Por monica.lima
Baseado no romance “El Salmo de Kaplan”%2C de Marco Schwartz%2C o enredo conta a história de Kaplan%2C um judeu entediado com sua despretensiosa existênciaDivulgação

‘Eu fiz algo de memorável?”, questiona Jacobo Kaplan, um senhor de 76 anos, a ele mesmo enquanto reflete sobre sua vida na ociosidade da velhice. O surpreendente personagem dá nome ao segundo longa-metragem do diretor Álvaro Brechner, considerado a promessa do cinema uruguaio. Filmado em coprodução entre Uruguai, Alemanha e Espanha, o filme foi a indicação uruguaia para o Oscar de 2015.

Baseado no romance “El Salmo de Kaplan”, de Marco Schwartz, o enredo conta a história de Kaplan, um judeu entediado com sua despretensiosa existência. Em meio a uma busca sobre ele mesmo e memórias de sua chegada ao Uruguai, fugido da 2ª Guerra Mundial, ele mergulha em uma missão que o tira da mesmice: desmascarar um ex-nazista que vive em uma pequena praia vizinha.

Com elenco atores consagrados do cinema latino-americano, como Néstor Guzzini — protagonista do filme “Tanta Água”, vencedor do Festival de Berlim em 2012 — e o consagrado Hector Noguera, o filme chega aos cinemas do Rio e São Paulo nesse final de semana.

Além da indicação para o Oscar e boa recepção de público e crítica no Uruguai, “Sr. Kaplan” participou da seleção oficial do Festival de Chicago em 2014. No mesmo ano também foi premiado no Festival de Cinema Latino de Huelva, na categoria Melhor Roteiro.

“Quando olhamos para trás e nos damos conta da aventura quixotesca que é realizar um filme hoje em dia, temos consciência de que a verdadeira satisfação é colocar em prática o filme que sonhamos. Não há maior prêmio que essa conquista”, garante o diretor Álvaro Brechner, que lançou seu primeiro longa “Mau Dia para Pescar”, em 2009. O filme foi selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes e para mais de 60 festivais internacionais.

Lançado em 2014, “Sr. Kaplan” já está com distribuição na Espanha, Alemanha, Áustria, Grécia, Suíça e Israel. Seu enredo ganha fôlego quando Kaplan, interpretado por Noguera, ouve de seu médico que não poderá mais dirigir, e seus filhos contratam Wilson Contreras, vivido por Guzzini, para ser seu motorista. Os dois começam então uma jornada de situações cômicas em meio a muito calor e perseguições intensas.

“Tenho uma atração especial por personagens cujos anseios de aventuras épicas se opõem às circunstâncias absurdas da realidade. Homens que usam sua imaginação como ferramenta para sobreviver a sua maçante vida cotidiana e, ao conseguirem, encontram uma maneira de vingar a morte e o esquecimento”, afirma Brechner.

Tratando questões existenciais com leveza característica, e pouco explorada pelo cinema latino-americano, Brechner consegue colocar em discussão, através do humor, a relação entre fantasia e realidade. “Acredito que o humor tem enorme capacidade crítica e muitas vezes atua como mecanismo para suportar situações mais difíceis da vida. Fantasia e imaginação são inseparáveis da realidade. Somos o que somos, mas também o que acreditamos que somos”, reflete.

Acrescentando que a riqueza do filme está nas diversas emoções que ele proporciona. “Espero que ao saírem do sessão, as pessoas tenham vivido uma experiência única e completa. Em uma das projeções do festival de Chicago um senhor me disse: ‘obrigada por essas duas horas de vida’. É o melhor que um diretor pode escutar”. Por Mariana Pitasse ([email protected])

ONDE ASSISTIR

”Sr. Kaplan” e “A História da Eternidade” estão em cartaz nas salas do Rio e São Paulo.

Hilda Hilst, por ela mesma, no projeto Ocupação do Itaú Cultural, em São Paulo

Conhecida por sua extensa produção literária, a escritora Hilda Hilst é a homenageada da vez do projeto Ocupação do Itaú Cultural. A partir de amanhã, até 21 de abril — data de nascimento da autora —, trechos de seus diários, descrições de sonhos, desenhos, anotações cotidianas, e depoimentos registrados em vídeo e áudio revelam o seu processo de criação e seu cotidiano.

“A exposição é a Hilda Hilst. Espero que o público possa perceber que a mostra é a obra dela, explicada por ela mesma”, afirma o gerente de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural e um dos responsáveis pela montagem e curadoria da exposição, Claudiney Ferreira.

