Por monica.lima
Publicado 19/03/2015 14:54 | Atualizado 19/03/2015 15:18
"A Internet das Coisas não é uma mudança repentina%2C é uma evolução. O termo é novo%2C mas as pessoas monitoram dispositivos remotamente há um bom tempo"%2C diz TatarinovDivulgação

Atlanta, EUA - Conceitos como computação em nuvem, mobilidade e big data estão no centro de um cenário amplo de mudanças que vêm influenciando profundamente a forma como as pessoas e as empresas trabalham, produzem e interagem. Prestes a completar 40 anos, a Microsoft não está imune a essa transformação. Há 13 anos na companhia, o russo Kirill Tatarinov é o responsável por uma das áreas prioritárias nesse novo momento da empresa: as ofertas para o mercado corporativo, cujo arsenal de softwares, serviços e infraestrutura vêm sendo ampliado de forma acelerada no último ano. Em entrevista ao Brasil Econômico, o vice-presidente global da divisão de soluções de negócios da Microsoft falou sobre a evolução do mercado, o papel da Microsoft nesse contexto e, também, da competição com rivais como Amazon, Google, Oracle e SAP.

Em sua apresentação na abertura do Convergence 2015, você enfatizou temas como a abordagem centrada nas pessoas e a necessidade de “humanizar o corporativo”. Como essas questões estão influenciando o desenvolvimento das tecnologias da Microsoft para o mercado empresarial?

Este ano nós celebramos 40 anos da nossa história e, desde o primeiro dia da nossa existência, focamos em facilidade do uso, em rápida adoção da tecnologia, e o único modo de atingir isto é construir algo intuitivo, que as pessoas possam entender muito rapidamente. E isso é desenvolvido com a simplicidade em mente. Não preciso abrir um menu para começar a usar um sistema. E aplicando isso para o mercado empresarial, o esforço e o investimento que fizemos nos últimos seis anos para estudar o papel dos indivíduos nos negócios, para entender como eles trabalham e o que podemos fazer para torná-los mais produtivos, agora está surtindo efeito na tecnologia. Desenvolvemos, testamos e entregamos tecnologias durante todos esses anos, mas agora alcançamos a escala para soluções de produtividade de vendas, que mostram detalhadamente o que uma pessoa de vendas precisa para ser bem-sucedida. Soluções de marketing para o atendimento ao cliente, e assim por diante.

Esse processo ganhou velocidade quando Satya assumiu o comando da empresa, em fevereiro de 2014?

Satya certamente trouxe um novo nível de energia e uma nova visão. Ele está impulsionando a companhia em torno de uma nova missão, de trabalharmos todos juntos, as lideranças da empresa, para capacitar qualquer pessoa e qualquer organização do planeta para atingir mais. Satya nos levou a definir a estratégia da companhia em torno de três ambições ousadas: reinventar a produtividade e os processos de negócios; entregar a nuvem mais inteligente e completa; e reinventar a computação pessoal. Não o computador pessoal, mas a computação pessoal. Porque ela está se movendo da sua mesa para tudo: vestíveis, celulares, gadgets. É um processo de inovação constante, sem interrupção.

Você considera que a Microsoft precisava mudar naquela época?

Como qualquer companhia, qualquer organismo, a Microsoft vem mudando no decorrer dos anos. Assim como estamos nos transformando, outras companhias e o mercado também estão.

Como essas mudanças no mercado estão impactando os gestores de tecnologia nas empresas?

Acho que em geral tem acontecido um fenômeno que foi batizado de consumerização do mundo corporativo, também chamado de “traga o seu próprio dispositivo” (BYOD, na sigla em inglês). E o BYOD está se expandindo rapidamente para o “traga o seu próprio serviço”. E os departamentos, os profissionais de negócios, agora têm oportunidade de escolher serviços que melhor atendem às suas necessidades, às vezes ultrapassando as áreas de tecnologia que, em alguns casos, não são rápidas o suficiente para alcançar as demandas do negócio. Então, os negócios escolhem se mover no seu próprio ritmo. E eles escolhem soluções que trabalham diretamente na nuvem, sem desenvolvimento interno. Mas, em última análise, para conseguir o sucesso desse desenvolvimento em escala, as empresas precisam assegurar que esses executivos trabalhem juntos. E o executivo moderno de tecnologia precisa ser mais um executivo digital, mais próximo de seus pares em vendas, marketing, atendimento ao cliente, finanças. Essa é a realidade que estamos começando a enxergar hoje em dia.

