Por thiago.antunes

Brasília - Começa hoje no Senado o julgamento final do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O julgamento irá durar uma semana. A expectativa é que a votação do afastamento definitivo de Dilma ocorra na madrugada da próxima terça-feira. Serão necessários os votos de pelo menos 54 do total de 81 senadores para que a presidente sofra impeachment. 

Ontem, o presidente interino, Michel Temer, afirmou que aguarda o resultado com tranquilidade e que tem a confiança de que terá o número mínimo de votos para continuar à frente do Palácio do Planalto. Na véspera da fase final do processo, Temer negou estar ansioso: “Não. Agora é esperar, com tranquilidade.”

Um muro foi instalado na Esplanada dos Ministérios para separar manifestantes pró e contra o impeachmentElza Fiúza / ABr

A expectativa do Planalto é obter mais de 60 votos favoráveis ao impeachment. Para atingir o placar, o Palácio do Planalto tem trabalhado para tentar reverter votos de senadores contrários ao afastamento de Dilma, como Otto Alencar (PSD-BA) e Elmano Férrer (PTB-PI). Temer também iniciou ofensiva sobre senadores do Norte e Nordeste.

Um forte esquema de segurança e monitoramento do Congresso Nacional foi montado na Esplanada dos Ministérios para as sessões do Senado. São esperados 30 mil manifestantes na Esplanada, que ficarão divididos por um ‘muro’: do lado esquerdo, os contrários ao impeachment, e do lado direito, os favoráveis ao afastamento de Dilma.

Manifesto de artistas

Um grupo de artistas e intelectuais estrangeiros divulgou ontem uma carta de protesto contra o impeachment de Dilma, unindo-se a outras iniciativas recentes nos EUA de apoio público à presidente afastada.

A lista dos 22 signatários reúne nomes como o ator Viggo Mortensen, de ‘O Senhor dos Anéis’, o músico Brian Eno, o cantor Harry Belafonte e o cineasta Oliver Stone.

“Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam por democracia e justiça em todo o Brasil”, diz a carta, redigida em inglês e português. O texto afirma que a base jurídica para o afastamento de Dilma "é amplamente questionável" e que há "evidências convincentes" de que a principal motivação dos promotores do impeachment foi abafar investigações de corrupção nas quais estão envolvidos.

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