Cozinha: de vilão a mocinho

Descartado na pia, ele causa graves danos ao ambiente. Reciclado, transforma-se em vários produtos úteis

Por O Dia

Domingo é dia de relaxar e comer aquela batatinha frita, aquele bolinho de bacalhau ou pastel. Mas depois que a fome acaba, o que fazer com o óleo que sobrou na panela? Se a sua resposta foi “jogar na pia”, você está entre os 90% da população que desconhecem os riscos dessa prática. A substância acaba chegando aos rios e mares e vira veneno para plantas e animais. Além disso, libera metano no ar, um dos gases do temido efeito estufa. Que tal, então, começar a reciclar este material? Versátil, ele pode se transformar em produtos que vão de combustível a sabão!

“O óleo impermeabiliza a superfície da água, impedindo a oxigenação e a entrada de luz, o que acaba com o ecossistema de rios, lagos e mares”, explica o economista e consultor de Meio Ambiente Alessandro Azzoni. Em cidades com redes de água e esgoto, é preciso utilizar fortes produtos químicos para recuperar a água contaminada pelo óleo. Azzoni esclarece, ainda, que as bactérias que atuam na decomposição do óleo liberam o metano.

Os estragos estão por toda a parte. Hoje, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae) estima que 70% dos serviços de manutenção da rede nas ruas ocorram pelo descarte indevido de materiais. E o óleo de cozinha é o maior vilão. “Ele acaba se unindo a restos de comida, ferrugem e terra e obstrui a tubulação, provocando vazamentos”, explica Wagner Victer, presidente da Cedae. Segundo ele, o Centro do Rio e a Lapa são os bairros mais afetados pelo problema, por causa da concentração de restaurantes.

Para minimizar o problema, a Secretaria de Estado do Ambiente criou o Programa de Reciclagem de Óleos Vegetais (Prove), que faz o elo da população com cooperativas que reciclam o produto. O programa arrecada 400 mil litros de óleo por mês, o equivalente a 10% de todo o consumo no Estado do Rio.

De acordo com Eduardo Caetano, coordenador do projeto, o óleo é filtrado pelas cooperativas e vendido para empresas de sabão industrial por aproximadamente R$ 1 por litro. O Secretário Estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc, comemora o sucesso do Prove: “A expectativa é amplia-lo em seis a sete vezes e aumentar a divulgação, pois muita gente ainda não sabe que reciclar óleo é muito fácil”.

Outra iniciativa será a de inaugurar, ainda este ano, uma usina de combustível ecologicamente correto em Arraial do Cabo. “A usina vai otimizar o óleo e transformá-lo em biodiesel para abastecer os barcos pesqueiros da população ribeirinha”, diz ele.

Enquanto isso, a informação corre no boca a boca da população. Moradora de Bonsucesso, Sabrina Silva, 31 anos, já mobilizou seu condomínio há seis meses. “Agora, todos nós colocamos o óleo numa garrafa PET e o porteiro junta tudo e entrega para a coletora”, explica Sabrina. “Fico feliz porque, com uma ação tão simples, estamos protegendo o Meio Ambiente e gerando emprego para quem precisa. Todo mundo deveria fazer”, encoraja.

Mesmo em casa, é possível reciclar. Misturado a outras substâncias, o óleo usado rende uma série de produtos para o lar. Então, da próxima vez que fritar aquele salgadinho, não precisa sentir peso na consciência. Basta reciclar você mesma. Ou colocar o óleo num recipiente fechado e contactar o Prove: 8596 5610, 2334-5902 ou prove@ambiente.rj.gov.br.

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