Com a preocupação de apresentar o rastro de Hilda na produção de algumas de suas principais criações, a exposição se baseia nas obras “Kadosh”, “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão” , “A Obscena senhora D.” e “Com Meus Olhos de Cão”. Complementa a mostra “O Caderno Rosa de Lori Lamby” revisado e comentado pela autora.

Muito do material da mostra é exibido pela primeira vez, após extensas pesquisas realizadas no Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae/Unicamp) e na Casa do Sol, em Campinas, construída por ela e onde viveu e recebeu amigos e intelectuais por 35 anos, até sua morte. Na Cedae está a maior parte do acervo da escritora, vendido por ela própria na década de 90, e meticulosamente organizado em grupos e subgrupos que somam 3.257 manuscritos, 1.321 impressos, 246 fotografias e 150 desenhos.

“Percebemos em contato com sua obra que antes de escrever o livro ela pensava muito, não fazia nada intuitivamente, escrevia sobre o que ele seria, lia referências, escrevia textos sobre os autores. Outra característica que permeia sua obra são relatos dos sonhos, que ela sempre documentava e usava nos seus textos”, disse o curador.

Além da mostra, a Ocupação Hilda Hilst também engloba outras atividades. Amanhã, às 19h, será encenada a peça “A Obscena Senhora D”, na Sala Itaú Cultural. Em seguida, às 21h, a homenagem continua no Auditório Ibirapuera, com apresentação inédita de Zeca Baleiro, que interpreta poemas de “Júbilo, Memória Noviciado da Paixão”, musicados por ele, a pedido da própria escritora. O trabalho ficou conhecido em 2005, com as músicas gravadaspor Zelia Duncan e Maria Bethânia.

Pernambuco segue produzindo o melhor do cinema brasileiro

Depois de uma espera de quase 13 anos, entre a concepção, as negativas em editais, a estreia no Festival Internacional de Roterdam e mais de uma dezena de prêmios apenas em 2014, chega aos cinemas neste fim de semana “A História da Eternidade”, primeiro longa do diretor pernambucano Camilo Cavalcante.

Na pré-estreia carioca, o realizador chamou a atenção para a coincidência entre o momento atual e o enredo, ambientado no nordeste árido, em que as relações humanas de personagens machucados pelo tempo e pelo espaço são irrigadas por uma chuva torrencial. “Esse filme estreia numa época de grave falta d’água e se propõe a tocar as pessoas”, compara Cavalcante.

No elenco, nem mesmo a atual sensação do cinema brasileiro, o ator Irandhir Santos, ofusca as interpretações muito bem acertadas de Claudio Jaborandy e Leonardo França e do trio feminino composto por Zezita Matos, Marcélia Cartaxo e Debora Ingrid. As três atrizes pertencem a cada uma das três tramas e confluem no final do longa para um belíssimo encontro de gerações.

Mas é Irandhir quem protagoniza as duas cenas mais emocionantes do filme: na primeira, ele oferece ao espectador e ao seu vilarejo a mais visceral e justa leitura da canção “Fala”, dos Secos & Molhados. Na segunda, seu personagem, um ator-sonhador, leva, ao seu modo, a sobrinha para conhecer o mar.

O filme é dedicado a Dominguinhos, que morreu em 2013 e assinou a trilha sonora com Zbigniew Preisner. Por Eduardo Miranda

NOTAS

Mostra sobre Mafalda ganha mais dias em SP

Após receber mais de 150 mil visitantes, a exposição "O Mundo Segundo Mafalda" ganhará mais dias de visitação. Com data de encerramento marcada para o dia 28/02, a mostra agora ficará em cartaz até o dia 15/03 na Praça das Artes, em São Paulo.

OSB abre temporada e celebra 450 anos do Rio

O concerto de estreia da temporada 2015 da Orquestra Sinfônica Brasileira, regido por Roberto Minczuk, celebra 450 anos do Rio. As apresentações acontecem nos dias 07, às 16h, e 08, às 18h, na Cidade das Artes. Ingressos à venda no ingressorápido.com

Cinema da Georgia em cartaz no CCBB do Rio

A partir do dia 04, a Mostra de Cinema da Georgia estreia no CCBB do Rio. Composta por cinco filmes marcantes do país, a mostra ainda apresenta debate sobre sua cinematografia com o Embaixador Otar Berdzenisvhili e Ekaterine Rekhviashili, no dia 05.

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