Festival Panorama traça cenário da dança contemporânea

Na 23ª edição, o evento traz ao Rio de Janeiro, até o dia 16 de novembro, nove companhias estrangeiras e oito brasileiras, que apresentam linguagens diversas que se destacam na cena mundial

Por O Dia

“Danse Étoffée sur Musique Déguisée”%2C de Thomas Hauert%2C da companhia Belga ZOO se apresenta no festivalFilip Vanzieleghem/Divulgação

A partir dos passos vigorosos do tango, os sete bailarinos que compõem a Compañia de Danza Periférico, do Uruguai, misturam a sensualidade do estilo com elementos da dança contemporânea, numa pesquisa sobre o corpo, movimento, espacialidade e relações.

A apresentação “Vacío: Solo Podemos Mirar los Ojos de Una Persona a la Vez”, de Federica Folco, conduz a festa “A Milonga Periférica”, que acontece a partir das 20h30, no Parque Lage, como parte da programação do Festival Panorama. Em sua 23ª edição, o festival traz ao Rio de Janeiro, até o dia 16 de novembro, nove companhias estrangeiras e oito brasileiras, que apresentam linguagens diversas que se destacam hoje na cena contemporânea mundial. Consolidado como o evento de artes do corpo, dança e performance de maior prestígio no Brasil e um dos mais importantes da América Latina, o Panorama este ano aponta a sua linha curatorial para os movimentos festivos que se estabelecem como instrumentos sociais de posicionamento e expressão.

“Procuramos trazer como questão central desta edição o que significa fazer festa. O Brasil é muito famoso pelas suas festas, somos o país do Carnaval, mas é importante discutir o papel político da dança e dessas festividades. Para isso, selecionamos apresentações de companhias de dança que discutem essa temática”, explica a curadora e diretora geral do festival Nayse López.

Envolvido pela temática da “festa como ato político”, o Panorama ocupará, além de palcos tradicionais — como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro — espaços não teatrais, trazendo também para a discussão a relação entre o corpo e a cidade. Dessa forma, as performances, intervenções urbanas, seminários, oficinas e conferências que compõem o festival serão apresentados também no Teatro Municipal Carlos Gomes, Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Centro de Artes da Maré, Oi Futuro Flamengo, Largo do Machado, Biblioteca Parque Estadual, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Cidade das Artes e Espaço Tom Jobim.

“Coletando as urgências dos artistas contemporâneos pelo mundo, o Panorama se dá conta de como é latente, e não só no Brasil, essa vontade de sublinhar festivamente a importância de estar junto e assumir o desejo de 'fazer coisas' que permitam a identificação desse querer, de liberdades e diferenças. O Panorama 2014 se apresenta como uma janela para esses estares festivos, políticos e sociais”, explica a também curadora do festival, Catarina Saraiva.

Entre os destaques da programação, a performance "Singspiele”, da companhia francesa Maguy Marin, que acontece amanhã, às 19h, no Teatro Municipal Carlos Gomes,e trata do comportamento humano e da necessidade que cada um tem de ser único. Em cena, o bailarino David Mambouch desfila tipos masculinos e femininos, mudando de identidade literalmente como se muda de roupa, assumindo várias pessoas no corpo de um só homem.

Também no Teatro Municipal Carlos Gomes, o espetáculo “Danse Étoffée sur Musique Déguisée”, da companhia Belga ZOO, mostra sua primeira peça voltada ao público infantil na próxima sexta, dia 14, às 10h. Idealizada pelo coreógrafo suíço Thomas Hauert, a peça tem como trilha sonora a música minimalista de John Cage para contar a história de um personagem bizarro que vai se transformando até ser reconhecido como ser humano.

Para encerrar do festival, no dia 16, serão apresentados três espetáculos na Cidade das Artes. Produzidos por três coreógrafos cariocas: “Suave”, de Alice Ripoll, “Gueto”, de Sonia Destri Lie, e “Sob Rodas”, de Renato Cruz, os trabalhos retratam diferentes movimentos nascidos na zona Norte do Rio.

