O inferno são os outros

Robustez do Jeep Renegade encontra obstáculo na falta de qualidade do diesel

Por O Dia

Testes de lançamento costumam ser contidos e controlados, dentro de limites técnicos estudados e nem sempre refletem a realidade das condições nas ruas e estradas. Particularmente no caso desta esperada novidade, o Jeep Renegade 4X4 Trailhawk turbodiesel, esta afirmação não poderia ser mais pertinente. O modelo reflete a cultura de um ícone que venceu a II Guerra Mundial, tem história e precisa manter a boa fama. Mas, às vezes, a robustez esbarra na má qualidade do combustível.

Robustez é a marca a ser alcançada e para isso andamos no modelo por 450 quilômetros entre a cidade do Rio, estradas da região serrana e 45 quilômetros de vicinais. Nelas pudemos provar barrancos com a altura que permite ataque, transposição, saída, além de lama e mais velocidade na baixa aderência.

Mas para chegar lá, precisamos antes enfrentar o asfalto. O modelito da Jeep chama a atenção pelas dimensões adequadas por fora, com grande sensação de amplitude, por dentro. No engarrafamento, o câmbio automático de nove marchas facilita a vida e promove economia de diesel. O nível de ruído é baixo devido ao isolamento reforçado na parede de fogo, sob o capô e nas coberturas de para-lamas.

Jeep RenegadeMarcellus Leitão / Agência O Dia

Como é um monobloco, ao contrário dos chassi-carroceria do Jimny e de seu irmão Wrangler, o Renegade entrega muito conforto. Os bancos são envolventes, elétricos e o do motorista conta com regulagem lombar. A posição de dirigir é muito boa e a regulagem de volante de direção com comandos incorporados, grandes espelhos retrovisores e o formato da carroceria facilitam a ergonomia e visibilidade.

Repleto de eletrônica, nem sempre sinônimo de eficiência, o Renegade oferece várias telas com controle de temperatura do óleo, elétrica, fluido da caixa automática, além do prosaico computador de bordo e da conhecida tela ‘touch’ multimídia. O ar-condicionado é dual zone, embora eu não conheça ninguém que fique brigando por causa de meio grau.A gama de acessórios é ampla e permite configurar o seu melhor carro.

Na serra notamos uma certa rolagem de carroceria, indesejável, muitas vezes. Mas é um Jeep. Mesmo assim, freia bem e se supera no momento em que entra na estrada vicinal. Percorremos quase 50 quilômetros em piso de terra, com alguma lama e cascalho. O Renegade é muito confortável e aderente ao chão. Permite arroubos nas curvas e se mantém neutro o tempo todo.

Depois dessa volta, a hora do retorno tem surpresas. Colocamos dez litros de diesel S10 para garantir a autonomia e chegar ao Rio. Pouco tempo depois, durante uma ultrapassagem sob chuva, em imensa reta, o motor ‘sumiu’ e uma luz espia amarela denunciou falha no sistema. A consulta ao manual apontou uma possível depuração do catalizador — que tem sensores eletrônicos —, decorrente de combustível ruim ou contaminado com água. Mais 80 quilômetros em baixa velocidade, em ‘modo de segurança’ o sistema foi depurado e voltou a entregar potência. O ‘check’ eletrônico inaugurou a oficina Jeep e confirmou a falha.

Aí acendeu outra luz, esta na minha cabeça. Com a qualidade do combustível nacional abaixo da crítica e com o etanol como o menos ‘adulterável’, como poderemos andar em carros com a eletrônica tão fina? Como não podíamos andar em carros com a suspensão fina, como alguns franceses que quebravam em série diante da realidade dos buracos nos anos 90. Ou como vimos em máquinas como as BMW série 5, nesta mesma época, apontarem defeitos por conta do excessivo teor de enxofre na gasolina, ou outros tantos exemplos. Sartre estava certo: o inferno são os outros.

SEGREDO

Não é 1º de abril: a Jeep quer aumentar o filão e roubar clientes também do Duster 4X4, lançado renovado ontem (leia nota acima). Para tanto irá apresentar um modelo com tração integral ‘on demand’ simplificada, equipada com o motor flex e-Tork 1.8 da Fiat e câmbio auto 6 ou manual seis marchas. O preço vai cair. O consumo, bem, isto já será um outra história.

Duster em novo estilo

Novos faróis, lanternas traseiras com leds, novo painel, grade... estes são alguns dos itens que mudaram na versão 2016 do Renault Duster, o SUV que persegue a liderança do EcoSport. Atualizado, ganhou melhor acabamento e manteve preços e versões que começam em R$ 63 mil (1.6) e chegam aos R$ 78,5 mil (2.0 4X4).

Avião ninja

A H2 parece saída de um filme de ficção científica japonês. O motor supercharger com 200 cv e a concepção, que envolveu até a área aeroespacial da marca, finalizam uma motocicleta única, com aceleração inédita. A máquina tem ainda um inovador chassi. Muito rápida, a ninja mais ninja de todas é oferecida no Brasil por R$ 120 mil.

Novo Focus

Maré baixa e freio de mão puxado para a nova carroceria do Ford Focus no Brasil. A previsão inicial
de lançamento em maio já foi postergada e o modelo deverá chegar mesmo, da Argentina, só no segundo semestre como versão 2016, ou até no ano que vem.

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