Por monica.lima

“O Rio de Janeiro é uma das cidades mais fotografadas do mundo desde o século 19. A capital sempre atraiu fotógrafos de todos os lugares e rapidamente ganhou fama pela sua beleza. Até a Segunda Guerra, só perdia para Paris”, ressalta o renomado fotógrafo Milton Guran. Para mostrar a importância dos registros da cidade na história da fotografia, a exposição “Rio – Uma paixão francesa” será inaugurada a partir da próxima terça-feira no Museu de Arte do Rio (MAR) . Com uma seleção de 75 fotografias e vídeos importadas dos acervos das mais respeitadas instituições francesas — Centre Georges Pompidou, Maison Européenne de la Photographie (MPE), Société Française de la Photographie e Musée Nièpce —, o Rio de Janeiro está retratado pelos mais diferentes ângulos. Com curadoria assinada por Jean-Luc Monterosso, Milton Guran e Cristianne Rodrigues, a exposição reúne registros feitos pelos brasileiros Marc Ferrez, Augusto Malta, José Oiticica, Alberto Ferreira e Rogério Reis, os franceses Raymond Depardon e Vicent Rosenblatt, o marroquino Bruno Barbey e o romeno Ghérasim Luca, entre outros expoentes da fotografia do século 19 à atualidade. Complementa o material, a produção videográfica representada por Kátia Maciel, JR e Stephen Dean e Rogério Reis.

Fotografia da série “Surfistas de trem”%2C de Rogério ReisDivulgação


Resultado de dois anos de pesquisa, “Rio – Uma paixão francesa” faz parte das comemorações do aniversário de 450 anos da cidade e abre a programação oficial do FotoRio 2015, da qual Milton Guran é o coordenador. “A verdadeira ideia de fazer a exposição surgiu alguns anos atrás, quando caiu nas minhas mãos o material de uma exposição francesa, que trazia muitas fotos do Brasil. Fiquei atento e percebi que havia um material importante que valia a pena mostrar aqui, para que as pessoas entendam a representatividade do Rio na história da fotografia mundial”, explica o curador.

A mostra é dividida em quatro núcleos temáticos: Histórico, Modernista, Contemporâneo e Documental. “Essas obras de vários períodos diferentes foram parar na França, a pátria da fotografia, porque integravam relatórios administrativos ou álbuns específicos, sobretudo no século 19, que ficaram documentados lá. Ao longo do século seguinte, por diferentes caminhos, importantes autores que fotografavam o Rio entraram nas coleções de museus públicos franceses”, explica Milton Guran.

Reunindo imagens raras e obras emblemáticas, a mostra relaciona o olhar brasileiro e estrangeiro sobre cenas do cotidiano carioca.

“O olhar estrangeiro tem sempre um estranhamento. Destaca aspectos da vida cotidiana diferentes do que estamos acostumados a ver e traduz especificidades de uma cultura, pois carrega um estranhamento. Mas não existe melhor ou pior registro e sim múltiplos usos de diferentes produções”, afirma, acrescentando que fotografar é atribuir importância. “Quando se isola alguma coisa de tudo que está a sua volta, você está escolhendo um recorte para passar uma mensagem”.

Das fotos históricas aos registros dos bailes funks cariocas, “Rio – Uma paixão francesa” forma um mosaico de mensagens que se traduzem em apenas um Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro de Kurt Klagsbrunn     

Concomitante a “Rio - uma paixão francesa”, o Museu de Arte do Rio (MAR) exibe a mostra “Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960)”, que reúne trabalhos do artista austríaco também realizados na cidade.

São cerca de 200 fotografias de um total estimado em mais de 100 mil registros feitos por ele — o que o situa ao lado de nomes como Augusto Malta e Marc Ferrez na documentação do Rio. Com coordenação do casal Marta e Victor Hugo Klagsbrunn, sobrinho do fotógrafo, a exposição tem curadoria de Marcia Melo, Suzane Worcman e Paulo Herkenhoff.

Klagsbrunn, de ascendência judaica, chegou em 1939 à então capital brasileira como refugiado do nazismo e ali descobriu sua vocação para a fotografia. Logo se tornou um dos maiores intérpretes do Rio de Janeiro, construindo uma obra capaz de captar as singularidades da sociedade carioca daquele período.