Nesse cenário, como você enxerga o futuro do sistema de gestão empresarial (ERP, na sigla em inglês)?

O termo ERP está desgastado. O futuro é o que chamamos de conjunto holístico de processos de negócios entregue pela nuvem. E isso incluirá front office, back office, supply chain, manufatura, finanças, e uma gama ampla de processos que rodam os negócios. E é para essa direção que a indústria está seguindo, e é o que os clientes vão querer usar e desenvolver. É uma mudança dos sistemas monolíticos do passado para algo muito mais flexível, com soluções e aplicações que podem ser desenvolvidas na nuvem para uma variedade de dispositivos móveis e para ajudar as pessoas a realizarem seus trabalhos e a participarem dos processos de negócios.

A Internet das Coisas é um dos principais temas hoje no mercado de tecnologia. Como a Microsoft trabalha essa vertente?

A Internet das Coisas não é uma mudança repentina, é uma evolução. O termo é novo, mas as pessoas monitoram dispositivos remotamente há um bom tempo em aplicações como manutenção preditiva de equipamentos. Temos muitas tecnologias que são usadas nesse cenário, que permitem, por exemplo, coletar sinais em um ritmo muito acelerado, de diferentes fontes, trazê-los para dentro de serviços na nuvem e rodar análises de todos esses dados. E então, o sensor passa todas as informações para soluções de negócios, que irão ajudar as pessoas a tomar decisões com base em todo esse volume de dados. Nós anunciamos o pacote Azure IoT, que inclui essa parte analítica, o conceito de aprendizado de máquina e uma série de serviços na nuvem que, juntos, vão permitir construir rapidamente um cenário de Internet das Coisas e com toda esta base conectada ao Microsoft Dynamics (pacote de sistemas empresariais).

Qual o papel do Windows 10 nesse momento da Microsoft?

Vamos tirar vantagens das inovações que estamos construindo dentro do sistema. Além de fatores como a experiência do usuário e da ampla gama de dispositivos — do menor telefone até as maiores telas — , a inovação mais significativa do Windows 10 é o conceito do aplicativo universal. Você pode desenvolver uma única versão de um aplicativo e usá-la em todos esses múltiplos dispositivos. Isso vai realmente mudar o ecossistema pra nós.

Em termos de estratégia e oferta na nuvem, como a Microsoft está procurando se diferenciar dos rivais?

Em primeiro lugar, nossa nuvem é desenhada para o mercado empresarial, com nível corporativo e construída com desempenho e escalabilidade em mente, para desenvolver soluções críticas. Ela tem alcance global. O número contínuo de data centers que estamos inaugurando é incomparável com qualquer outro provedor. E é híbrida. Nossa nuvem é construída sobre o Windows Server (versão do Windows para servidores) e cada pedaço de inovação que acontece na Azure volta para o Windows Server, que está evoluindo para ser uma instância privada do Azure (plataforma de serviços na nuvem da Microsoft). Amazon, Google, nenhum dos concorrentes sob a perspectiva de infraestrutura têm isso. Quando você pega a nuvem, e adiciona uma camada do Office e uma camada de soluções de negócios no topo, não é comparável com mais ninguém. Nem SAP, nem Oracle, nem Salesforce.com, Amazon ou Google. É uma abordagem única.

Quais são as perspectivas para essas ofertas de sistemas empresariais no Brasil? Há algum segmento que você destacaria no país?

Nessa frente, nós entramos no mercado brasileiro depois de grande parte dos nossos competidores. Estamos fazendo investimentos direcionados e tendo bom progresso em setores como o varejo. Nosso compromisso com o Brasil permanece muito forte. Nosso centro de engenharia em São Paulo vem fazendo um bom trabalho, desenvolvendo especificamente adaptações locais para o Dynamics AX e vamos manter esta trilha.

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