A Xerox pisa fundo

O que você faz quando o seu mercado começa a ficar saturado e a concorrência não para de morder seu pé?

Por O Dia

Acomodar-se, jamais. Adaptar-se é a única saída. É o que mostra a Xerox, por exemplo. Para a grande maioria dos mortais, a empresa mantém a aura de fabricante de copiadoras — o que, de fato, ela ainda é. Ainda, mas cada vez menos. Um de seus principais objetivos, agora, é ajudar os clientes na difícil administração de documentos, ou seja, toda aquela papelada que os negócios e a burocracia tradicional obrigam você a guardar por anos e anos a fio.

Como a tendência da humanidade é a virtualização geral, a digitalização e o armazenamento de milhões de documentos são duas tarefas de futuro. E a Xerox já se propõe como parceira das empresas para tocar essa tarefa, de olho num mercado que movimenta US$ 900 milhões na América Latina e 35 bilhões de páginas.

Essa migração não deixa de ser curiosa porque, durante décadas, a Xerox ajudou a produzir toneladas de papel mundo afora e fez muita grana com isso. Como se sabe, mostrou-se furada a promessa de que, um dia, trabalharíamos em escritórios livres de documentos, manuais e outras tantas cositas impressas. Quanto a isso, diz Rodrigo Belluco, executivo da Xerox, ainda vamos levar umas três gerações para nos livrar das montanhas de papel.

Foi aí que a Xerox resolveu abrir horizontes. Já que ter papel é inevitável, ela se assumiu como uma empresa que domina de ponta a ponta o processo de produção de documentos. É essa adaptação aos novos tempos de que estava falando. Em vez de ‘apenas’ vender uma máquina copiadora e faturar com o consumo de toner e manutenção, como outros concorrentes continuam a fazer, a Xerox investiu em algo além. Percebeu que pode controlar os gastos de quem usa papel, racionalizando o seu uso. É uma espécie de catequese, em que o cliente, claro, aprende a rezar do seu jeito.

Detalhe que faz toda a diferença: a Xerox ajuda você a economizar numa ponta, mas fatura administrando os processos de produção, digitalização e armazenamento dos documentos, tudo devidamente integrado ao parque da empresa (seja ou não da Xerox). O negócio é imprimir quando necessário e não imprimir quando o melhor a fazer é armazenar digitalmente.

Outro ponto não menos importante dessa estratégia é ver que, mesmo saindo do seu passo tradicional, a Xerox não abandona seu maior talento, que é a criação de tecnologia. Para quem não sabe, foi nos laboratórios da empresa que surgiu, lá pelos anos 60, uma peça revolucionária e quase indispensável ainda hoje: o mouse. Mas aí é outra história.

Me dá um dinheiro aí

Repousa aqui na cabeceira, entre outros, descansa “The death and life of American journalism — The media revolution that will begin the world again” (Ed Nation Books, US$ 12,25 na Amazon). Boa sugestão para quem gosta de acompanhar o mundão da mídia. Claro que se concentra no mercado dos EUA, mas a gente sempre aprende algo. Ou não. Os autores (Robert McChesney e John Nichols) pregam que a existência da imprensa é fundamental para a manutenção da democracia. Até aí, tudo bem. Só que as empresas jornalísticas, em todo o mundo, andam brigando muito com a internet — tida e havida como a vilã-mor dos grupos de mídia. 

Por isso, Robert e John sugerem, nada menos, que a atividade jornalística dos EUA seja subsidiada. Por quem? Pelo governo, claro. Afinal, dizem eles, um governo que gasta (ou investe?) US$ 1 trilhão no setor militar por ano certamente não sentiria falta de uns US$ 35 bilhões anuais para manter viva a atividade jornalística do país. 

Essa é a cifra estimada por Robert e John para esse (nosso) mercado. Pelos dados que apresentam, estão bem fundamentados. E lembram, ainda, que o governo americano já fez algo semelhante — muito embora há uns 160 anos. Naquela época, o subsídio foi fundamental para que o cidadão tivesse uma imprensa atuante. Dizem eles que essa foi uma contribuição revolucionária para a democracia e para a história do mundo.

(Lembremos que o discurso americano sobre a democracia, a gente sabe, pode ser facilmente desinterpretado como um sinal verde para intervenção militar, mas essa é outra história). Enfim, será que daria certo?

De olho no lance

Fotógrafos, uni-vos: o Paraty em Foco inicia a seleção dos trabalhos que serão apresentados durante o evento, entre 24 e 28 de setembro. A Nikon presenteará o preferido do júri com uma DSLR Nikon Df e uma lente de Edição Especial AF-S NIKKOR 50mm f/1.8G. Os interessados devem se inscrever no site paratyemfoco.com.br até o dia 15 de agosto.

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