Por monica.lima

São Paulo - No último ano, a até então pouco conhecida fabricante chinesa Xiaomi ganhou os holofotes no segmento de celulares ao assumir a liderança em seu mercado doméstico — o maior do mundo —, após desbancar a Samsung, entre outras gigantes do setor. Conhecida por uma trajetória semelhante no mercado brasileiro de PCs, a Positivo planeja agora repetir essa história no segmento móvel. E para ter sucesso, a companhia brasileira está investindo em uma estratégia que encontra paralelos na escalada meteórica da Xiaomi. Com a oferta de aparelhos avançados e mais adequados ao bolso e às preferências do consumidor local, a Positivo espera impulsionar suas vendas na categoria e fazer frente às multinacionais, entre elas a própria empresa chinesa, que prepara sua entrada no Brasil.

“Ainda é cedo para dizer se vamos conseguir alcançar o mesmo sucesso que tivemos em PCs. Nossa participação em celulares ainda é pequena — de 1,5% no último trimestre —, mas a partir de agora, pretendemos dar passos mais largos nesse mercado”, afirmou Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, durante o lançamento da nova linha de dispositivos da companhia. “Queremos entender profundamente o consumidor brasileiro, especialmente de classe média, para tentar entregar um portfólio o mais completo possível, a um preço acessível”, completou.

Para ampliar sua fatia em um mercado que registrou vendas de 55 milhões de unidades em 2014, segundo a IDC, a Positivo está estendendo sua oferta para outros perfis. O destaque fica com o Octa X800, que marca a entrada da fabricante no segmento que a empresa classifica como “super gama média”, com preços em uma faixa de R$ 800 a R$ 1 mil, que já concentra cerca de 20% das vendas no Brasil e inclui aparelhos de marcas como Motorola e Samsung. Com chegada ao varejo no início de março, o Octa X800 traz como principal novidade um processador de oito núcleos, que trabalham de maneira independente e simultânea, e aprimora recursos como consumo de bateria, velocidade e desempenho.

A nova linha conta ainda com outros três modelos. O pacote inclui o primeiro phablet da Positivo, com tela de 5,5 polegadas e preço de R$ 549; um aparelho com câmeras traseira e frontal, mais voltado à febre dos selfies; e um feature phone com conexão 3G, que será vendido inicialmente com exclusividade pela TIM. “Esse último dispositivo vai ao encontro da necessidade das operadoras, que precisam acelerar a migração do 2G para o 3G. Com ele, vamos ganhar capilaridade e, ao mesmo tempo, atender a essa demanda”, disse Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de mobilidade da Positivo.

O executivo destacou que a proposta da Positivo é ter um portfólio amplo, mas racional, com poucas ofertas em cada perfil de compra. A abordagem destoa, por exemplo, da estratégia adotada até pouco tempo por empresas como a Samsung, que vinha apostando em diversos aparelhos para cada segmento. Sob essa visão, Maraschin não descartou o investimento em médio prazo em ofertas no high end, como é chamado o topo do mercado, e que abrange smartphones com um preço médio de R$ 1.499.

O executivo observou que o lançamento de aparelhos 4G da marca — ainda sem previsão — está relacionada ao lançamento das novas linhas dos fabricantes de chips, previstas para maio. Já no que diz respeito a inovações nos dispositivos, uma das frentes em estudo “é uma nova abordagem de TV digital”, acrescentou, sem dar mais detalhes sobre o projeto.

Na disputa com as gigantes, a Positivo acredita ter outras armas. Além do conhecimento do mercado local e de sua relação com os varejistas, Rotenberg destacou vantagens como a fabricação própria e o fato de a empresa — obviamente — privilegiar o lançamento de suas inovações no mercado brasileiro, enquanto as novidades anunciadas pelas multinacionais levam, em média, meses para chegar ao país. “Esse tempo correto para chegar ao mercado é um divisor de águas para que a Positivo ganhe escala”, afirmou o executivo. Hoje, a Positivo possui três fábricas no país. A produção de celulares está concentrada na unidade de Curitiba.

Em mais um paralelo com a Xiaomi, a Positivo planeja fortalecer sua oferta em outros países. Desde 2010, a empresa atua no mercado argentino por meio de uma joint venture com a BHG para a produção de PCs e notebooks. No último trimestre, a parceria registrou uma participação de 23% no país, segundo a IDC. Em novembro, a joint venture fechou um contrato com o governo de Ruanda, na África, para o fornecimento de 750 mil laptops educacionais nos próximos cinco anos. “O acordo não está restrito a esses equipamentos. Eles têm interesse em todo um ecossistema que inclui tablets, smartphones e até aparelhos de ar-condicionado. Vamos construir uma marca de respeito na África”, observou Maraschin.

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