Por monica.lima
Publicado 26/06/2015 13:47 | Atualizado 26/06/2015 14:03

Mais de dez anos após sua estreia, a montagem “A Casa dos Budas Ditosos” retorna aos palcos do Rio de Janeiro. Com texto original de João Ubaldo Ribeiro e adaptação de Domingos Oliveira, a peça entra em cartaz hoje para curta temporada no Oi Casa Grande, que se estende até 12 de julho. Em cena, Fernanda Torres interpreta uma baiana de 68 anos que detalha suas incontáveis experiências sexuais. Com muito humor, a atriz conta as histórias de uma mulher que deseja dizer ao mundo que ousou cumprir sua vocação libertina e foi feliz. “’A Casa dos Budas’ é como uma partitura de música para mim, é como se eu voltasse a tocar um compositor extraordinário, que é o Ubaldo. Então, nunca me cansei de tocá-lo, de sentar naquele piano, que é a mesa do espetáculo, e executar aquelas palavras de novo para o público. Toda vez que passo o texto, me surpreendo com a loucura do Ubaldo, com a qualidade de autor que ele é”, explica Fernanda Torres. Após várias reestreias, essa é a primeira vez que a peça é apresentada após a morte de João Ubaldo. “Quando montamos, ele deixou o Domingos e eu muito livres, costumava dar liberdade a quem adaptava suas obras. Só assistiu um ensaio geral sofrível, mas ficou muito feliz na estreia. Depois, voltou a assistir o espetáculo na Bahia, quando me deu grandes conselhos”, acrescenta a atriz.

Fernanda Torres interpreta uma baiana de 68 anos que detalha suas incontáveis experiências sexuaisDivulgação

Quando Domingos Oliveira leu pela primeira vez a obra de João Ubaldo, percebeu imediatamente o valor dramático do texto. Para escolher a atriz, o diretor pensou que “precisava de alguém que soubesse transitar por todas as idades, pelas diversas fases da personagem”, segundo ele. Então, ele fez a escolha por Fernanda Torres, que encontrou neste convite o projeto ideal para experimentar a possibilidade de fazer teatro apenas com um ator, um texto e um microfone. Era uma vontade antiga que a atriz alimentava desde que assistiu pela primeira vez a um monólogo de Spalding Gray.

“Quando estreei, estava entrando na fase que o Ubaldo afirma ser a melhor parte da vida de qualquer mulher, aquela que vai dos 35 aos 40 e poucos. Falava isso de boca cheia, do auge da vida. Agora, já passei dos 40 e poucos, então, estou começando a falar em retrospectiva. Isso muda um pouco a maneira de estar em cena, e também o fato do Ubaldo já não estar aqui conosco”, explica Fernanda.

No palco, Domingos de Oliveira e Fernanda Torres optaram pela limpeza absoluta, pondo em prática a máxima: quanto menos, mais. Arriscaram deixar a personagem sentada, acompanhada apenas de alguns objetos, entre os quais o livro "Nossa Vida Sexual", de Fritz Khan, e os dois Budas Ditosos — estátuas em miniatura de dois pequenos budas praticando sexo.

A simplicidade da decoração unida ao recurso de utilizar uma mulher jovem para viver uma senhora sexagenária acabou por acentuar o discurso libertário da baiana. “Ela é o próprio Ubaldo de saia, a história do sexo na geração dele, que começa no Brasil colônia, atravessa a revolução de costumes, até chegar no pragmatismo de hoje. Acho que é meu trabalho mais inteiro no teatro, além de ter sido crucial para a minha aproximação com as letras”, acrescenta.

Quanto o retorno aos palcos depois de tantas reestreias, a atriz garante que terá em caráter de ineditismo. “Quando estreei, muita gente que hoje tem 18 anos, ainda não tinha 8 e não poderia entrar no teatro. Minha expectativa é fazer a peça ainda inédita para muitos cariocas e matar a saudade de estar com o Ubaldo”, conclui. Por Mariana Pitasse (mariana.pitasse@brasileconomico.com.br)

ONDE CONFERIR:

“A Casa dos Budas Ditosos” está em cartaz no Oi Casa Grande de 26/07 até 12/07. As sessões acontecem às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h.

Bonde de Santa Teresa é tema de curta-metragem

Há quatro anos, um acidente com cinco mortos decretou a paralisação, para obras, do sistema de bondes de Santa Teresa, meio de transporte e atração turística do bairro histórico na região central do Rio. Com uma sucessão de atrasos e multas — a última por falhas operacionais na execução — as obras ainda estão longe da conclusão, prolongando os transtornos para os moradores da região. É nesse contexto que foi produzido o curta Sviaz, filme coletivo de animação que será lançado hoje no Cine Santa e foi escalado para a edição deste ano do festival Anima Mundi. “É uma homenagem poética ao tão maltratado bondinho de Santa Tereza”, diz o idealizador do projeto, o animador Leo Ribeiro, nascido em São João Del Rey (MG) e radicado há oito anos no bairro.

