Por monica.lima

São Paulo - Em uma época em que a mobilidade, a computação em nuvem e tantos outros conceitos tecnológicos estão alimentando uma revolução em negócios tradicionais, os serviços contábeis talvez sejam um dos últimos segmentos que permanecem praticamente imunes a essa transformação. Pouco mais de um ano após chegar ao mercado, a Contabilizei — plataforma on-line de contabilidade para micro e pequenas empresas — acaba de ganhar um novo fôlego para impulsionar essa transição. A start-up curitibana anuncia hoje um aporte da Kaszek Ventures, gestora de capitais com atuação no mercado latino-americano. Sediada no Uruguai e com dois fundos no total de US$ 200 milhões, a Kaszek já investiu em mais de trinta empresas na região.

Essa é a segunda rodada de investimentos recebida pela Contabilizei. Há um ano, a empresa recebeu um aporte do Curitiba Angels. O valor do novo investimento não foi divulgado. Pelos termos do acordo, que envolve a compra de uma participação minoritária, Hernan Kazah — cofundador da Kaszek Ventures e criador do Mercado Livre — passará a integrar o conselho da Contabilizei, ao lado de Vitor Torres e Fábio Bacarin, fundadores da start-up.

“Pelo conhecimento que o fundo tem em gerenciar empresas do zero, pela rede de contatos que possuem e pela experiência de nomes como o Kazah, que com o Mercado Livre ajudou a transformar o segmento de leilões, um setor tão regulado como o mercado contábil, nossa expectativa é impulsionar essa jornada. Estamos acelerando em cinco vezes o nosso plano de negócios em indicadores como receita e crescimento da base de clientes”, diz Torres. Segundo o executivo, entre outros componentes, o que chamou a atenção da Kaszek foi capacidade de execução da Contabilizei e o fato da empresa atuar num mercado de receitas recorrentes, e que há muitos anos não passa por uma mudança significativa.

A Contabilizei fornece todos os serviços de um escritório de contabilidade tradicional. Com uma plataforma baseada em nuvem, a empresa automatiza todos os processos contábeis e oferece, entre outros recursos, o acesso em tempo real e a qualquer momento a relatórios, balanços, situação contábil do cliente e suporte de contadores e especialistas, além de gerar guias de impostos on-line, notas fiscais eletrônicas e enviar alertas sobre datas de vencimentos. O modelo inclui dois planos. Com mensalidade de R$ 49, o primeiro deles é voltado às empresas do Simples Nacional. Já para a categoria de Lucro Presumido, o valor mensal é de R$ 99. “Como a nossa entrega é digital, conseguimos repassar o ganho que temos em redução de custos para o cliente e democratizar o acesso à contabilidade para esse público”, diz.

Um dos motes da empresa para estimular a degustação desse modelo e ganhar escala é um serviço gratuito de abertura de empresas. O micro empresário precisa apenas se cadastrar na plataforma e pagar as taxas obrigatórias nos órgãos competentes. Todos os demais trâmites do processo — que normalmente têm um custo entre R$ 800 e R$ 1 mil - são de responsabilidade da Contabilizei. “Desde dezembro, nosso índice de abertura de empresas cresceu 300%. E a taxa de conversão dos clientes que passam a usar a plataforma é de 100%”, afirma.

Com o aporte, a Contabilizei vai destinar os recursos para três frentes. A primeira delas é a tecnologia, com o desenvolvimento de recursos e serviços para aprimorar sua oferta, bem como a adaptação da plataforma à legislação de cada localidade. O segundo norte é a expansão da operação, hoje disponível em trinta cidades do país. Até o fim do ano, o plano é chegar a 50 municípios. “O que nos guia é o número de prestadores de serviço e de micro empresas nessas cidades. Com essa meta, a ideia é cobrir 70% desse perfil de companhia no país”, diz Torres. A ampliação da equipe fecha esse ciclo de estratégias, especialmente na área de suporte aos clientes. Segundo Torres, cerca de 80% da base hoje é formada por empresas de consultoria, tecnologia e design.

Mais que o aporte, Torres ressalta que um dos principais ganhos do acordo é a possibilidade de ter acesso não apenas aos executivos e à rede de relacionamento da Kaszek, mas também, às outras empresas do portfólio do fundo, como Netshoes, VivaReal, Kekanto e Restorando.com. “Há um diálogo muito aberto e está sendo fantástico trocar experiências com empresas que estão passando por desafios similares ou que já estão em um estágio mais avançado”, afirma.

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