Por monica.lima

São Paulo - A prática é corriqueira. Com o fim do mês próximo, os malabarismos e improvisos são as alternativas adotadas por grande parte dos brasileiros para pagar contas e quitar dívidas. Na contramão desse comportamento e impulsionado pelas perspectivas negativas da economia, um novo modelo de negócios está buscando se consolidar no país: os sites e aplicativos gratuitos que permitem organizar, controlar e planejar as despesas e investimentos pessoais. Como uma espécie de guru online, essas plataformas automatizam esses processos, apoiadas por dicas, orientações e conteúdos de educação financeira.

“O modelo é relativamente novo no Brasil, mas tem crescido muito recentemente. É um tipo de serviço que ganha escala especialmente em momentos de crise, pois as pessoas ficam mais conscientes e procuram alternativas para economizar”, diz Stanlei Bellan, executivo-chefe da MoneyGuru, que oferece ferramentas de comparação e simulação que ajudam os usuários a buscar e adquirir produtos financeiros como seguros, consórcios e cartões de crédito mais adequados aos seus perfis, considerando questões como faixa de renda e benefícios pretendidos. Ao mesmo tempo, o serviço traz conteúdos e tem uma comunidade na qual é possível tirar dúvidas com especialistas e outros usuários da plataforma.

No ar há dez meses, o MoneyGuru é fruto de um aporte liderado por George Milford Haven, membro da família real britânica, e um dos fundadores do uSwitch, site do Reino Unido que atua na mesma vertente. Com recursos de cerca de 10 milhões de libras esterlinas para consolidar os negócios no Brasil e uma audiência de mais de 1 milhão de usuários, o MoneyGuru tem parcerias com bancos como Bradesco e Itaú Unibanco, além de administradoras de consórcio e seguradoras. As receitas são geradas a partir de comissões por cada transação intermediada pelo serviço.

Para 2015, juntamente com os investimentos em tecnologia,e novas ferramentas e produtos, o site vai priorizar as estratégias para superar a falta de uma cultura de planejamento financeiro dos brasileiros. Nessa seara, o foco será reforçar as iniciativas para estimular a interação e o aprendizado dos usuários, bem como uma campanha em TV, com cobertura nacional.

Lançado na mesma época, o GuiaBolso também enxerga boas perspectivas no Brasil. “De um lado, o país tem um sério problema de falta de entendimento das finanças e de dificuldade para a escolha correta de produtos financeiros. Em outra frente, os bancos muitas vezes não entendem os consumidores e oferecem produtos e modelos de crédito não adequados”, diz Benjamin Gleason, sócio-fundador do GuiaBolso, que possui investimentos de fundos como a e.Bricks Digital e o americano ValorCapital. “O Brasil tem os produtos de crédito mais caros do mundo e quando as pessoas começam a se endividar, rapidamente se perdem. Esse cenário tende a se agravar com as projeções pessimistas da economia”, afirma.

Disponível por meio de aplicativos para iOS e Android, o GuiaBolso oferece — entre outros recursos — sistemas que traçam um perfil dos gastos dos usuários. O sistema conecta e computa as transações de todas as contas -corrente e poupança — e cartões do consumidor, além de classificar os gastos em categorias como transporte e alimentação. A ideia é fornecer dados para que o usuário tenha uma visão completa e automatizada do seu orçamento e possa planejar detalhadamente seus gastos e investimentos. O aplicativo conta ainda com um feed de notícias pelo qual é possível controlar em tempo real as despesas e informações financeiras.

No plano do GuiaBolso e de seus investidores, a geração de receitas ainda não é o foco. Para esse ano, a prioridade é investir em tecnologia, aprimorar a experiência do aplicativo e, principalmente, ampliar a base de usuários. O serviço encerrou 2014 com um mais de 300 mil cadastros. “Queremos fechar 2015 com 1 milhão de usuários. A partir desse número, teremos um bom volume para buscar formas de rentabilizar essa base”, diz.

Com cerca de 600 mil usuários e a meta de alcançar 1 milhão de cadastros nesse ano, o Minhas Economias é mais um serviço que vem testemunhando o aumento da demanda. “Há um ano, tínhamos um volume mensal de 800 mil novas transações na nossa plataforma. Hoje, esse número é de 1,5 milhão de transações”, diz Paulo Sain, sócio-fundador do serviço. “Esse crescimento é uma mescla da nossa expansão orgânica com a situação econômica. As pessoas estão mais preocupadas”.

O Minhas Economias também traz recursos de controle de orçamento, bem como uma “ferramenta de sonhos”, na qual o usuário cadastra uma meta — a compra de uma casa, por exemplo — e consegue identificar o quanto precisará poupar para realizar aquele investimento, no prazo estabelecido.

Hoje, a receita do serviço é baseada em publicidade. Um dos focos para 2015, no entanto, é investir na evolução para o modelo conhecido como “freemium”, que mescla a oferta de ferramentas gratuitas com a cobrança de taxas pelo uso de soluções mais sofisticadas.

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