Ópera 'Renaud' estreia na América Latina

Obra do italiano Antonio Sacchini entra em cartaz na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro

Por O Dia

Luisa Francesconi é uma das protagonistas da ópera RenaudDivulgação

Em meio às batalhas travadas durante as Cruzadas europeias às terras orientais, a princesa síria Armide se apaixona pelo cavaleiro Renaud e, para ser correspondida, enfeitiça seu amado. No entanto, a magia não dura muito tempo e o cavaleiro retorna à sua missão. Abandonada, Armide é consumida pela fúria e pelo desespero. Apresentada pela primeira vez em 1783, a ópera “Renaud”, escrita pelo italiano Antonio Sacchini, entra em cartaz na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, em sua estreia na América Latina. Com libreto assinado por Jean-Joseph Le Boeuf e Nicolas-Etienne Framery, o espetáculo abre a série “Ópera na Sala” em 2015, com apresentações amanhã, às 20h, e domingo, às 17h. Para a montagem brasileira, que tem direção cênica de André Heller-Lopes, sobem ao palco Luisa Francesconi e Geilson Santos, nos papéis de Armide e Renaud, as sopranos Nívea Raf e Marianna Lima, o barítono Leonardo Pascoa e o baixo Murilo Neves. O acompanhamento é feito pelos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), regida por Bruno Procópio.

Rara no repertório lírico mundial, “Renaud” ficou esquecida por muito tempo até reaparecer na França. “Ela foi resgatada alguns anos atrás, quando um projeto propôs sua restauração. Como a série ‘Ópera na Sala’ tem o objetivo de mostrar obras pouco conhecidas, que abrangem desde repertórios raros até música brasileira contemporânea, ‘Renaud’ serviu perfeitamente. Ela é uma joia escondida”, afirma o professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), André Heller-Lopes, que assina a direção cênica da montagem.

Conhecido pela sua adaptação de “Tristão e Isolda” de Wagner, em 2011, Heller-Lopes aceitou o convite para participar do projeto pelo desafio. “Ainda que trate do tradicional enredo amor e desamor, a história é fascinante. O pano de fundo também traz uma discussão bastante atual, que é a oposição entre as culturas ocidental e oriental, percebida até hoje”, acrescenta.

Para a primeira apresentação no Brasil, o diretor optou por costurar “Renaud” em uma roupagem simples, mas sofisticada. “É um trabalho muito delicado, onde nos concentramos no essencial. Não temos em cena um resplandecente palácio encantado, mas um movimento intenso de luz. A ideia é trazer o público para imaginar e refletir junto com o desenvolvimento da história”, explica.
Pouco antes da estreia de “Renaud” no sábado, a partir das 19h, acontece o “Encontro com o Artista”, no Espaço Guiomar Novaes da Sala Cecília Meireles. Nele, o público terá a oportunidade de conhecer mais detalhes da obra através de um bate-papo com os intérpretes.

ONDE CONFERIR

“Ópera na Sala” apresenta “Renaud”, dias 21/03, às 20h, e 22/03, às 17h. A Sala Cecília Meireles fica na Rua da Lapa, 47, centro, Rio de Janeiro.

Programação lírica recheia agenda no Rio e São Paulo

Enquanto alguns músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) se apresentam na ópera “Renaud”, outros da mesma orquestra executam o programa “Minha alma canta” na Cidade das Artes, no Rio, amanhã, às 16h. Com regência do maestro assistente da OSB, Lee Mills, e participação da soprano Edna D’Oliveira, o conjunto estreia mais um concerto da série especial em comemoração ao aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro.

Completando um ano da chegada à Cidade das Artes, a OSB se consolida em sua sede oficial e traz em 2015 um programa intenso com grandes solistas, homenagens, estreias de obras e três séries de assinaturas: Esmeralda, Rubi e Safira.

Também no Rio, a Orquestra Sinfônica Petrobras apresenta mais um concerto da série “Portinari I” hoje, a partir das 20h, no Theatro Municipal. O programa é composto por obras de Marcelo Caldi, Jean Sibelius e Modest Mussorgsky.

Já na capital paulista, a montagem “Otello”, penúltima obra de Giuseppe Verdi, estende apresentações até o dia 27, no Theatro Municipal de São Paulo. Inédita no Brasil, a ópera tem direção cênica do italiano Giancarlo Del Monaco e regência do maestro e diretor artístico John Neschling.

Com a adaptação, além de prestar uma homenagem dedicando a montagem de “Otello” ao seu pai, o tenor Mario Del Monaco, o diretor também celebra no Brasil seus 50 anos de carreira.

