Escultura genérica é a nova provocação de Damián Ortega

Primeira exposição individual dedicada ao artista mexicano no Rio de Janeiro está aberta ao público no Museu de Arte Moderna

Por O Dia

Damián Ortega adapta o isopor para a instalação inédita%2C que compõe a exposição brasileiraDivulgação

Por Mariana Pitasse (mariana.pitasse@brasileconomico.com.br)

Depois de ver de perto uma enorme escultura em formato de cabeça de boi produzida para um desfile do Carnaval carioca, o artista plástico mexicano Damián Ortega se impressionou. “Com a imagem gravada na memória, visitei a produção e percebi grande talento e destreza dos artistas para a execução dos monumentos”, completa. Esse foi um dos episódios que deu origem à concepção da mostra “Damián Ortega – O fim da matéria”, a primeira exposição individual dedicada ao artista mexicano no Rio de Janeiro, que está aberta ao público no Museu de Arte Moderna. Ortega, que nasceu em 1967 e se divide entre a Cidade do México e Berlim, só expôs anteriormente em uma instituição no Brasil em 2007, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte. Após desembarcar no MAM Rio, o artista tem agendadas para este ano exposições no Museu Reina Sofia, em Madri, na Espanha, no Hangar Bicocca, em Milão, na Itália, no BGG Brussels, em Bruges, na Bélgica, e no Kurimanzutto, na Cidade do México.

Damián Ortega é conhecido por transitar entre suportes variados, discutindo os limites da criação artística ao subverter os significados e funções de objetos cotidianos. Após trabalhar com tijolos, cadeiras, relógios e carros, o artista adapta o isopor para a instalação inédita, que compõe a exposição brasileira.

“Escolhi o isopor para me aproximar da logística e ferramentas de produção do Carnaval. Nas minhas obras, procuro utilizar matérias que representam características da cidade e de um povo, buscando um diálogo com a produção e as condições específicas do lugar”, explica o artista.

No Salão Monumental do MAM Rio, está exposta a instalação, em que um grande cubo de isopor de cerca de seis metros será transformado durante duas semanas por Daniel Silva, Sergio de Souza, Luiz de Barros, Rafael Vieira, Charles Rocha e Vicente Mota, um grupo de escultores brasileiros que trabalham para o Carnaval.

Todos os dias eles irão retirar pedaços deste cubo para fazer esculturas que, juntas, funcionarão como uma espécie de inventário da história da escultura. Estas imagens estão de alguma maneira no repertório, inconsciente coletivo ou imaginário dos indivíduos. Entre as obras que serão feitas em isopor estão trabalhos de artistas como Alberto Giacometti, Louise Bourgeois, Jeff Koons, Henry Moore, Ernesto Neto e Rodin.

“Morei no Brasil por um ano e meio, na Rua Toneleiros, em Copacabana. Na época, fervilhava a discussão sobre os medicamentos genéricos. Achei muito interessante, ficou gravado na memória. Resgatando essa passagem, criei uma forma de fazer esculturas genéricas”, brinca, acrescentando que selecionou obras da história da arte conhecidas e que seriam possíveis de realizar. “Os visitantes podem chegar e ver todo o processo de corte, polimento, estruturação das obras. Adoraria que visitantes dialoguem com o conhecimento popular exposto no museu. Aguardo as respostas”.

Exposição reúne percurso de 70 obras pertencentes às coleções do museu para discutir a relação entre arte, imagem e psicanálise

Concomitante a “Damián Ortega - O fim da matéria”, a mostra “Ver e ser Visto” também está em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Até 19 de julho, a exposição aborda relações entre arte, imagem e psicanálise, através de 70 obras pertencentes às coleções do MAM Rio.

Com curadoria do psicanalista Guilherme Gutman, trata-se de um desdobramento do curso homônimo realizado entre setembro e outubro de 2014, no Museu. Entre as obras expostas, estão diferentes técnicas e suportes, como pinturas, desenhos, esculturas e instalações, de cerca de 60 artistas brasileiros e estrangeiros, como Artur Barrio, Djanira, Gustavo Speridião, José Damasceno, Waltercio Caldas e Wesley Duke Lee.

