Por douglas.nunes

Entre elefantes que se equilibram em pernas finíssimas e quebradiças, borboletas coloridas e tigres amarelos, as obras de Salvador Dalí viraram ícones do surrealismo. Comemorando 110 anos de nascimento do artista espanhol, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio recebe a partir desta sexta-feira algumas de suas mais famosas obras para compor a maior retrospectiva de Dalí no Brasil.

Como principal exposição do CCBB deste ano, com custo de R$ 9 milhões, “Salvador Dalí” é formada por 150 peças — 29 pinturas, 80 desenhos e gravuras, além de documentos, fotografias e uma instalação — vindas das principais instituições colecionadoras do artista, a Fundação Gala-Salvador Dalí, criada pelo próprio artista em Figueres, sua cidade natal, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, e o Museu Salvador Dalí, na Flórida. Reunidas, as obras têm valor estimado em US$ 170 milhões, o equivalente a quase R$ 400 milhões. Com curadoria de Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Salvador Dalí, a exposição apresenta a produção do artista desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, um recorte que mostra sua evolução, não só técnica, mas também de influências e simbolismos. “É uma retrospectiva que dá destaque ao surrealismo, mas também traz outros períodos dele. Queríamos que as pessoas conhecessem a obra completa de Dalí. Por isso, também trazemos os primeiros e um dos últimos quadros que ele pinta”, afirma Montse. A mostra fica em cartaz no Rio até 22 de setembro, quando segue para o Instituo Tomie Ohtake,em São Paulo.

Exposição "Salvador Dali" é formada por 150 peçasMaíra Coelho/Agência O Dia

A mostra “Salvador Dalí” ocupa mil metros quadrados do primeiro andar do CCBB. Para retratar o período de sua formação como pintor estão expostas “Retrato del Padre y Casa de Es Llaner”, de 1920, e o “Autorretrato Cubista”, de 1923. Já a fase surrealista, que deu fama mundial ao catalão, está expressa em telas que apresentam seu método crítico de interpretação da realidade, com obras muito significativas como “El Sentimiento de Velocidad” (1931), “Monumento Imperial a la Mujer-niña” (1929), “Figura y Drapeado en un Paisaje” (1935) e “Paisaje Pagano Medio” (1937).

Apesar da variedade de peças, a exposição não mostra “A Persistência da Memória”, de 1931, uma das mais famosas pinturas de Dalí, em que imagens de relógios parecem derreter. Ainda assim, há muitos outros importantes trabalhos, como “Monumento Imperial a la Mujer-niña”, seu primeiro quadro surrealista e “Figuras Tumbadas em la Arena”, de 1926, ano em que Dalí conhece Picasso e expressa a influência do cubista em suas pinturas.

A mostra ainda expõe a produção de Dalí em linguagens diferentes da pintura. Em meio aos quadros e gravuras, há a exibição dos filmes “O Cão Andaluz”, “A Idade do Ouro”, dirigidos em parceira com Luís Buñel, e “Quando Fala o Coração”, de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista. Outros importantes trabalhos expostos na mostra brasileira são suas ilustrações para a literatura. O conjunto conta com os desenhos do livro “Cantos de Maldoror” (1869), que inspirou muitos artistas do período tanto por seu tema quanto por sua descrição de um mundo onírico, tornando o seu autor, Isidore Ducasse, um dos precursores do surrealismo. Há ainda ilustrações feitas para os clássicos “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes, ”Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol e “Fausto”, de Goethe

“As peças remontam um Dalí escritor através de suas ilustrações. Em ‘Dom Quixote’ vemos um artista que inova ao fazer referência ao expressionismo abstrato americano. Nas gravuras de Fausto, ele nos mostra sua atração pelo personagem e por sua busca pela imortalidade. Já nas ilustrações do clássico de Carrol, ele apresenta detalhes de sua imaginação transbordante”, explica a curadora.

Istituto Europeo di Design traz ao Rio mostra de mestres do design italiano

Emoldurado pelo imponente prédio do antigo Cassino da Urca, o Istituto Europeo di Design chega ao Rio. O espaço que também já foi sede dos estúdios do canal 6 da TV Tupi, foi todo restaurado para abrigar a rede internacional de escolas de design, que ainda atua nos campos da moda, artes visuais e comunicação. Para marcar a inauguração da nova sede, a mostra “Protagonistas do Design Italiano” expõe mais de 100 peças da coleção de móveis e luminárias da italiana Fondazione Sartirana Arte. Com curadoria de Giorgio Forni, presidente da Fondazione, a exposição faz uma homenagem especial a Giotto Stoppino, um dos mais importantes designers italianos, falecido em 2011. Ícone do “dressing home design” dos anos 1960 e 1970, Stoppino é o criador de 21 obras que compõem a exposição, sendo três delas suas peças emblemáticas: as cadeiras “Alessia” e “Maia” e o sofá “Cavour”. “Protagonistas do Design Italiano” ainda coloca em destaque a produção da região da Lombardia, de que participaram arquitetos e pesquisadores criativos, e a da Toscana, com escultores que fizeram móveis e diluiram as fronteiras entre arte e design. Além de Stoppino, estão em exibição Gancarlo Zompi, Marco Lodola, Marcelo Pirro, Vico Magistretti e Philippe Starck.

Exposição reúne fotos inéditas de Luiz Braga, em SP

A mostra“Retumbante Natureza Humanizada”, em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo, exibe 160 fotografias inéditas do paraense Luiz Braga. Com curadoria de Diógenes Moura, a exposição privilegia a produção do artista em preto e branco, com imagens realizadas entre 1976 e 2014, principalmente, em Belém e na Ilha do Marajó. Segundo o fotógrafo, o objetivo é tratar “da alegria e do afeto que resistem em lugares como a Ilha de Marajó”, local com que Braga nutre forte identificação.

O curador chama atenção para os contrastes entre a paisagem humana e a da arquitetura, entrelaçados na obra do paraense. “O Marajó profundo, o lugar onde as árvores falam, onde famílias inteiras descansam nas cadeiras e até em pequenos sofás, nas portas das casas, diante do luar, como se estivessem no cinema vendo a vida passar em technicolor”, comenta.

A exposição termina com a exibição do vídeo inédito filmado nas regiões retratadas por Braga, “O Sem Nome e o Nada”. Inspirado em sua obra, o filme foi idealizado pelo curador e realizado pelo coletivo paraense Cêsbixo. A mostra fica em cartaz até 3 de agosto.

’Elena’ estreia em DVD e em Nova York

Neste domingo, às 16h, o Instituto Moreira Salles do Rio lança em DVD o filme “Elena”, de Petra Costa. Assistido por mais de 60 mil pessoas em 2013, foi a maior bilheteria para documentário no ano. O filme estreia no circuito comercial em Nova York, semana que vem.

Casa Daros reúne obras de Kuitca e Berliner

Integrando a temporada dedicada à pintura na Casa Daros, a exposição “Guillermo Kuitca + Eduardo Berliner — Pinturas” entra em cartaz a partir de amanhã. Com curadoria de Hans-Michael Herzog, a mostra reúne cem obras, entre pinturas e desenhos, dos dois artistas.

 Nova edição de ‘Os Maias’ nas livrarias

Principal obra de Eça de Queirós e um marco da literatura portuguesa, “Os Maias” chega às livrarias em nova edição comentada e ilustrada. Com apresentação de Mônica Figueiredo, o livro ainda conta uma série de notas, cronologia e ilustrações inéditas.

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