Jair Bolsonaro acena para eleitores, com colete à prova de bala, logo após ter votado
 - MAURO PIMENTEL/AFP
Jair Bolsonaro acena para eleitores, com colete à prova de bala, logo após ter votado MAURO PIMENTEL/AFP
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Jair Bolsonaro (PSL) confirmou o favoritismo mantido ao longo de toda a campanha do segundo turno e foi eleito o 42º presidente da República com 55,14% dos votos, contra 44,86% do seu adversário, o petista Fernando Haddad (PT). O militar da reserva e deputado federal teve 57,78 milhões de votos, enquanto o ex-prefeito paulista ficou com 47,02 milhões, com 99,96% das urnas apuradas.

A eleição de ontem transcorreu com tranquilidade, em final que contrastou com uma campanha radicalizada, na qual os candidatos foram escolhidos mais por rejeição ao oponente do que pelas virtudes próprias.

Para finalizar uma campanha que foi, em grande parte, feita por lives no Facebook, essa foi a forma escolhida para a primeira manifestação do presidente eleito. Jair Bolsonaro procurou passar uma mensagem de pacificação, sem ataques diretos aos adversários. Como de costume, começou citando o Novo Testamento: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32). "Aquele que acreditou em mim passou a ser membro de um grande exército. Não poderíamos ficar compactuando com o socialismo, com o comunismo, com o extremismo", disse, justificando a sua entrada na corrida presidencial.

Em seguida, ele agradeceu aos eleitores. "Meu muito obrigado a todos vocês pelo apoio, consideração, pelas orações e pela confiança. Vamos mudar o destino do Brasil".

Pouco depois, ainda em casa, Bolsonaro leu, para as câmeras de TV, o que chamou de "discurso da vitória". O presidente eleito citou "reformas" que prometeu levar adiante, entre elas a redução da estrutura do Estado e da burocracia. "Vamos eliminar os desperdícios e privilégios", propôs. Também falou em descentralização:"Os recursos irão direto para os estados e municípios".

Bolsonaro ainda adiantou alguns dos nomes que estarão no seu governo, que toma posse em 1º de janeiro. O deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) deverá ser o ministro da Casa Civil e comandar a coordenação política do governo. O economista Paulo Guedes levará seu credo antiestatista para a Fazenda (que deve englobar também planejamento). O general Augusto Heleno deverá assumir o Ministério da Defesa. E o astronauta Marcos Pontes deverá cuidar da área de Ciência e Tecnologia.

MAIS MODERAÇÃO

Ao longo da carreira, várias declarações e atitudes geraram desconfianças sobre o compromisso do presidente eleito com a democracia. Para o cientista político Sérgio Praça (FGV), o Brasil tem instituições capazes de conter qualquer tentativa de retrocesso. "Bolsonaro já teve que dar sinais no segundo turno que não fará perseguição a opositores. Uma coisa é a campanha, outra é o que acontece a partir de agora. Ele terá que assumir um discurso moderado, de conciliação".

Para o especialista, a redução da vantagem na reta final dará fôlego à oposição que o novo presidente enfrentará e que será comandada pelo PT, partido que elegeu mais deputados (56). "Será uma oposição mais forte que em todo governo Lula e Dilma. Porque há muita coisa a ser criticada nas propostas dele", diz. Bolsonaro deve contar com uma base de mais de 200 parlamentares.

"Temos condições de governabilidade dados os contatos que fizemos com parlamentares", disse o presidente eleito na sua live de ontem."Todos os compromissos serão cumpridos com as bancadas".

O cientista político Paulo Baía (UFRJ) acha que Bolsonaro vai dedicar seus primeiros meses de governo a pautas que deverão promover alterações importantes. "Flexibilização da lei armamentista, redução da maioridade penal, reformulação do Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo. A sociedade brasileira mostrou que quer essas mudanças".

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