Empresários antes dos 25 anos contam como montaram seu negócio

Pessoas que obtiveram sucesso ainda na juventude dizem quais desafios encontraram pelo caminho para criar empresas lucrativas

Por O Dia

Montar um negócio antes dos 25 anos é uma realização para poucos. A tarefa, no entanto, não é impossível. Pessoas que alcançaram essa meta e uma especialista em empreendedorismo dizem como atingir esse objetivo em uma fase da vida em que o foco maior é em festas, namoros e mochilões.

“A minha tese é que não se começa ser empreendedor. É um processo anterior à universidade, tem que ser no colégio. A garotada já tem que ir para a faculdade com atitude e postura empreendedora. Mas, atualmente, eles não estão preparados para produzir e inventar. A gente perde um tempo precioso. Empreendedor é aquele que quer fazer coisas, produzir coisas, vai atrás. Empreendedorismo é atitude”, explica Nuricel Aguilera, fundadora do Instituto Alpha Lumen, escola especializada em alunos que têm uma velocidade de aprendizado maior do que os demais estudantes.

Um dos rapazes que passou pelo instituto é Henrique Dubugras. Com apenas 19 anos, o estudante de colégio público conseguiu entrar na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Apesar da oportunidade, ele trancou a faculdade para fazer outra aposta: comandar a Pagar.me, empresa facilitadora de pagamentos online, que o rapaz criou com o sócio, de 18 anos, Pedro Franceschi.

Dubugras acredita que o fato de ele ser tão jovem para empreender ajudou mais do que atrapalhou. “Essa época da vida é boa para isso, temos menos risco. Se o negócio der errado, não tenho família, filhos, nada a perder. Mas é preciso saber que montar uma empresa exige maturidade e trabalhar que nem gente grande.” Segundo o empresário, dependendo da área em que se quer atuar, não é tão importante ter uma formação, mas força de vontade. “Não precisa de muita experiência, basta querer estudar e trabalhar muito. Trabalho umas 15 horas por dia e tive que aprender tudo sozinho.”

Já Felipe Cataldi, de 25 anos, um dos sócios-fundadores da Betalabs, empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial, conta que sua graduação em Administração na Fundação Getúlio Vargas foi importante para conseguir manter de pé a companhia. “Ser formado nessa área ajuda bastante. A gente tem uma base. Mas dá para empreender sem essa formação, basta fazer um curso, uma pós, para estar bem inteirado de gestão empresarial. A questão tributária é complexa, por exemplo. Se você não souber, pode ser engolido.”

Desafios

Para que o negócio dê certo, Dubugras e Cataldi concordam que é preciso não se agarrar demais a um único projeto. “Você tem que ter um plano final, mas não pode ter cabeça dura. Se não der certo, muda. Se você abraçar a sua ideia, você morre com ela. No começo, a gente fazia de tudo, até montar sites. Mas depois percebemos que a nossa pegada era gestão”, explica Cataldi.

Dubugras, que começou a programar seus próprios jogos aos 12 anos, tentou empreender pela primeira vez quando criou um site sobre como estudar em uma universidade norte-americana. O endereço na web ainda existe (estudarnoseua.com.br), mas o projeto foi deixado de lado. “Não se pode ter muito apego a ideia. Tem que ouvir as críticas. Não se pode achar que a sua ideia é a melhor do mundo sempre. É bom mudar se for preciso, mas com bom senso”, garante.

Mesmo sendo tão jovens, os dois empresários garantem que há investidores ou clientes que estão dispostos a acreditar em você. “O nosso primeiro cliente foi a empresa de formatura da própriaFGV.”, diz Cataldi. Ele conta ainda que, para ganhar credibilidade nessa idade, é preciso dar a cara a tapa. “Se o cliente manda um e-mail às 2h, tem que responder.”

No caso da área de programação, há grandes investidores dispostos a apostar em uma boa ideia, que dê grande retorno. “Quem investiu na gente foram dois fundos de Miami, que tivemos contato quando participamos de um evento de programação de lá”, conta Dubugras.

Futuro

Apenas três anos após ter começado a empreender, a Betalabs tem 30 funcionários, além de mais três sócios que começaram como estagiários e compraram sua participação por meio dos bônus. Com mais de 200 clientes, a meta é dobrar de tamanho a cada ano, nos próximos cinco anos. “Quando chegar aos 30 anos, quero desacelerar, quero que empresa possa andar melhor com as próprias pernas e eu possa trabalhar só oito horas por dia”, diz Cataldi.

Por sua vez, a Pagar.me, criada em março de 2013, conseguiu conquistar em apenas um ano de existência o prêmio de empresa mais inovadora do mundo, pela Universidade de Harvard. Atualmente, a companhia funciona em um escritório na Avenida Faria Lima, uma das mais nobres de São Paulo, e conta com 20 empregados. “Atingimos a meta planejada em 2014 e reinvestimos todo o lucro na própria empresa. O objetivo em 2015 é transacionar R$ 500 milhões pela plataforma”, explica Dubugras, que prefere não pensar a longo prazo. Só sabe que em setembro de 2016 tem que retomar os estudos em Stanford.

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