Classificado como “humanista”, o olhar delicado de Klagsbrunn se debruçou sobre a cultura afro-carioca e fez uma crítica à sociedade brasileira ao lançar luz sobre o trabalho infantil, em imagens que expõem a inocência das crianças em um país que não lhes dava educação e saúde. A exposição fica em cartaz até 14/08.

ONDE ASSISTIR

A exposição “Rio - Uma paixão francesa” fica em cartaz até 9 de agosto no Museu de Arte do Rio.
Praça Mauá, 05, no Centro do Rio de Janeiro.

SP-Arte 2015 exibe 140 galerias no Pavilhão Bienal

Com expectativa de atrair 25 mil pessoas, a 11ª edição da SP-Arte acontece até domingo no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. O número representa público acima do registrado no ano passado, quando o evento recebeu 22 mil pessoas. Nesta edição, a feira reúne 140 galerias de arte moderna e contemporânea, provenientes de 17 países, com obras que variam de R$ 2 mil a R$ 2 milhões. Entre os artistas confirmados na programação, destacam-se Marina Abramovic e Alfredo Jaar.

No setor Geral desta edição participam grandes instituições da arte contemporânea, como a Gagosian Gallery e a White Cube, que representam alguns dos artistas mais valorizados do mundo.

A Gagosian cuida de nomes como Bruce Nauman, Tom Sachs, Cindy Sherman e Ed Ruscha. A britânica White Cube não fica atrás e representa Damien Hirst, Tracey Emin, Anselm Kiefer, Jake & Dinos Chapman e Sam Taylor Johnson.

Outros destaques são Julio Le Parc, representado pela Galeria Nara Roesler, Pedro Cabrita Reis, da londrina Galeria Sprovieri, e Fred Sandback, da Michael Werner Gallery, de Nova York.

Como parte das novidades dessa edição, a performance ganha, pela primeira vez, um setor dedicado a ela. Realizado em parceria com a Galeria Vermelho e o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, “Performance” apresenta 12 artistas e 14 performances para a prática e a discussão da modalidade e de seus processos de documentação.

Aberta a temporada do festival ‘É tudo verdade’

Em sua 20ª edição, o “É Tudo Verdade 2015 – Festival Internacional de Documentários” apresenta uma seleção de 109 títulos de 31 países, sendo 16 em estreia mundial. O festival acontece até 19 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro. As itinerâncias deste ano vão exibir destaques da seleção em Belo Horizonte, de 29 de abril a 4 de maio, Santos, entre 7 e 10 de maio, e Brasília, de 27 de maio a 01 junho. “Um festival alcançar sua 20ª edição consecutiva no Brasil é prova do vigor da produção nacional e mundial de documentários nestas duas décadas”, afirma o crítico Amir Labaki, fundador e diretor do É Tudo Verdade.

Nesta edição, o festival homenageia os 80 anos de um dos maiores cineastas brasileiros, Vladimir Carvalho, o centenário de nascimento de Orson Welles, e as duas décadas do festival. “Mas cumpre comemorar também a vitalidade da nova safra, lançada pelas mostras competitivas e seções informativas do É Tudo Verdade”, acrescenta Labaki. A programação está disponível em www.etudoverdade.com.br.

NOTAS

Registros do Instagram se transformam em livro

Depois de quase três mil publicações em seu perfil no Instagram, a artista plástica Gabriela Machado transformou seus registros em livro, uma coedição das editoras Madalena e Terceiro Nome. O lançamento de “Rever” acontece no dia 16, na EAV Parque Lage, no Rio.

Eija-Liisa Ahtila pela primeira vez no Brasil

Na segunda-feira, a primeira exposição individual de Eija-Liisa Ahtila no Brasil abre no Oi Futuro Flamengo. Com curadoria de Catherine Zegher, a mostra reúne vídeos e videoinstalações da artista finlandesa, um dos maiores nomes da arte contemporânea.

CCBB se destaca em lista da ‘ArtNewspaper’

As unidades dos CCBB se destacaram no ranking da revista inglesa “The Art Newspaper”. Em comparação com mais de 700 mostras de 2014, o CCBB Rio é o mais visitado no Brasil. “Salvador Dalí” é a exposição mais visitada no mundo de arte Pós-Impressionista e Moderna.

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