Ainda como parte da exposição,amanhã, às 16h, serão realizadas três performances: uma chamada “Banco de Olhos”, de Tiago Rivaldo, “(Estudo para) um corpo ideal”, de Raphael Couto, e “Veste Nu”, de Daniel Toledo e Ana Hupe.

ONDE ASSISTIR

As exposições estão em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que fica na Avenida Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo.

Fotografia em destaque no Museu da Imagem e do Som

A partir da próxima terça-feira, dia 21, todos os espaços expositivos do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS - SP) serão tomados pelo projeto Maio Fotografia, que apresenta obras singulares e fundamentais na história dessa arte. Além de cinco exposições, integra a programação o IV Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia, realizado em parceria com o Estúdio Madalena, entre os dias 28 e 30 de maio, no auditório do MIS.

Dentre os artistas expostos está a aclamada fotógrafa norte-americana Vivian Maier, que guardou as fotografias, os negativos e fitas de áudio com pequenas entrevistas que fazia com as pessoas que fotografava. O MIS será a primeira instituição a receber a série “O mundo revelado de Vivian Maier”, composta por 101 fotografias, além de seis contact sheets e nove filmes gravados em super-8mm. O projeto ainda apresenta outras quatro exposições: “Perto do rio tenho sete anos”, do baiano André Gardenberg, “Rastros 1 (Traces)”, do brasileiro radicado em Paris Roberto Frankemberg, “Formas Urbanas”, de Igor Garbin e “Lambe-lambe: os fotógrafos de rua na São Paulo dos anos 70”,elaborada a partir do acervo do MIS e que celebra os 45 anos da criação do museu.

ONDE ASSISTIR

As exposições ficam em cartaz até 14 de junho no Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa, 158,  Jardim Europa, São Paulo.

Documentário francês em mostra na Caixa Cultural Rio

O cinema documentário francês contemporâneo está em cartaz na Caixa Cultural do Rio na mostra “Cine Doc Fr”. Reunindo 25 documentários produzidos nos últimos 25 anos na França, muitos ainda inéditos no Brasil, a programação será exibida de 21 de abril a 3 de maio.

Entre os títulos, estão filmes de 18 diretores de diferentes gerações, entre eles Denis Gheerbrant, uma das principais referências do gênero em seu país. Gheerbrant, que oferecerá uma masterclass no dia 25, terá uma retrospectiva especial dentro da mostra, entre os quais “A Vida é Imensa e Cheia de Perigos” e o seu trabalho mais recente “De Greve”.

Os outros filmes selecionados abordam a vida nas periferias das cidades francesas e suas questões, como “Crônicas de Uma Periferia Comum”, de Dominique Cabrera, e “Alimentation Générale, Uma Mercearia”, de Chantal Briet.

A programação completa está no site www.caixacultural.com.br. A Caixa Cultural Rio fica na Av. Almirante Barroso, 25, Centro.

NOTAS

Talentos brasileiros em exposição na Espanha

A fotógrafa Camilla Guimarães e mais quatro novos talentos expõem, a partir de maio, ensaios retratando o Brasil, na Universidade de Salamanca (Espanha). Em sua obra, Camilla mostra um dia na Central do Brasil, estação de trem e metrô mais movimentadas do Rio.

Feira de vinil celebra Record Store Day em SP

O Record Store Day, dia de celebração das lojas de discos independentes no mundo todo, será comemorado amanhã no MIS-SP com uma feira de vinil. A edição contará 70 expositores entre lojas, sebos, colecionadores e vendedores especializados.

Mercado Mundo Mix invade São Paulo

Em sua 21ª edição, o Mercado Mundo Mix retorna ao Brasil. O evento reúne, sábado e domingo, mais de 90 marcas de moda, design, gastronomia e música. São Paulo e o Memorial da América Latina foram escolhidos para dar o pontapé inicial à turnê 2015.

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