Por cadu.bruno

Brasília - Longe do comando da Câmara dos Deputados há 24 dias, o presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) custa aos cofres públicos R$ 541 mil por mês. Além da residência de 800 metros quadrados no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, o peemedebista tem direito a um séquito de empregados, que inclui cozinheiros, arrumadeiras, motoristas e seguranças.

Com 800 metros quadrados, a residência oficial da Presidência da Câmara tem quatro quartos, escritório, sala de jantar e piscina. Afastado do comando da Casa pelo Supremo, Eduardo Cunha continua morando láAntônio Cruz/Agência Brasil

Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a suspeita de ter embolsado US$ 5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) em propinas do esquema da Petrobras. Numa segunda denúncia já protocolada pela Procuradoria-Geral da República junto ao Supremo, o peemedebista é acusado de ter recursos irregulares em contas secretas na Suíça. O deputado responde a três inquéritos que ainda não viraram denúncia. Há também mais três pedidos de abertura de investigação pendentes de deliberação no Supremo.

As mordomias mantidas pelo deputado afastado foram aprovadas pela Mesa Diretora da Câmara. Os “custos” de Cunha aos cofres da União foram levantados pelo Psol, que tenta acabar com as regalias do peemedebista. Mas em uma ação do Movimento Brasil Melhor, o Supremo julgou inviável cassar os benefícios.

ISONOMIA

A resolução da Câmara que manteve os privilégios de Eduardo Cunha baseou-se no ato do Senado que listou os “direitos” que Dilma Rousseff preservará enquanto durar o seu afastamento. Assim como Cunha, Dilma tem direito a morar no Palácio da Alvorada, a usar avião da FAB e usufruir de salário integral, entre outras benesses.

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“A Dilma vai ficar no Alvorada, o Eduardo permanecerá na casa da Câmara. Ela vai ter assistência médica, ele dispõe da assistência médica como deputado. Ela vai ter segurança, ele também. Ela terá direito a transporte aéreo e terrestre. Eu reproduzi a mesma coisa para ele. Ela contará com uma equipe de 15 assessores. Ele continuará recebendo os R$ 92 mil a que os deputados têm direito para remunerar a equipe de seus gabinetes”, argumentou o deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara. “Eu também acho que há um excesso, mas é excessivo para os dois lados. O Eduardo só teve o que a Dilma também teve”, observou.

O levantamento de gastos de Eduardo Cunha feito pelo Psol foram calculados com base no salário dos servidores à disposição da Presidência da Câmara. Também foi baseado na média das despesas do peemedebista e sua família com alimentação nos últimos cinco meses. 

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