Alta do dólar estimula procura por cursos de inglês fora dos EUA

Canadá, Austrália, Irlanda e até Malta tiveram aumento de procura, de até 39%, por conta da diferença do câmbio, o que tornou esses destinos mais baratos

Por O Dia

O dólar acima dos R$ 3 mudou o destino de muitos daqueles que iriam estudar inglês fora do Brasil. Os planos de viagem permaneceram de pé, mas o destino vem sendo alterado. Os Estados Unidos, que sempre foram um dos países mais procurados, agora sofrem com a concorrência forte de nações fluentes na língua, mas que têm uma moeda mais barata. Além do Canadá, Europa e Austrália são os que mais atraem os estudantes.

“As pessoas entendem o intercâmbio como um investimento em educação, por isso não desistem. Com o atual cenário econômico, precisam manter o emprego. E educação e língua estrangeira são necessárias para se tornar competitivo no mercado. Com a alta do dólar, aqueles que buscavam os EUA estão mudando os planos para países onde o crescimento do câmbio, em relação ao real, não foi tão alto”, explica Marcelo Albuquerque, diretor da Intercâmbio no Exterior (IE).

Segundo a agência, Canadá, que já era um destino bastante escolhido, teve um aumento de 39%; Austrália, de 21%; Irlanda, Nova Zelândia e Malta, que tinham procuras mais tímidas, cresceram 16%, 14% e 12%, respectivamente; e até a Inglaterra, que tem a cara libra esterlina como moeda, teve um aumento de 14%.

A administradora Juliana Castro, de 29 anos, que iria passar 20 dias em São Francisco, na Califórnia, foi uma das pessoas que decidiu mudar de opção e ir para Toronto, no Canadá. “Não fiquei frustrada de ter que trocar de destino. Assim, diminuí o custo. Se eu fosse para lá, teria que me privar de passear e conhecer lugares.” Ela explica porque não quis desistir do seu curso de inglês para negócios. “Já estou me formando no curso regular. Mas, como uso muito o idioma no trabalho, preciso focar na minha área. Acho que é fundamental para formação.”

Caroline Ribeiro, de 23 anos, graduada em turismo, também trocou os Estados Unidos por outro destino: Chipre. A pequena ilha independente do Mar Mediterrâneo, dividida entre influências gregas e turcas, atraiu Caroline por sua herança histórica. Mas ela explica que a mudança fez muita diferença no seu orçamento, mesmo a moeda local sendo o euro. “Teve uma diferença considerável. Paguei cerca de R$ 4.500 no pacote. Para os EUA, seriam mais de R$ 7 mil, com o dólar a R$ 3,37, que era a cotação da época em que fechei a viagem. Com o que sobrou, vou passar quatro dias em Amsterdã”, conta animada.

Terceira língua

Além do inglês, a alta do dólar e a queda do euro também deram um empurrãozinho para os interessados em estudar uma terceira língua. Pela STB, por exemplo, um curso de francês em Paris, de 20 horas por semana por quatro semanas, acomodação em casa de família em quarto individual e meia pensão, custava em 2014 o equivalente a R$ 9.107,52. Em 2015, o curso nas mesmas condições sai por R$ 7.009,64.

De acordo com a agência de intercâmbios, a diferença do preço foi responsável por um crescimento de vendas de 100% para a Cidade Luz. “A pessoa já fez inglês e agora está procurando francês ou alemão. É o que torna o profissional mais interessante”, conta Marcia Mattos, gerente de cursos da STB.

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