Por felipe.martins

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou ontem que ficou “extremamente espantado” com a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar que a Câmara dê andamento a um pedido de impeachment contra ele.

“Eu gostaria de comentar um pouco esse caso da liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio, por quem eu tenho o maior respeito. Mas confesso que fiquei extremamente espantado no plano jurídico com a liminar que foi concedida”, disse Temer.

Anteontem, Marco Aurélio mandou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebesse pedido de afastamento de Temer e formasse uma comissão especial para analisar o caso. Em um primeiro momento, Cunha reagiu e chamou a decisão do ministro de “absurda”. Mas ontem, ele resolveu cumprir a determinação de Marco Aurélio e começou a tomar medidas para instaurar uma comissão de impeachment contra Temer. Cunha enviou ofícios aos líderes partidários pedindo que eles indiquem os deputados que vão integrar a comissão.

Michel Temer reclamou da decisão do ministro Marco Aurélio%3A “Isso me agride profissional e moralmente”Estadão Conteúdo

A decisão de Marco Aurélio atendeu ao pedido do advogado Mariel Márley Marra, de Minas Gerais, que acionou o STF para questionar decisão de Cunha que arquivou uma denúncia que ele apresentou contra Temer, em dezembro de 2015. Cunha entendeu que não havia indício de crime de responsabilidade do vice.

Temer disse ontem ter ficado “espantado” com a decisão do ministro por uma “razão singela”. Segundo ele, os decretos suplementares assinados por ele, enquanto esteve interinamente na presidência, e que foram citados no pedido de afastamento dele estavam “dentro da lei orçamentária e dentro da meta fiscal”, o que, para Temer, não configura crime.

“Por isso, confesso que me surpreendi enormemente com a liminar dada pelo ministro Marco Aurélio já que, no geral, ele se comporta em obediência absoluta à ordem jurídica e não à desordem jurídica. Pensei até que teria de voltar ao primeiro ano da faculdade de direito para reaprender tudo”, afirmou Temer. “Isso me agride profissional e moralmente”, completou. Temer atribuiu o pedido de impeachment dele a uma campanha “nítida e deliberada”. “É aquilo que o senador Jucá (presidente em exercício do PMDB) disse, sobre chamar para briga de rua. E eu não vou fazer briga de rua.”

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