Rio terá ano de muitas obras nas ruas, mas sem inaugurações

Perspectiva é de que interdições viárias e engarrafamentos aumentem em 2015. Grandes projetos só ficam prontos em 2016

Por bruno.dutra

Rio - Da Zona Oeste à Zona Sul do Rio de Janeiro, na ida para o trabalho ou na volta para casa, o que mais os cariocas viram por todos os lados em 2014 foram obras. Com o início de interdições, na semana passada, na principal via expressa do Rio — a famosa Avenida Brasil — para a construção de um corredor expresso de ônibus, a única expectativa dos especialistas para o trânsito este ano é de mais transtornos. Além do BRT Transbrasil, que recebe investimentos de R$ 1,4 bilhão e vai transportar 820 mil passageiros por dia da Zona Oeste ao Centro, as obras vão continuar em pleno vapor e só devem ser concluídas em 2016. Se não atrasarem.

Apesar de a primeira fase das intervenções na Avenida Brasil causar o fechamento de duas pistas e meia em um trecho de 350 metros nos próximos quatro meses, o trânsito surpreendeu e ainda não sofreu grandes impactos. Mas o professor de Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, lembra que o ano só começa depois do Carnaval também para o trânsito e os transportes, já que a maioria das pessoas voltará de férias.

“A Av. Brasil já está saturada. Quando se interrompem duas ou mais faixas, transforma o que está saturado em supersaturado. É uma obra importante, mas no momento em que outras já causam inúmeros impactos na cidade, criar mais uma é uma situação de desconforto para a população”, diz Rojas.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, já avisou que as próximas fases de interdições vão deixar o tráfego para o Centro, destino da maior parte dos deslocamentos diários, ainda mais pesado. “A prioridade continuará sendo o transporte público”, ressalta ele.

O Centro da cidade passa pelo maior projeto de revitalização previsto para os Jogos Olímpicos de 2016. Continuará a todo vapor por lá o Porto Maravilha, empreendimento que vai melhorar a mobilidade e o aspecto da Zona Portuária, com investimentos de R$ 8 bilhões em obras e serviços durante 15 anos. As obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que vai cortar aquela região e custa R$ 1,15 bilhão, já fecharam metade da principal avenida do Centro e serão motivo de mais interdições ao longo do ano.

Na Zona Sul, os transtornos ficam por conta da construção da Linha 4 do metrô, que vai chegar à Zona Oeste. “Será um ano de muita preocupação e de obras que não terminam em 2015, com risco de passarem de 2016”, aponta Paulo Cézar Ribeiro, professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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