Telefônica Vivo lança plataforma para Internet das Coisas

Objetivo é atrair clientes corporativos interessados em replicar suas aplicações globais no Brasil

Por O Dia

São Paulo - Entre as ondas mais recentes no mundo da tecnologia, a Internet das Coisas é um dos mercados de maior potencial. Dos carros às geladeiras, dos medidores de energia às empilhadeiras, a infinidade de aplicações possíveis por meio da chamada comunicação entre máquinas (M2M, na sigla em inglês) é um dos ganchos que sustentam essa visão. De olho nesse novo e diferente burburinho digital, a Telefônica Vivo lança hoje oficialmente uma plataforma de Internet das Coisas no Brasil, com foco específico em projetos de escala global. Batizada de Vivo M2M Control Center, a solução complementa a oferta local, que já incluía a Smart Center Vivo, mais voltada às aplicações restritas ao mercado nacional.

“A Telefônica Vivo tem uma estratégia muito forte para se consolidar como uma telco digital e a Internet das Coisas é um dos pilares fundamentais dessa transformação. Ainda não temos a liderança nesse segmento, mas o objetivo é alcançar o topo ainda neste ano”, diz Silvio Antunes, vice-presidente executivo empresarial da Telefônica Vivo, em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico. “A ideia é permitir que o cliente — seja ele uma montadora, uma empresa de energia, de saúde, de distribuição de conteúdo, enfim, de qualquer segmento — possa desenvolver, customizar e gerenciar suas aplicações, de forma personalizada, e no volume e local de sua escolha”, afirma.

O mote principal da nova plataforma é o fato dela incluir SIM Cards globais, ou seja, as configurações dos chips de um projeto mundial de M2M de um determinado cliente são automaticamente migradas para as configurações e regulamentações do mercado brasileiro. Uma montadora europeia, por exemplo, que possui veículos com SIM Cards de qualquer outra operação da Telefônica no mundo instalados em seus veículos, pode exportar esses automóveis para o Brasil e rapidamente adaptar o projeto para o país, com o mesmo nível de gestão, configuração e controle que possui nesses outros mercados. Segundo Antunes, o preço do pacote e da conectividade é o mesmo de um pacote local. As únicas variações estão relacionadas à complexidade do projeto e da versão do chip envolvida na aplicação em questão.

A nova plataforma é fruto de uma parceria com a empresa americana Jasper e chega ao Brasil quatro anos após ser lançada em outras operações da Telefônica na Europa. Além da localização da oferta, esse atraso em relação a outros mercados, diz Antunes, aconteceu em função de questões contratuais que impediam a Jasper de fechar parcerias no país. Em 2013, a companhia anunciou um acordo com a Claro — líder do mercado brasileiro de M2M — para oferecer serviços desse porte no Brasil. “Hoje, a Espanha e a Alemanha são as operações da Telefônica com maior maturidade na oferta de M2M, mas o Brasil já é o país que mais gera receitas neste segmento dentro do grupo”, diz.

O plano para ganhar escala na nova oferta é justamente explorar a base de clientes globais que já desenvolvem projetos com a tele em outros países. “Vamos usar esse relacionamento para atrair clientes da base que possuem interesse em replicar seus projetos no Brasil. Já temos uma demanda reprimida para atender”, explica. “Ao mesmo tempo, vamos investir na divulgação e na participação em eventos setoriais para buscar executivos de tecnologia brasileiros que são responsáveis por projetos de suas empresas na América Latina”, afirma.

Antunes ressalta o segmento automotivo como um dos mais promissores. Segundo o executivo, a operadora já mantém conversações com montadoras para projetos locais. “Temos pelo menos duas montadoras com projetos para 2016 e que serão lançados de forma massiva, não apenas com modelos top de linha. Elas querem e precisam ter serviços com receita recorrente e esse conceito abre uma oportunidade enorme para novas ofertas nessa direção”, diz.

Antunes cita ainda utilities (serviços de utilidade pública), segurança, saúde e governo como mercados de boas perspectivas no país. Essa última frente envolve projetos de cidades inteligentes, como as licitações referentes à iluminação pública, que passaram recentemente a ser de responsabilidade dos municípios. Em São Paulo, o processo inclui cerca de 600 mil luminárias conectadas. “Ainda não definimos o modelo, mas o plano é participar desses processos, seja por meio de um consórcio ou como provedores de serviço”, diz. A estratégia inclui ainda a busca por parcerias com desenvolvedores de aplicações que possam ser integradas às plataformas de M2M. A tele investiu em acordos com instituições como o Instituto Mauá de Tecnologia, a Escola Politécnica da USP e o Centro Universitário FEI, além de abrir espaço para as aplicações desenvolvidas na Wayra, sua aceleradora de start-ups.

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