Plataforma reúne grifes para B2B

Iódice, Totem e Cavalera aderem a portal de atacado para alcançar mais lojas multimarcas a um custo menor

Por O Dia

A possibilidade de enxugar custos e ampliar a capilaridade da distribuição atrai grifes como Iódice, Totem e Cavalera para o universo do comércio eletrônico B2B (business-to-business). As três marcas, mais a gaúcha Farrow, estão na versão beta do eModa, portal que serve de canal de conexão entre as grifes e lojas multimarcas espalhadas pelo Brasil. Para os fabricantes de roupas e acessórios, a plataforma diminui a necessidade de montagem de showrooms — espaços onde os responsáveis pelas vendas exibem, para potenciais compradores, a coleção de um determinado estilista ou empresa. A entrada em cena do canal digital também permite trabalhar com equipes menores de vendas.

“O Brasil é um país de proporções continentais e é muito caro visitar fisicamente cidades distantes das capitais. Assim como fica caro para o lojista ter que se deslocar até os showrooms para conhecer todas as coleções”, justifica Fred d’Orey, dono da Totem, em entrevista por e-mail. Para ele, o canal B2B é uma maneira de “atingir novas praças, que antes eram inalcançáveis, complementando os showrooms físicos.”

Por meio da plataforma, os lojistas podem fazer pedidos de produtos, gerindo encomendas e datas de entrega. O modelo de negócios do eModa prevê uma operação verticalizada, com a incorporação de novos serviços, inclusive financeiros (crédito para lojistas), a partir de um acordo com um parceiro da área financeira. A versão completa do portal, com todas funcionalidades, estará disponível entre março e abril. Financiado por investidores-anjos, o eModa prevê para março a entrada de 15 novas marcas. Iódice e Cavalera aderiram na semana passada à plataforma. “A migração para o B2B é embrionária no país, incipiente, mas irreversível”, afirma Adriano Iódice, diretor comercial da marca, ressaltando que não acredita no fim dos showrooms. “Há três anos, as lojas multimarcas eram responsáveis por 48% das roupas distribuídas no país. Hoje, esse share caiu para 44%.”

Iódice atribui o encolhimento da participação das multimarcas à popularização do comércio eletrônico e à expansão dos shoppings em direção ao interior. Os dois fatores têm empurrado as lojas físicas rumo ao B2B, acrescenta o executivo. A Iódice fornece hoje no atacado para mais de 600 lojas multimarcas distribuídas pelo Brasil. Um dos cinco sócios do eModa, Vanessa Wander destaca que a plataforma pretende ser uma ferramenta de marketing e gestão, e não apenas um mecanismo de venda. “Não acreditamos apenas no online. B2B é relacionamento. Para comprar R$ 40 mil, R$ 50 mil, o lojista precisa ter um relacionamento, intimidade, com você”, sustenta Vanessa. O ticket médio atual é de R$ 10 mil, mas a empresa prepara ações regionais (palestras, eventos) ao longo do ano. O objetivo é estreitar o contato com lojistas e tornar a plataforma conhecida — há 2,3 mil clientes (multimarcas) mapeados no cadastro da eModa.

Iódice, Totem e Cavalera passaram incólumes — como grifes independentes — pela onda de aquisições que movimentou o mercado brasileiro a partir de meados dos anos 2000, quando fundos de private equity e empresas financeiras saíram às compras, formando conglomerados próprios de marcas. As grifes que permaneceram ligadas aos seus fundadores têm nas lojas multimarcas um canal de escoamento precioso para seus produtos. A Totem, por exemplo, já teve mais de dez lojas físicas, e atualmente conta com apenas uma, no Leblon, zona Sul do Rio de Janeiro. Além de ampliar a capilaridade das vendas no atacado, o canal B2B funciona também como ferramenta de fidelização, uma vez que concentra informações preciosas para o lojista, como por exemplo o status dos pedidos realizados e os prazos estimados de entrega. “Nos mercados maduros, temos plataformas online vendendo no modelo B2B e, ao mesmo tempo, showrooms”, diz Adriano Iódice.

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