Por monica.lima
A exposição conta com 25 pinturas e dez desenhos de Tarsila do Amaral Divulgação

Saindo do lugar comum das exposições de arte, a mostra “Tarsila e Mulheres Modernas no Rio” une os acontecimentos estéticos aos sociais para evidenciar o papel das mulheres na construção da modernidade. Por meio de 200 peças, entre pinturas, fotografias, esculturas, documentos e objetos pessoais, a exposição explicita a maneira pela qual as figuras femininas moldaram a sociedade brasileira nas mais diversas áreas. “A mulher não contribuiu para a arte brasileira, mas a constituiu, pois contribuição só sugere adesão a um processo dirigido por homens. Ela deu chaves estéticas ao Brasil e, no Rio de Janeiro, impôs ações decisivas”, comenta Paulo Herkenhoff, que junto com Nataraj Trinta e Marcelo Campos assina a curadoria da mostra. A vida e a obra de Tarsila do Amaral, representada com 25 pinturas e dez desenhos, serve como ponto de partida para a exposição, da qual também fazem Djanira, Maria Martins, Maria Helena Vieira da Silva, Anita Malfatti, Lygia Clark, Zélia Salgado e Lygia Pape. A exposição entra em cartaz no 2º andar do Pavilhão de Exposições do Museu de Arte do Rio (MAR) a partir de terça-feira, dia 12.

A escolha de Tarsila como eixo estético principal da mostra se deu pelo fato dela ter acompanhado todo o período de revolução da modernidade brasileira e, portanto, fazer o vínculo temático com a exposição.

“Não há ninguém como Tarsila, ela tem um peso estético e social muito importante. Essa é primeira vez que a artista é contextualizada para além do campo das artes, abordando também o período pelo qual o país passava, de lutas pelos direitos das mulheres, que assumiam seu papel na sociedade, e sobre seus corpos e desejos”, destaca o curador, Marcelo Campos.

A exposição, que é resultado de pesquisa de um ano, traz o núcleo das artes circundado por documentos, jornais, objetos pessoais e histórias de mulheres que também marcaram a modernidade em outras áreas. O Aterro do Flamengo e o papel feminino na arquitetura do Rio estão representados por Lota de Macedo Soares e Niomar Moniz Sodré. O momento em que as mulheres despontam na música, com apresentações em night clubs — até então um ambiente predominantemente masculino —, é contado por meio das histórias e canções de grandes divas do rádio, como Emilinha Borba e Marlene. Na dança, os destaques são a primeira bailarina negra do Theatro Municipal, Mercedes Baptista, e nomes do balé clássico e contemporâneo, como Tatiana Leskova e Angel Vianna.

O espaço dedicado à literatura traz outras facetas de Clarice Lispector — as crônicas femininas publicadas sob o pseudônimo Helen Palmer, pinturas e fotos de sua intimidade registradas pelo filho. Raridades como o manuscrito de “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, também fazem parte da seleção.

“A ideia é que o público perceba que o que aconteceu na sociedade teve influência das artes assim como o contrário”, conclui o curador.

ONDE ASSISTIR

“Tarsila e mulheres modernas no Rio”.
De 12 de maio a 20 de setembro no Museu de Artes do Rio (MAR). Endereço: Praça Mauá, nº 5, Centro.

Cinema contemporâneo alemão na Caixa Cultural

Os principais filmes alemães contemporâneos desembarcarão no Brasil a partir da próxima terça-feira para compor a mostra “Achtung! Filmes de Berlim”. Com recorte nas produções dos últimos cinco anos inéditas no Brasil, a mostra exibirá 13 longas-metragens e dois documentários, que tem a capital alemã como cenário. A curadoria é de Hajo Schäfer e Sebastian Brose.

Entre os destaques da mostra estão “B-Movie”, documentário de Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck e Heiko Lange sobre música e cultura underground na Berlim dos anos 1980, e o premiado “Oh boy”, de Jan Ole Gerster. Além deles, “Acima do Peso”, de Axel Ranisch, representando a nova estética do cinema alemão que traz filmes independentes de baixo orçamento, conhecida a Berlin Mumblecore.

A programação ainda é composta por duas palestras com os curadores durante a mostra. A primeira acontece no dia 16, às 17h, com Sebastian Brose, e aborda o tema “Condições de produção na região de Berlim-Brandemburgo”, com foco nas possibilidades para empresas de produção estrangeiras atuarem neste polo.

A segunda palestra, no dia 23, também às 17h, com Hajo Schäfer, terá o tema “Cidade, espaço e identidade no filme de Berlim pós-1989”, e mostrará como as produções dos últimos 25 anos acompanharam as transformações ocorridas na cidade, em seu espaço e habitantes.

ONDE ASSISTIR

“Achtung! Filmes de Berlim” em exibição na Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2.
Av. Almirante Barroso, 25, no Centro (Estação Carioca)

Dia do Graffiti é celebrado no domingo, em São Paulo

Neste domingo,a partir das 12h, a rua Treze de Maio no Bixiga será palco da nona edição do “Dia do Graffiti no Bixiga”. O evento é parte das ações do “Ocupaí Bixiga”, movimento que tem o objetivo de firmar o bairro como polo de efervescência cultural.

Celebrado no dia 27 de março, o “Dia Nacional do Graffiti” é uma homenagem ao etíope radicalizado brasileiro Alex Vallauri, morto nesta data, em 1987. O artista deu cor aos muros de São Paulo nas décadas de 1970 e 1980, sendo considerado, com isso, um dos pioneiros do grafite e da arte de rua no país.

Como parte da comemoração, o Bixiga abre espaço para a intervenção voluntária de grafiteiros. Além disso, o evento conta com shows do Bixiga 70, Curumin e Saulo Duarte. O grupo Capoeiras da Bela Vista mostra o trabalho baseado na capoeira e no samba do recôncavo baiano, o Sarau Suburbano Convicto leva a poesia à festa. Veneno Sound System também faz parte da programação. O último show do dia comandado por Bixiga 70 acontece a partir das 20h.

NOTAS

‘A Mulher Sem Pecado’ 

Prestes a completar 75 anos, “A Mulher Sem Pecado”, texto inaugural para teatro de Nelson Rodrigues, ganhou nova montagem. Dirigida por Kalluh Araujo, a Cia Arlecchino de Teatro encerra breve temporada na Fundição Progresso, neste domingo.

Festival de harpas em destaque no Rio

O Rio Harp Festival chega a sua décima edição enaltecendo o instrumento mais antigo da humanidade, a harpa. O festival tem concertos diários até 31 de maio em diversos pontos turísticos, centros culturais e museus da cidade. Programação em www. rioharpfestival.com.

Bate-papo com Ernesto Neto na Casa Daros

Como parte da programação da exposição “Made in Brasil”, a Casa Daros, no Rio, promove um bate-papo com o artista plástico Ernesto Neto. A conversa acontece amanhã no auditório da instituição, a partir das 17h. Senhas distribuídas uma hora antes.

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