Ato de desagravo em favor do Museu Nacional

Protesto pediu preservação do prédio. Perda de trabalhos científicos preocupa

Por

Uma plenária pelos 98 anos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fundada no dia 7 de setembro de 1920 foi realizada ontem em frente ao Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão. O ato contou com a participação de cerca de 150 pessoas, entre professores, alunos e reitores de diversas universidades, que pediram a preservação do que sobrou do prédio. A reconstrução do museu, no entanto, só deverá começar no segundo semestre de 2019.

Durante a plenária foi estendido um enorme varal, batizado pelos participantes do ato de "varal das lamentações". Nele, foram penduradas cartas de desagravo de diversas instituições de ensino brasileiras e estrangeiras. O objetivo era mostrar que as universidades federais estão unidas para que o Governo Federal dê mais atenção para a educação e a cultura do país.

Na plenária, o reitor da UFRJ, Roberto Leher, falou sobre os recursos recebidos pelo Governo Federal nos últimos anos. Com gráficos, mostrou números do custeio da universidade, assim como do Museu Nacional, nos últimos anos. Segundo ele, em 2014 a universidade tinha R$ 52 milhões para fazer o custeio dentro da instituição. Em 2017, conforme o reitor, a instituição recebeu R$ 3 milhões.

"Não me venham dizer que não há falta de recurso. Há uma argumentação que o museu é mantido pela UFRJ e que nós repassávamos apenas R$ 300 mil. Parece que aqui não é universidade. Mas aqui é universidade e nós temos um custo de R$ 7 milhões por ano com o museu, com energia, limpeza, segurança, etc", reclamou o reitor.

A perda de trabalhos científicos tem sido motivo de grande preocupação. Isso porque o acervo do Museu Nacional era usado por muitos pesquisadores, tantos externos quantos alunos de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo com grande parte dos estudos salvos na nuvem (servidores de armazenamento de arquivos), alguns deles podem não ter sido gravados e, assim, se perderam nos computadores que estavam no prédio na hora incêndio. Outra preocupação é com prazos dados por agências de fomento que patrocinam as pesquisas.

"As pesquisas, na grande maioria, estão todas em backup ou na nuvem, mas é claro que um ou outro pesquisador pode ter deixado seu trabalho no computador e pode ter sido perdido. Nosso maior medo são com as agências de fomento do governo, como Capes e CNPq, que vamos conversar para ver se a gente pode aumentar os prazos para os alunos", ponderou Cristiana Serejo, vice-diretora do Museu Nacional.

 

Comentários

Últimas de Brasil