DL vai estrear no mercado de celular com aparelho para idoso

Mais conhecida pela liderança na categoria de tablets, fabricante escolheu investir no segmento de telefones básicos, os feature phones, para consumidores mais velhos e pessoas não familiarizadas com tecnologia

Por O Dia

São Paulo - Única categoria de eletrônicos a registrar um crescimento exponencial e consecutivo nos últimos trimestres — apesar da previsão de queda no segundo trimestre —, os smartphones continuam na ordem do dia no Brasil. Das multinacionais aos representantes nacionais, um amplo leque de fabricantes concentra boa parte de seus esforços no segmento. Esse não é o caso da brasileira DL. Após ganhar notoriedade ao liderar as vendas de tablets no país, a marca prepara agora sua entrada no mercado de telefonia. O caminho escolhido no entanto, chama a atenção: a empresa vai investir inicialmente nos chamados “feature phones”, como são conhecidos os celulares básicos, sem recursos de conexão à internet.

“Hoje, o segmento de telefonia representa em torno de 25% a 30% das vendas no varejo. Não podemos ignorar esses números. Por outro lado, escolhemos começar em uma categoria com menos concorrência, na qual, grande parte dos fabricantes não tem interesse. Vamos testar esse mercado”, diz Francisco Hagmeyer Jr., diretor comercial e de marketing da DL.

Hoje, os feature phones representam pouco mais de 45% da base instalada de celulares no país, segundo a IDC. Entretanto, a desaceleração nas vendas desses aparelhos vem se acentuando. Em 2014, foram vendidas 15,8 milhões de unidades, queda de 51% na comparação com 2013. “O fato de as vendas estarem caindo não significa que não há uma demanda considerável por esse tipo de celular. Existe uma parcela de usuários que não tem tanto apego à tecnologia, mas que precisa de um aparelho e não está sendo atendida”, observa. “Nossa previsão é de que os celulares representem 5% das nossas vendas até o fim do ano”, afirma o executivo, que preferiu não comentar se a DL tem planos para investir em smartphones.

Segundo Hagmeyer Jr., a estratégia da DL foi baseada em pesquisas de campo e o retorno de varejistas teve um peso importante na escolha. Na avaliação desses parceiros, diz o executivo, há um bom potencial de vendas, em especial, junto aos consumidores de faixas etárias mais avançadas.

Para atender a esse perfil, a DL lança no início de agosto dois modelos, que serão vendidos por R$ 149,90 e R$ 179,90. Entre outros recursos, eles possuem câmera digital, gravador de vídeo, dual chip e memória expansível de até 32 GB. A companhia apostou também em teclas maiores, em um design especificamente pensado para usuários idosos. Outra função específica é um botão de pânico. Ele permite que o aparelho envie mensagens e faça ligações em viva voz para até cinco números pré-cadastrados, no caso de qualquer problema.

A estratégia estará concentrada no varejo. A ideia da companhia é aproveitar as parcerias que conseguiu construir para a venda de seus tablets. Hoje, essa rede inclui cerca de cinco mil pontos de venda, além dos acordos com os principais canais de comércio eletrônico. Os modelos, por sua vez, serão produzidos na fábrica da companhia, instalada em Santa Rita do Sapucaí (MG). Hagmeyer Jr. não revelou o investimento realizado na nova linha de produção, mas informou que o projeto demandou a contratação de 150 profissionais.

O executivo diz que a entrada em celulares integra o plano para diversificar o portfólio e reduzir a dependência dos tablets, segmento que registrou um recuo nas vendas de 20% no primeiro trimestre, segundo a IDC. “Não vamos abandonar os tablets, que são o nosso carro-chefe, mas vamos buscar outros horizontes. O mercado de telefonia tem projeção de longo prazo, e por mais que tenha alguma redução, é muito maior que o de tablets. Para esse ano, a previsão é de mais de 50 milhões de unidades, enquanto em tablets, estamos falando de nove milhões”, diz. Em linha com o restante do mercado, ele disse que a DL registrou uma retração de 15% a 20% nas vendas de tablets no semestre.

A entrada no mercado corporativo é um dos planos da DL para reverter a tendência de queda no mercado de tablets. Nessa frente, a fabricante já está realizando alguns pilotos em parceria com empresas como a Microsoft e a Intel, em aplicações de automação para o controle de grandes linhas de produção.

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