Por lucas.cardoso

Brasília - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira, em discurso durante ato com mulheres em defesa do governo, que os vazamentos “seletivos” de informações das investigações sobre corrupção no país estão sendo feitos para criar um “ambiente propício para o golpe” e anunciou que pediu apuração “rigorosa” ao ministro da Justiça, Eugênio Aragão.

“Na trama golpista eu gostaria de destacar também o uso de vazamentos seletivos. A Constituição proíbe vazamentos que hoje constituem vazamentos premeditados, direcionados, com clara intenção de criar ambiente propício para o golpe. Não precisa provar, basta vazar. Sempre se aposta na impunidade”, afirmou.

Segundo Dilma%2C os presidentes que governaram antes dela também fizeram as pedaladas fiscaisLula Marques/ Agência PT

De acordo com a presidente, o país poderá ver, nos próximos dias, “vazamentos oportunistas e seletivos” e que “passou de todos os limites a seleção muito clara de vazamentos no país”. Nesta quinta-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou informações atribuídas a delação premiada de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez em que eles apontariam o uso de recursos de propinas por contratos de obras federais sendo usados em doações legais à campanha da presidente. De acordo com a GloboNews, o acordo de delação foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

Nos próximos dias, a Câmara dos Deputados deve votar em plenário a abertura do processo de impeachment contra a presidente. Mais uma vez, Dilma afirmou que seu impeachment é um golpe travestido de legalidade, por não haver razões sólidas, na avaliação dela, por trás do processo. Segundo a presidente, o próprio instituto da eleição ficará “desmoralizado” pela falta de respeito ao voto de milhões de brasileiros.

“Acredito que o Brasil hoje precisa de um grande pacto. Mas nenhum pacto ou entendimento prosperará se não tiver como premissa o respeito à legalidade e à democracia. A primeira premissa é a defesa do respeito à vontade popular”, disse.

“Sempre busquei e buscarei consensos capazes de superar toda e qualquer crise. Mas o pacto tem como ponto de partida algumas condições: o respeito ao voto, o fim das pautas-bomba no Congresso, unidade pela aprovação de reformas, a retomada do crescimento, a preservação de todos os direitos conquistados pelos trabalhadores e a necessária, imprescindível e urgente reforma política. Esse é o pacto que eu busco”, completou.

Ao final do discurso, visivelmente emocionada, Dilma se referiu pela primeira vez diretamente a uma reportagem que a apontou como sofrendo de descontrole nervoso por conta da crise. “Sempre mantive o controle, o eixo e, sobretudo, a esperança. Enfrentei uma doença difícil, que me debilitou no início. Mas eu sempre disse: enfrenta que você supera. Eu estou enfrentando, desde a minha reeleição, a sabotagem de forças contrárias e mantenho o controle, o eixo e a esperança”, afirmou, embargando a voz.

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