SP_Urban Digital Festival começa hoje em Sampa

A cada nova tecnologia que surge, a arte digital se reinventa. Para captar esse ritmo agitado, a 3ª edição do SP_Urban Digital Festival, que tem início hoje, traz obras digitais ao Sesi, à Av. Paulista, e a Alameda das Flores, para discutir o pós imagem. Com curadoria de Marília Pasculli e Tanya Toft, o maior festival de obras digitais do Brasil conta ainda consultoria de Mike Sttubs, da britânica Foundation for Art and Creative Technology (FACT).

Para levantar a discussão sobre os futuros passos da produção artística digital, oito importantes nomes da arte digital mundial produziram peças interativas especialmente para a mostra paulistana. Entre elas, “G-Frame”, do estúdio alemão The Constitute. A partir de uma moldura, a obra possibilita que os transeuntes possam utilizar as mãos para arte digital: as ferramentas de pintura são os dedos, palmas das mãos e gestos.

Já em “C-240”, do venezuelano Yucef Merhi, um dispositivo experimental e raro criado na década de 1970, o Atari Video Music, é projetado na fachada do Sesi. Os participantes poderão alterar o padrão das projeções por meio do microfone conectado a um visualizador de imagens analógico. A obra ainda possibilita a função audio-reativa da fachada de acordo com a trilha de grupos musicais e DJs em tempo real.

ONDE ASSISTIR

Prédio da FIESP/ SESI-SP, que fica na Av. Paulista, 1313.
Já a Alameda das Flores fica entre Av. Paulista e a Rua São Carlos do Pinhal.

Cinemateca do MAM recebe a mostra inédita ‘Cinedesign’, no Rio

Está em cartaz, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM-RJ), a mostra inédita “Cinedesign”, que integra cinema e design, conforme o nome sugere. Até o dia 4 de dezembro, serão exibidos 15 filmes, às quintas-feiras.

A cada dia, três produções diferentes serão projetadas, com sessões às 14h, 16h e 18h. Após a última sessão de cada dia, será realizado um debate sobre uma das obras exibidas. A escolha do MAM foi influenciada pela forte relação do museu com o design.

Produzido por Gabriel Patrocínio e Daniel Kraichete, o evento tem como proposta trazer ao Brasil filmes pouco conhecidos pelo público. Dois deles, inclusive, serão exibidos pela primeira vez na América do Sul, como os norte-americanos “Design Is One: The Vignellis”, dirigido por Kathy Brew e Roberto Guerra, e “Sign Painters”, de Faythe Levine e Sam Macon.

O ingresso custará R$25 por dia, para as três sessões, ou R$10, para cada sessão. A programação completa pode ser conferida em www.cinedesign.com.br.

NOTAS

Tulipa Ruiz nos 25 anos do CCBB Rio

Hoje, para comemorar o aniversário de 25º aniversário do CCBB do Rio, uma programação especial foi montada. Além da festa “Sopa”, um show da cantora Tulipa Ruiz acontece no estacionamento do local. As senhas serão distribuídas a partir das 20h.

Rocco relança obras de Patrick Modiano

A partir de dezembro, as edições “Ronda da Noite”, “Uma Rua de Roma” e “Dora Bruder”, de Patrick Modiano, serão relançadas com novo projeto gráfico pela editora Rocco. Os livros fazem parte do conjunto de obras que conquistou o Prêmio Nobel de Literatura de 2014.

‘Saudade de Mim’ estreia hoje, no Rio

A companhia Focus, de Alex Neoral, promove, hoje, a estreia de “Saudade de Mim”, peça que integra as obras de Chico Buarque e Cândido Portinari através da dança. O grupo se apresenta no Espaço Sesc, às 20h30, de quinta a sábado, e às 19h, nos domingos.

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