Escolas especializadas ensinam programação para crianças e adolescentes

Com abordagem de empreendedorismo, empresas investem em cursos para ensinar desenvolvimento e programação de games, aplicativos e até robôs

Por O Dia

São Paulo - Mais que uma boa ideia na cabeça e um ambiente propício para levar esse projeto ao mercado, grande parte das empresas referência em tecnologia tem outro ponto em comum:Bill Gates, Mark Zuckerberg e tantos outros nomes por trás dessas histórias de sucesso começaram a trilhar muito cedo o caminho dos bits e bytes. Distante de países como os Estados Unidos e a Inglaterra — onde o ensino de programação foi incluído na grade curricular —, o Brasil ainda engatinha nessa seara. Uma nova tendência, no entanto, começa a despontar no país: as escolas especializadas que ensinam crianças e adolescentes a programar games, aplicativos e até robôs, com uma abordagem que privilegia ainda o empreendedorismo.

"O apetite da nova geração por dispositivos móveis e pela tecnologia é enorme, mas na maioria das vezes essas crianças estão desperdiçando seu tempo. Nossa proposta é estimulá-las a desenvolver soluções alinhadas com a realidade que as cerca", diz Daniel Cleffi, fundador da escola paulistana MadCode e executivo com passagem pela área de educação da Microsoft. “Na esteira da programação, é possível trabalhar disciplinas como física e engenharia, além de raciocínio lógico e flexibilidade cognitiva, entre outros conceitos", afirma.

Criada em outubro e com foco na faixa etária de 5 a 17 anos, a MadCode oferece cursos com módulos de dezoito aulas, de 1h30. "Nosso método é semelhante ao que é usado pela Apple e aposta no aprendizado baseado em desafios. A ideia é mostrar ao aluno que ele foi capaz de fazer algo que parecia impossível num primeiro momento", diz.

A MadCode conta também com uma incubadora, que reunirá os projetos de maior potencial de mercado desenvolvidos na escola. A MadCode vai oferecer estrutura física e apoio para a formatação de planos de negócios. “Vamos aproveitar também nossa rede de relacionamentos nos mercados financeiro e de tecnologia para apresentar os projetos a investidores”.

Para superar o desconhecimento inicial sobre o modelo, a MadCode está apostando na oferta de cursos de férias. A maior procura, diz Cleffi, está entre os alunos de 11 e 12 anos, de diversas cidades do estado de São Paulo. Outro gancho é uma parceria que a escola está fechando com uma instituição do Vale do Silício para promover, entre outras ações, o intercâmbio de alunos.

Com uma unidade própria em São Paulo, a MadCode vai investir em franquias para expandir suas operações. A primeira unidade nesse modelo foi inaugurada em dezembro na capital paulista. “Já temos interessados no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Pernambuco. Nesse ano, nossa prioridade será consolidar nossa marca e esse modelo de franquias”, diz.

Pioneira no setor e fundada em maio de 2014, com um aporte de R$ 1 milhão, a paulistana SuperGeeks também escolheu o modelo de franquias como sua via de expansão. Hoje, a escola possui uma unidade própria em São Paulo, com 300 alunos. “Vamos abrir dez franquias em 2015 em cidades como Rio, Belo Horizonte, São Bernardo do Campo, Curitiba, Fortaleza e Manaus”, diz Marco Giroto, que fundou a escola após uma passagem pelo Vale do Silício, onde teve contato e participou de ações voluntárias de empresas como Google e Facebook no ensino de programação.

A empresa também abrirá oportunidades para programadores sem capital para investirem em suas próprias franquias. Outro modelo será o treinamento de professores de colégios interessados na metodologia da escola. “No Brasil, as iniciativas estão restritas ao uso pontual de tecnologias de educação em poucos colégios de elite de São Paulo e do Rio”, afirma. “Nossa ideia é fazer com que o aluno percorra todo o caminho da ciência da computação, mas de uma maneira que ele possa desenvolver projetos profissionais, quem possam ser vendidos no mercado”, observa.

Com duração de 4 anos e meio e voltado a alunos a partir de 7 anos, o curso da SuperGeeks possui nove módulos semestrais, com disciplinas de criação de games em 2D e 3D, robótica, e desenvolvimento de aplicativos e aplicações para dispositivos móveis, internet e desktops, além da abordagem de temas relacionados à infraestrutura de tecnologia. Entre os projetos está a criação de um mini drone controlado pelo smartphone. As aulas contam ainda com conteúdos em inglês, que trabalham fala, escrita e leitura.

Outro conceito que permeia todo o conteúdo é o empreendedorismo. A partir dos 9 anos, os alunos passam a receber, por exemplo, informações sobre como funciona o mercado de games, quais são as formas de divulgação e as plataformas disponíveis de distribuição para jogos. No fim do quinto módulo, os estudantes obrigatoriamente precisam criar uma start-up.

Outra iniciativa da SuperGeek é um serviço de assinatura que reunirá os jogos educacionais criados por seus alunos. “Assim que tivermos um bom volume de conteúdos, vamos oferecer essa plataforma aos colégios. A maior parte da receita será repassada aos nossos estudantes”, diz Giroto.

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