Por bruno.dutra

Rio - Pouco mais de 2,4 mil municípios separam, no ranking do desenvolvimento humano brasileiro, Belágua (MA) e Alto Boa Vista (MT). Mais pobre e altamente dependente do programa Bolsa-Família, o primeiro garantiu à presidenta Dilma Rousseff sua melhor votação, em termos proporcionais, no primeiro turno,com 92,13% dos votos válidos. O segundo, com forte atividade pecuária, foi o que deu a vitória mais folgada ao candidato tucano Aécio Neves, com 82,56% dos votos válidos. Com populações de porte semelhante, em torno dos 6 mil habitantes, as duas cidades comprovam o aprofundamento da divisão dos votos nesta eleição entre municípios beneficiados pelo Bolsa-Família e aqueles com maior desenvolvimento econômico.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aécio Neves venceu nas 10 cidades com maior qualidade de vida do país, enquanto Dilma venceu nas 10 piores. Em São Caetano do Sul (SP), número 1 do ranking do Índice de desenvolvimento Humano (IDH) de 2010, o candidato tucano teve 60,05% dos votos válidos. Em Melgaço (PA), a última da lista, Dilma ficou com 59,89%. Lanterna em 2000, mas fora da lista dos 10 piores em 2010, Guaribas (PI), primeira cidade a receber o Bolsa-Família, garantiu a Dilma 89,91% dos votos. No Piauí, por sinal, a candidata petista à reeleição teve sua melhor vantagem em nível estadual, com mais de 70% dos votos válidos.

Belágua, a cidade que garantiu a maior folga a Dilma, está posicionada em 5.040º lugar na lista do desenvolvimento humano do Brasil, que conta com 5.561 municípios. Segundo dados do portal Data Viva, do governo de Minas Gerais, Belágua tem 99,7% de sua economia baseada na administração do setor público — metade da força de trabalho é de professores ou assistentes administrativos. Com pouco mais de 6 mil habitantes, a cidade conta com extensa cobertura do Bolsa-Família: de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), 1.292 famílias locais receberam o benefício em setembro, com um gasto mensal de R$ 362,7 mil.

Na 3.090ª posição do ranking do IDH, Alto Boa Vista tem 5,5 mil habitantes e uma atividade econômica mais diversificada. A administração do setor público responde por 46,07% da economia, enquanto a agropecuária tem um peso de 17,02% e o processamento de grãos, de 1,83% — o restante é dividido entre comércio e serviços. Segundo informações do MDS, o programa Bolsa-Família beneficiou, em setembro, 438 famílias no município, com um gasto de R$ 64,6 mil. O valor médio do benefício, de R$ 147,52 no mês, é menor do que o verificado em Belágua (R$ 280,72).

A cobertura do programa coincide com o desempenho da presidenta Dilma Rousseff em todo o país. No Maranhão, a candidata à reeleição venceu os adversários em todos os municípios. No Ceará, teve mais de 80% dos votos em 71 municípios. Nos estados com menor dependência de programas de transferência de renda, como Paraná e Santa Catarina, perdeu eleitores com relação às eleições de 2010. Em Minas Gerais, berço de Aécio Neves, teve boa votação nos municípios beneficiados.

Primeira a receber programa salta na lista de IDH

Primeira cidade a receber o programa, ainda em 2003, Guaribas saltou da última posição, em 2000, para o 5.507º lugar em 2010, segundo o Ranking do IDH Municipal elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na década, houve evolução em todos os municípios brasileiros — na última pesquisa, apenas 32 cidades figuravam na categoria do IDH muito baixo, ou seja, abaixo de 0,5 (o indicador vai de 0 a 1). O último da lista nacional, Melgaço, tem índice de 0,418. O primeiro, São Caetano do Sul, de 0,862.

Lançado em 2003, o Bolsa-Família é alvo de críticas da oposição ao governo petista e foi tema dos mais presentes na campanha eleitoral para o primeiro turno. Foi garantido como programa a ser mantido pelos principais candidatos à presidência da República. Marina Silva chegou a anunciar que criaria um 13º pagamento no ano, com o objetivo de permitir que os beneficiários comprassem ceias de Natal.

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