Outros nomes do ministério devem ser divulgados só em dezembro

Cotados para assumir o Mdic e a Agricultura, Armando Monteiro Neto e Kátia Abreu serão confirmados até a segunda quinzena

Por bruno.dutra

Brasília - Ficou para outro momento o anúncio dos novos ministros já convidados: Armando Monteiro Neto, para o Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (Mdic) e Kátia Abreu, para a Agricultura. Havia a expectativa de que os dois seriam oficializados ontem, junto com os novos membros da equipe econômica. Mas, segundo fonte da Esplanada, “houve o entendimento de que seria melhor anunciar primeiro a equipe econômica, responsável por uma área mais sensível e que no momento sofre mais pressão para que haja uma definição mais imediata”.

“O mais importante é que os dois próximos nomes foram bem aceitos tanto no ambiente dos seus respectivos setores, quanto no meio político”, completou a fonte, ao afirmar que dificilmente eles serão trocados, já que o convite foi formalizado por Dilma e aceito tanto por Kátia Abreu quanto por Armando Monteiro, ambos ocupantes de cadeiras no Senado.

A nova data ainda está para ser definida. Inicialmente, fala-se na próxima semana, mas, tudo ainda depende das negociações com o PMDB, partido de Kátia Abreu. De acordo com o vice-presidente, Michel Temer, que também é presidente do PMDB, as negociações devem ser concluídas até o início da segunda quinzena de dezembro, o que indica a postergação do anúncio para esse período, quando também Kátia Abreu tomará posse como presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Integrantes do partido defendem que a senadora faz parte da cota pessoal da presidenta Dilma Rousseff, o que ampliaria para seis os ministérios peemedebistas. Mas algumas das suas principais lideranças, como Temer e o líder no Senado, Eunício Oliveira (CE), já se manifestaram favoráveis à indicação da senadora.

O próprio Eunício é apontado como uma das cotas do partido no Senado para o Ministério. Seria uma compensação à derrota do senador na corrida eleitoral pelo governo do Ceará, uma vez que Eunício — fiel na defesa dos interesses do governo como líder partidário no Senado — esperava, e não contou, com o apoio da presidenta na campanha, porque ela se dividiu entre ele o vencedor pelo PT, Camilo Sobreira. Estuda-se a indicação do cearense para o Ministério da Integração Nacional. Outro senador ministeriável no partido é o líder do governo Eduardo Braga (AM), também derrotado na disputa pelo governo em seu estado.

Os dois nomes em discussão para cumprir a cota na Câmara são os do presidente Henrique Eduardo Alves (RN), que ocuparia a vaga do primo Garibaldi Alves na Previdência Social, e Eliseu Padilha (RS), que não estará na próxima legislatura da Câmara e foi um dos principais articuladores da campanha de Dilma na Região Sul. Por isso, Temer trabalha para que Padilha, que já foi ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso, seja brindado com um cargo.

Henrique Alves também não teve o apoio da presidenta Dilma na corrida ao governo de seu estado, e estaria cobrando por ter executado a difícil tarefa de defender os interesses do Executivo em um período conflituoso entre o governo e a sua base na Câmara.

Segundo uma fonte do partido no Senado, os deputados do PMDB estariam pleiteando mais uma cota, por isso defendem que Kátia Abreu seja enquadrada entre as escolhas pessoais da presidenta Dilma. Mas, como o cobertor é curto para uma base grande, o próprio Temer já descartou.

Embora o número de ministérios do partido seja mantido, deve haver troca de pastas. O PMDB pode perder o Ministério de Minas e Energia, contaminado com o escândalo da Petrobras. Um dos nomes cogitados é o da petista Míriam Belchior, de saída do Planejamento. Mas não está descartada a possibilidade de que o atual secretário-executivo, Márcio Zimmermann, filiado ao PMDB desde 2012, ascenda ao posto. Ela já anunciou seu desejo de deixar o Ministério, mas como conta com a confiança da presidenta, teria dificuldade em declinar do convite.

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