Por monica.lima

Shenzhen, China - Os serviços móveis de quarta geração somam hoje 497 milhões de assinantes ao redor do mundo, sendo que 135 milhões de usuários estão na China, onde esta tecnologia foi lançada há apenas 15 meses. A expectativa é de que as teles invistam US$ 1,7 trilhão até 2020 no 4G, mas - mesmo antes dessa etapa terminar - uma nova corrida tecnológica já começou, capitaneada pela LTE Advanced, evolução da quarta geração móvel (LTE).

No mundo, existem hoje 646 operadoras investindo em LTE (Long Term Evolution) e 393 redes já lançadas comercialmente. Desse total de redes já em operação, 64 são do tipo LTE-A ou podem receber upgrade para operar de acordo com esse padrão, uma vez que a infraestrutura das redes tradicionais de quarta geração pode ser aproveitada. Para o usuário final, uma das principais diferenças está na velocidade - até três vezes superior a do 4G. “A tela dos celulares está cada vez maior e com mais definição, o que vai exigir mais e mais das capacidade de rede”, disse Qiu Heng, vice-presidente da Huawei para a área de Redes TDD. Atualmente, o conteúdo em vídeo representa 70% do tráfego de dados na internet, mas a expectativa é de que, à medida que o padrão 4K (ultra-alta definição de imagem) se popularize, este percentual aumente para 90%. O 5G ainda é um projeto de médio prazo mesmo em nível global - as primeiras ofertas comerciais de serviços de quinta geração estão previstas para 2020.

Para muitas operadoras, às voltas com um cronograma de investimentos financeiramente exaustivo, elevar ainda mais os desembolsos soa péssimo. Isso não impediu os serviços LTE-A de avançarem no mundo. De acordo com dados da GSA, associação global de fornecedores para a indústria de telefonia móvel, no início de janeiro, a tecnologia estava disponível em 31 países. Um ano antes, era oferecida comercialmente apenas na Coreia do Sul. Ainda em janeiro, o número de operadoras que informaram investimentos na tecnologia decorrente da evolução do 4G totalizava 107 empresas, em 54 países.

Os fabricantes de equipamentos, por sua vez, argumentam que as redes LTE-A podem auxiliar as teles a aumentarem sua receita e a baixarem custos. Heng, da Huawei, cita uma pesquisa que mostra crescimento de 70% na receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês) e de cinco vezes no volume de dados consumidos mensalmente por assinantes da versão mais avançada da LTE. No Brasil, onde a tecnologia ainda não está disponível, as taxas exponenciais de crescimento no uso dos serviços de dados não foram suficientes para reverter a queda no Arpu das operadoras móveis Vivo, TIM, Claro e Oi entre o quatro trimestre de 2013 e o igual período do ano passado, segundo dados compilados pela consultoria Teleco.

Se o consumidor não está disposto a pagar a conta da evolução tecnológica, como custear investimentos crescentes na modernização das redes? Na verdade, o dilema está longe de ser insolúvel quando se trata de algumas da tecnologias atuais de telefonia móvel. Transmitir um bit numa rede 3G é 95% mais barato do que numa 2G, se forem levados em consideração todos os custos da operadora envolvidos no uso da rede. Na comparação entre 3G e 4G, a queda no custo por bit trafegado pode chegar a 60%, enquanto no LTE-A, alcança redução de 85%. “O consumidor final não está disposto a pagar muito mais para navegar a uma velocidade maior. É por isso que precisamos baixar o custo por bit”, justificou o vice-presidente da Huawei para a área de Redes TDD, em evento com analistas de mercado.

Por conta da redução potencial de custo, outra vertente a ser explorada é o uso da tecnologia LTE-A para fornecer acesso de banda larga em regiões rurais distantes de grandes centros e com baixa densidade populacional. Projeções de mercado indicam que há hoje no mundo 2,88 bilhões de usuários de internet no planeta, mas só 1,13 bilhão se conectam à web por meio de serviços de banda larga. A diferença entre os dois montantes - 1,75 bilhão de internautas - seria alcançada por meio de conexões de banda larga móvel que podem chegar à casa do usuário sem o uso de fibra ótica. A LTE-A funciona como uma alternativa mais barata em relação à fibra em regiões onde levar os cabos é uma opção inviável economicamente. Nas cidades, onde a penetração da fibra tende a ser maior, a vantagem desse tipo de tecnologia sem fio é menor.

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