Por monica.lima

Com crescimento do número de usuários de smartphones no país, um acessório vem ganhando espaço no dia a dia dos brasileiros: os chamados carregadores portáteis ou baterias externas. O boom no setor já é percebido tanto pelas empresas que importam esses produtos, como pelos principais marketplaces do país.

A Kalunga, por exemplo, observou um crescimento de 125% nas vendas dos carregadores portáteis e já possui 22 gadgets em seu portfólio de marcas, como Sony e Powerplux. Em breve, novos fornecedores serão acrescidos, entre eles TP Link e Trust.

Outra loja online, o Walmart.com, que começou a comercializar um único produto da TP Link em setembro de 2014, viu as vendas quadruplicarem em um mês, e já fez um pedido oito vezes maior que o inicial neste mês.

“Esse mercado cresce bastante por uma necessidade que o smartphone traz, já que a grande maioria das baterias não dura nem 24 horas. A necessidade, somada à oferta ainda recente, faz com que esse seja um mercado muito promissor”, diz Leandro Soares, diretor de marketplace do MercadoLivre, que viu a categoria de baterias externas crescer 289% em 2014, ante o ano anterior.

Pioneira na importação de carregadores portáteis, a PowerLink Brasil — muitas vezes confundida com o nome da categoria fora do país — também acredita no potencial desse mercado e, além do crescimento cada vez maior do número de usuários de smartphones, lembra que muitas pessoas sequer sabem que essas baterias externas existem.

“Virou febre e o fato dos carregadores, mesmo que com qualidade e capacidade inferior, terem virado brinde, faz com que as pessoas conheçam os produtos e queiram algo melhor”, diz Gustavo Ractz, representante da PowerBank Brasil. O carro-chefe do verão é um carregador que já vem com outra febre, o “pau de selfie”. “Importamos todos os produtos da China, ainda não há produção local”, completa ele.

Na brasileira Multilaser o cenário não é diferente. De 2013 para 2014, as vendas de seus seis modelos — também trazidos da China — cresceram 500%. O sucesso é tanto que a empresa já planeja trazer novos itens, com maior capacidade. O único entrave por aqui, diz a empresa, ainda é o preço.

“A capacidade média é de 2600 mA. Estamos desenvolvendo opções com 5200 mA e até 10.000 mA. Mas eles são bem mais caros e o público brasileiro ainda é muito sensível ao preço”, adianta o gerente de produtos da empresa, Danilo Angi, acrescentando que a expectativa é dobrar as vendas neste ano e manter um crescimento de 30% ao ano, nos próximos 3 ou 4 anos.

As grandes fabricantes de smartphones também estão de olho nesse mercado, apesar de ainda não produzirem os itens no país. A Sony, por exemplo, que conta com quatro gadgets em seu portfólio no Brasil, espera um crescimento de 45% no mercado este ano, depois de já ter dobrado as vendas em 2014.

“Esta é uma linha recente para a Sony no mundo inteiro e apostamos muito neste tipo de gadget, essencial para a realidade da vida moderna”, diz Luis Vieira, gerente de categoria de carregadores portáteis da Sony Brasil. “O brasileiro ainda não está familiarizado com este tipo de produto, mas pesquisas que a Sony Brasil realizou mostram que 72% dos usuários de smartphones comprariam um carregador portátil, pois praticamente 100% dos entrevistados já ficaram sem bateria em momentos críticos”, completa ele.

Para se diferenciar, a Microsoft aposta nas cores e no design para vender seus carregadores portáteis. “O interessante é que usuários de outras marcas já procuram nossos produtos justamente por isso”, diz Felipe Tani, gerente de produto e portfólio da Microsoft Devices no Brasil, que vende os gadgets apenas online e em suas lojas físicas próprias. De dezembro de 2013 a dezembro de 2014, a empresa viu suas vendas crescerem 30%. A empresa aposta ainda em uma segunda geração do gadget, agora sem fio.

Gerente de acessórios, da divisão Mobile da Samsung, Moacyr Amorosino diz que o público para este produto é muito amplo, apesar de existirem clusters, como os empresários e os jovens que são “heavy users” de smartphones.

“Quando foi criado, se pensou muito nos executivos. Mas foi um produto que caiu no gosto de todos”, diz o executivo, lembrando que os carregadores portáteis podem ser usados não apenas em smartphones, mas também em outros produtos como tablets e câmeras digitais.

Outra sul-coreana, a LG também oferece carregadores portáteis no país há um ano. “Optamos por trazer este tipo de item devido ao uso intenso do smartphone no país. Este é um acessório que supre esta necessidade de mais tempo de uso para o dispositivo de forma bastante prática e útil”, finaliza Marcel Inhauser, especialista em produto da área de celulares da LG no Brasil.

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