O filme é uma adaptação livre do conto homônimo escrito em 1937 pelo escritor russo Danill Kharms e conta com a participação de nove animadores de diferentes cidades do país. A história gira em torno das desventuras de um violinista nas ruas do bairro. “As paisagens russas do conto original dão lugar às ruas do Rio antigo, com seus malandros, musicalidade, sobrados ecléticos e coloniais, riscadas continuamente pelas linhas de bonde”, conta Ribeiro.

Assim como o conto de Kharms, o filme está dividido em episódios independentes, cada um dirigido por um dos animadores convidados — Adriane Puresa, Alexandre Bersot, Anna Thereza Menezes, David Mussel, Diego Akel, Felipe Thiroux, Jackson Abacatu, Ronaldo Oliveira e o próprio Leo Ribeiro, o único do grupo que reside no bairro. “Sviaz em português tem o significado de conexão, de linha. Acredito que o autor quis fazer uma analogia entre a linha do bonde com a casualidade dos acontecimentos diários”, diz ele.

A produção é independente e, segundo Ribeiro, foi realizada nas horas vagas dos animadores convidados. “Seguimos a máxima do animador norte-americano Ralph Bakshi, que acredita que hoje, com a democratização dos meios de produção, não precisamos ficar esperando as condições ideais de produção”, conta ele, também descontente com a situação dos bondes. “Muitas vezes me peguei pensando: será que meu filme fica pronto primeiro que o bonde? Hoje se alguém quiser ver o bonde andando pelas ruas do bairro, infelizmente, só no filme.” Por Nicola Pamplona

ONDE ASSISTIR:

Hoje às 21h no Cine Santa (Largo do Guimarães, 136, Santa Teresa) e no festival Anima Mundi, entre 10 e 15 de julho, no Rio, e entre 17 e 22 de julho, em São Paulo.

Pintura de Klimt bate recorde em leilão da Sotheby’s

Um retrato feito por Gustav Klimt de uma jovem mulher vienense em 1902, chamado de “Retrato de Gertrud Loew — Gertha Felsovanyi” e que tinha sido objeto de uma disputa de herdeiros da moça, conseguiu o preço mais elevado, de £ 24,8 milhões (US$ 39,1 milhões), em um leilão na Sotheby’s em Londres na quarta-feira à noite.

As vendas no leilão da Sotheby’s superaram £ 178,6 milhões (US$ 282 milhões), com 10 dos 51 lotes em oferta vendidos por mais de £ 10 milhões.

Entre eles estava um bronze de uma bailarina, de Edgar Degas, vendido por £ 15,8 milhões, acima de sua estimativa máxima, de £ 15 milhões, estabelecendo um recorde em leilões para uma escultura do artista francês, disse a Sotheby’s.

As vendas da casa de leilões britânica eclipsaram os £ 71,88 milhões que sua arquirrival, a Christie’s, obteve em seu leilão de arte impressionista e modernista na noite anterior, em nova evidência da força das obras no mercado.

Duas semanas de vendas em Nova York em maio renderam mais de US$ 2 bilhões no total, em ambas as casas. Reuters

NOTAS

Luiz Gonzaga dá o tom nos Arcos da Lapa

Amanhã, a partir das 20h, a Praça dos Arcos da Lapa no Rio recebe o musical "Gonzagão - A Lenda", com direção de João Falcão. No espetáculo, cerca de 40 canções são interpretadas para contar sobre a carreira, os amores e o legado do Rei da Sanfona.

Sala Cecília Meireles celebra 70 anos da ABM

Dentro das celebrações dos 70 anos da Academia Brasileira de Música (ABM), a Orquestra Sinfônica da UFRJ se apresenta no próximo dia 02, às 20h, na Sala Cecília Meireles. O maestro Roberto Duarte faz a regência, tendo como solista Hugo Pilger (violoncelo).

Cinema africano na Caixa Cultural do Rio

A partir do dia 30/06, a mostra “África, Cinema – Um Olhar Contemporâneo” apresenta 17 filmes dos principais nomes do cinema atual realizado na “África Negra”, região ao sul do Saara. Além das exibições na Caixa Cultural, a mostra também conta com debates.


Você pode gostar

Publicidade

Últimas notícias