. Hoje, o Brasil é o terceiro maior mercado mundial de ATMs, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão.

A base para a nova fase foi construída a partir de um plano de R$ 73 milhões, que envolveu uma fábrica para a produção local dos ATMs, em 2009. Um ano depois, a NCR ampliou a estrutura, com uma linha para a fabricação dos cofres instalados nos caixa eletrônicos. O Brasil é o único país a contar com essa abordagem. As duas instalações atendem ao mercado brasileiro e também aos países da América Latina. O projeto incluiu ainda um centro local de pesquisa e desenvolvimento, a quinta unidade global desse porte da NCR. “Nós precisávamos ter capacidade tecnológica, de pesquisa e de manufatura para atuar num mercado tão customizado”, diz Silva. Hoje, o centro brasileiro é uma das referências da NCR para o desenvolvimento de soluções de segurança, em virtude de situações como as explosões de ATMs em assaltos. 

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