Por monica.lima
Publicado 05/11/2014 13:51 | Atualizado 05/11/2014 13:57

No balanço do Salão do Automóvel de São Paulo, que termina domingo próximo, chama a atenção a curva de retorno da Peugeot ao cenário automotivo. A expectativa remete à época do hatch 206, que aqueceu a marca no mundo e no Brasil. O lançamento do Peugeot 2008 é sintomático e celebra o resultado surpreendente deste crossover compacto nos vários mercados. Sua fábrica em Mulhouse (foto), nordeste da França, trabalha em três turnos para atender à demanda e comemora a produção de 200 mil unidades do carrinho. Ano que vem ele estará sendo vendido no Brasil, ‘made in’ Porto Real, no Rio, de onde devem sair muitas unidades ávidas a disputar mercado com os veteranos Duster e EcoSport, além dos novatos Honda HR-V e Jeep Renegade. Por trás dos resultados, uma bem sucedida aliança com os chineses da Dongfeng, que absorvem tecnologias e entregam ao leão o seu maior mercado consumidor.

Fábrica da Peugeot em Mulhouse%2C nordeste da França%2C trabalha em três turnos para atender à demanda do 2008Divulgação

Diretor de comunicação de Peugeot do Brasil, Marcus Brier classifica como importantíssimo o lançamento do 2008 para o reposicionamento da marca no Brasil. Segundo o executivo, a montadora “encontrou seu caminho em carros cada vez mais equipados e mais sofisticados. O primeiro degrau desta estratégia foi o 208 e o segundo será o 2008, que chega no primeiro semestre de 2015”.

Brier lembra que o projeto 2008 foi desenvolvido por equipes da França, Brasil e China e envolve o novo ‘face family’ de sucesso mundial. Como diferenciais, em momento de explosão do mercado de SUVs e congêneres, Brier ressalta a característica que cativa no 2008: imagem de SUV e posição elevada de dirigir, com disposição de crossover e dirigibilidade e conforto de um bom hatch. Soma-se a isto o nível de acabamento, equipamentos e conectividade e temos um ótimo produto, que será referência no segmento, acrescenta. Para Marcus Brier, o 2008 entrega características “bem parecidas com o que temos no 208, ou seja, volante menor, teto panorâmico e espaço de um monovolume”. Brier promete surpresas, mas sabe-se que o modelo terá várias opções de motor e câmbio, inclusive um automático de seis marchas. Para o prazer ao dirigir o motor 1.6 THP Flex, Turbo High Pressure, exibido no estande. O novo modelo não terá tração integral. O discurso urbano é patente, “embora ele seja robusto e possa encarar aventuras de fim de semana, pela grande altura do solo” garante Brier.

PONTO-A-PONTO

? Além do leão aí de cima, o Salão do Anhembi foi marcado pelos conceitos, que antecipam futuros modelos, como o Duster Oroch, uma bem resolvida picape, e o SUV Kick, da Nissan. Ambos serão carros reais nos próximos anos. A nova ofensiva chinesa com o Chery Celer e os SUVs da JAC também chamou a atenção, quase tanto quanto os protestos dos ambientalistas do Greenpeace, que questionam os índices de emissões no Brasil em relação às versões semelhantes vendidas na Europa. O calor, desta vez, foi atenuado por um exótico sistema de ar -condicionado, que funcionava bem em alguns lugares.

? O balanço positivo do Salão vai ter reflexos nos próximos anos da indústria, que apostou bastante e usa a exposição como balão de ensaio para prospectar novas oportunidades. Entre elas o óbvio e registrado desejo pelos SUVs, um formato mundial de automóvel. Mas, no total, ’circularam’ pelo pavilhão do Anhembi também hatches, sedãs, picapes, elétricos e híbridos, quase 500 modelos de 41 marcas e deste total 150 lançamentos. Até o fechamento da feira, dia 9, domingo que vem, cerca de 750 mil visitantes terão passado por lá e justificado o investimento de R$ 26 milhões.

?  A Chrysler vendeu 22% a mais nos EUA em outubro. A marca celebra o sucesso e a retomada das marca coligadas Jeep e RAM. Na Jeep, a subida foi de 52%, atribuída à renovação de modelos como os Grand Cherokee (foto) e Cherokee. Na Chrysler faz sucesso o sedã médio 200, que vendeu mais 40% no período. O grupo vai bem ainda na Itália, onde o grupo FCA subiu 5,6% e a Jeep 136,8%.

Multas pesadas

As autoridades norte-americanas da Agência Nacional de Segurança nas Estradas (NHTSA) jogam duro com a segurança e as informações relativas aos automóveis. Os episódios envolvendo milhões de carros made in USA respingam nos importados e a Ferrari (na foto a California) recebeu uma das maiores multas da história, US$ 3,5 milhões por ocultar dados de falhas em seus modelos superesportivos. Três mortes em acidentes foram comprovadas desde 2011, quando a marca voltou oficialmente ao mercado.
Mas o valor é cerca de 10% dos US$ 300 milhões que as coreanas Kia e Hyundai, que lá são unidas, vão pagar à Agência de Proteção Ambiental dos EUA por terem mentido em dados de baixo consumo de seus modelos, entre eles o Soul e o Veloster (foto abaixo) vendidos no mercado brasileiro. A pena é a maior já aplicada a automotivas e se divide em US$ 100 milhões em multas mais US$ 200 milhões em créditos regulatórios.

Lancer ‘brazuca’

O Mitsubishi Lancer agora é montado em Goiás para encarar pesos pesados como o Civic, Corolla, Cruze, Sentra etc. A seu favor, o sistema multimídia com tela touch grande, a conectividade e controles dinâmicos. Preços entre R$ 66,5 mil e R$ 97,5 mil.

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