“Otello” ainda marca a estreia das transmissões simultâneas de óperas produzidas no Brasil. A primeira exibição nos cinemas acontece em caráter experimental, apenas para convidados, na terça-feira, dia 24, em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

ZAZ lança seu novo disco ‘Paris’ em turnê pelo Brasil

Hoje, a cantora francesa ZAZ desembarca no Circo Voador, no Rio de Janeiro, para lançar seu terceiro disco, “Paris”. Após se apresentar em Porto Alegre, ela estreia suas novas canções em terras cariocas, além de apresentar sucessos como “Je Veux”, música que caiu no gosto do público em 2010 e a lançou mundialmente.

“Eu vou dar o meu melhor e mais ainda! Espero levar muita energia! Ainda não cheguei numa relação séria (com os brasileiros), eu quero mais”, afirma a cantora.

O terceiro álbum da carreira aparece como uma homenagem à cidade luz, com duos com Charles Aznavour, Thomas Dutronc e Nikki Yanofsky, e ainda a colaboração do lendário produtor Quincy Jones. “Por que não brindar Paris? Eu a amo! Me traz muita inspiração”, comenta.

Assim como no ano passado, a turnê da cantora marca a semana da Francofonia no Brasil, com shows em cinco cidades. Além de Porto Alegre e Rio, ZAZ ainda se apresenta em São Paulo, no Auditório Ibirapuera, dia 22, durante a abertura do Circuito São Paulo de Cultura e no Bourbon Street Club, dias 24 e 25; em Curitiba no Teatro Ópera de Arame, dia 27; e em Belo Horizonte, no Music Hall, dia 28. No show no Auditório Ibirapuera, ZAZ se apresenta com as cantoras Tulipa Ruiz e Céu. “Pena que não tocaremos juntas desta vez. Não tivemos tempo de ensaiar. Espero que na nossa próxima turnê a gente consiga”, acrescenta.

ONDE ASSISTIR

Dia 20/03, às 22h, no Circo Voador. Rua Arcos, s/n, na Lapa, Rio de Janeiro.

Biografia da cantora Elis Regina chega às livrarias

No mês de março, como parte das comemorações dos 70 anos da cantora Elis Regina, sua esperada biografia chega às livrarias. O livro “Elis Regina - Nada será como antes”, escrito por Julio Maria, narra a vida de Elis desde seus primeiros dias em Porto Alegre, quando cantava “Fascinação” ao lado das amigas nas escadarias de um colégio, até sua despedida trágica, aos 36 anos, quando estava prestes a mudar tudo em sua vida.

Ao todo foram quatro anos de entrevistas e pesquisas em arquivos. A ideia de escrever a biografia surgiu por meio de um convite da editora Master Books ao jornalista Julio Maria. No começo, o perfil do livro era uma homenagem, mas conforme Julio foi descobrindo mais histórias e avançando nas entrevistas, viu que havia muito mais o que contar, como pessoas importantes que até então nunca haviam se pronunciado.

Na contramão da batalha das biografias que dividiram artistas e editoras sobre a autorização prévia dos biografados, os filhos de Elis, João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita, entenderam que o autor precisava de liberdade para retratar todos os lados da cantora. “Não vivi a era de Elis. Quando ela faleceu, em janeiro, eu tinha nove anos de idade, e diante dessa personagem gigante, fui o que sou há 16 anos: repórter. Creio que o olhar descontaminado de paixões ou ódios ajude a traçar um perfil mais humano e menos divino”, afirma o autor.

NOTAS

Artistas brasileiros em cartaz na Casa Daros

Amanhã será inaugurada na Casa Daros, no Rio, “Made in Brasil”. A mostra é composta por 60 importantes obras de artistas brasileiros com projeção internacional, pertencentes à Coleção Daros Latinamerica. Entre eles, Antonio Dias, Ernesto Neto e Vik Muniz.

Alceu Valença lança livro de poesias em SP

Após o lançamento em Portugal, Alceu Valença apresenta aos brasileiros seu primeiro livro de poesias “O poeta da Madrugada”. A noite de autógrafos acontece na segunda-feira, dia 30, às 18h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Cinesthesia exibe ‘Pulp Fiction’ no Cine Jóia

O projeto Cinesthesia apresenta no domingo, o filme “ Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino. Durante a exibição, serão feitas intervenções audiovisuais com o show da banda Tarântulas e Tarantinos. A sessão acontece a partir das 20h, no Cine Joia, em São Paulo.

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