Brasil

Justiça nega pedido de liberdade de Suzane von Richthofen

Defensoria Pública vai recorrer no Tribunal de Justiça de São Paulo; na decisão, juíza levou em conta laudos psicológicos que apontam que a detenta tem personalidade egocêntrica, narcisista e influenciável por condutas violentas

Atualizado às 12/09/2018 13:25:03

São Paulo - A Justiça negou o pedido da detenta Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, em 2002, para que pudesse cumprir o restante da pena em liberdade. A decisão foi dada no último dia 4 pela juíza Vânia Regina Gonçalves da Cunha, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté. A magistrada levou em conta parecer do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) de que a presa ainda não reúne condições para voltar ao convívio social. A Defensoria Pública, que atende Suzane, vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Suzane já cumpriu mais de 15 anos de prisão e, desde 2015, está no regime semiaberto da Penitenciária Feminina de Tremembé. Nesse regime, ela tem a possibilidade de trabalhar e estudar fora da prisão, o que ainda não acontece porque a detenta aceitou trabalho no interior da unidade.

Há cerca de um ano, a Defensoria entrou com o pedido de progressão para o regime aberto, pelo qual a detenta cumpriria o resto do tempo da prisão em casa, mas o MP exigiu que ela fosse submetida a testes psicológicos.

Os laudos dos exames mostraram que Suzane tem personalidade egocêntrica, narcisista e influenciável por condutas violentas. Com base nos testes, a promotoria criminal recomendou que a detenta fosse mantida presa, ainda que em regime prisional mais brando.

Já a defesa alegou que as características apontadas pelos testes não indicam que a ré poderia voltar a cometer crimes, mas a juíza acompanhou o parecer da promotoria. Tanto a promotoria quanto a Defensoria Pública alegaram que não podem se manifestar porque o processo está em segredo de Justiça.

No regime semiaberto, Suzane tem direito a cinco saídas anuais - ela tem passado os dias livres com o namorado, um empresário de Angatuba, no sudoeste paulista.

Em julho, a Galeria Distribuidora, braço da Vitrine Filmes, anunciou que o crime e o julgamento de um dos casos que mais chocou o país vai virar filme. Suzane Von Richthofen e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos serão retratados no filme "A menina que matou os pais”, previsto para estrear em 2019.

Os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, condenados junto com Suzane pelo assassinato do casal Manfred e Marisia von Richthofen, já saíram da prisão para cumprir o resto da pena no regime aberto. Christian, no entanto, voltou a ser preso em abril, em Sorocaba, por porte de munição e tentativa de subornar policiais.

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