Empresas buscam rota de expansão para os tablets

Fabricantes do dispositivo adotam diferentes estratégias para disputar em um mercado com ritmo de crescimento menor. As apostas vão da segmentação a um único produto

Por O Dia

Rio - Depois de um boom nas vendas, o mercado brasileiro de tablets ainda cresce, mas a um ritmo bem menos acelerado do que em anos anteriores. Estimativas do IDC apontam para a venda de 10 milhões de dispositivos no ano passado, e projeções indicam um crescimento de apenas 10% este ano, depois de alta na casa dos 20% na comparação de 2014 com 2013.

O desafio das fabricantes agora é ganhar participação de mercado no país. E, para isso, elas lançam mão de diferentes estratégias: algumas apostam na diversificação do portfólio, enquanto outras optam, por exemplo, pelo produto único.

No mundo, a venda e distribuição de tablets no quarto trimestre de 2014 teve queda de 3,2%, comparada com o mesmo período de 2013, segundo dados de levantamento preliminar do IDC. O fenômeno é inédito por se tratar de um período geralmente turbinado pelas compras de Natal. Esta é a primeira queda desde 2010, quando os tablets começaram a ser vendidos em todo o globo.

A brasileira Multilaser optou pela migração de todo seu portfólio para processadores quad core e pela segmentação de acordo com o público. A marca, que já possui dispositivos especiais para as crianças e amantes de games, além de modelos para múltiplos usos, como navegar na internet e fazer ligações, prepara para esse ano o lançamento de aparelhos com processadores Intel. Um deles terá 9 polegadas de tela e o outro será um híbrido (equipamento que une características de um tablet com componentes, como um teclado), que rodará com sistema Windows.

“A Multilaser aposta nos novos lançamentos para crescer 40% em volume esse ano. Esperamos expansão na nossa de fatia de mercado. Vendemos um milhão, no ano passado, e esperamos comercializar 1,5 milhão em 2015”, diz o gerente do Segmento de Tablets da Multilaser, Reinaldo Paleari.

“O mercado se polarizou bastante. Temos os chamados tablets de brinquedo, que são aqueles mais baratos e mais acessíveis, com qualidade inferior ao das marcas renomadas. Mas também há uma demanda de tablets mais premium. Optamos por um tablet que está no meio do caminho”, explica o gerente de Marketing e Produto da Asus Brasil, Marcel Campos.

Já a Asus trouxe para o país apenas o Fonepad 7, um foblet com tela de 7 polegadas, que além das funcionalidades de um tablet, faz ligações utilizando 3G e tem suporte para dois SIM cards. Por enquanto, a empresa não pensa em lançar outro dispositivo por aqui. “A nossa reviravolta começa pelo Zenfone, smartphone que apostamos bastante. Ele está alavancando todo o portfólio e ajudando a divulgar a marca”, diz Campos.

Traçando uma trajetória bem diferente, a americana Dell mira na tendência dos profissionais levarem seus dispositivos pessoais para seus ambientes de trabalho. Com isso, uma das apostas são os tablets que podem se conectar a teclados destacáveis. Mas além dos aparelhos, a empresa também oferece serviços e softwares que ajudam a integração segura dos seus produtos com o ambiente corporativo.

“Nosso foco é atender os desejos tanto dos usuários domésticos, no que diz respeito à qualidade, aparência, estilo, funcionalidade e conectividade, como dos usuários corporativos, com confiabilidade, segurança e gerenciamento”, explica o presidente da Dell Brasil, Luis Gonçalves. “Nosso posicionamento é nos tornarmos vice-líder no provimento de soluções de ponta a ponta, navegando entre esses dois tipos de usuários”, completa ele.

Menos acessos à internet e compras online

Apesar do crescimento, mesmo que moderado, nas vendas, apenas 6% dos usuários usam seus dispositivos para acessar a internet de casa, apontou pesquisa recente da Vivera Mobile. Isso se explica, diz o diretor de desenvolvimento de novos negócios da Vivera Mobile, Yuri Fiaschi, por diversos fatores, mas principalmente pelo fato da maior parte dos dispositivos terem apenas acesso à internet via wifi.

“A utilização do tablet por pessoas físicas cada vez mais é feita para acesso a livros, revistas, jornais etc. Conseguimos entender melhor a diferença de acesso à internet entre celulares e tablets quando pensamos que grande parte dos tablets não possui acesso à rede das operadoras, ao contrário dos celulares. Com isso, o uso do tablet é feito muitas vezes para substituir o material impresso”, explica o diretor de desenvolvimento de novos negócios da Vivera Mobile, Yuri Fiaschi.

Segundo outro estudo, o 31º WebShoppers, do E-bit, das 103,4 milhões de transações no comércio eletrônico do país em 2014, 56% foram realizadas através de smartphones, que já superam os tablets.

“As pessoas estão criando o hábito de entrar numa loja online e visualizar os produtos pela tela pequena. O consumidor tem a conveniência de estar dentro de um shopping center e poder pesquisar pelo comparador de preços e decidir pela melhor compra”, conta o diretor executivo do E-bit, Pedro Guasti.

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