Bolsonaro comenta formação de Ministérios e diz que deve completar Esplanada em uma semana

Presidente eleito disse que vai anunciar nome para Meio Ambiente nesta quarta, voltou a por em dúvida o futuro do Ministério do Trabalho e desconversou sobre responsável pela articulação do governo

Por O Dia

Jair Bolsonaro (PSL) terá agenda cheia nesta terça-feira
Jair Bolsonaro (PSL) terá agenda cheia nesta terça-feira -

Brasília - O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse que pretende ter todos os nomes do primeiro escalão do governo anunciados em uma semana. Ele concedeu entrevista à imprensa na tarde desta terça-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, sede do governo provisório, após anunciar o nome do futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele revelou que o próximo nome anunciado deve ser o do Ministério do Meio Ambiente.

Bolsonaro disse que estuda dois nomes e que o responsável pela pasta deve ser anunciado nesta quarta-feira. O presidente eleito disse que os nomes em questão são civis. "Apesar de eu ser verde, não será um militar. Quando o PT escalava 'terrorista', ninguém falava nada", completou.

Quatro generais do Exército integram o primeiro escalão do governo: o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), o general Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo). 

Trabalho

Bolsonaro voltou a manifestar indecisão sobre o Ministério do Trabalho. "Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Se (o Trabalho) vai ser Ministério ou não, é outra história". Setores ligados à pasta temem que o fim do status de Ministério represente retrocesso das conquistas trabalhistas, na gestão dos fundos administrados pela pasta, como FGTS e FAT, e da fiscalização contra o trabalho escravo no Brasil. O Ministério do Trabalho completou 88 anos nesta segunda-feira. 

Articulação política: 'tem que jogar bola pra frente'

Sobre o responsável pela articulação política do governo, Bolsonaro disse que "todo mundo tem que jogar a bola para frente". A nomeação do general Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria de Governo da Presidência, nesta terça-feira, provocou confusão sobre quem comandará a articulação do Planalto com o Congresso.

Nesta quarta-feira, Bolsonaro se esquivou de atribuir a função a um dos seus ministros. Ele disse que a função será comum a Santos Cruz, ao futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e ao futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. "Até eu vou conversar com parlamentar", amenizou.

O presidente eleito defendeu ainda, a articulação com o Congresso por meio das bancadas temáticas - como as bancadas evangélica, da bala e do agronegócio- , em vez de negociar com os partidos. Questionado, sobre se a estratégia prejudicaria a governabilidade, ele reiterou que esta será a relação do Planalto com o Legislativo. "Nós temos que dar certo, porque estamos no mesmo barco", retrucou.

Secom

Sem indicar nenhum nome, Bolsonaro indicou que a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) será 'um quadradinho' ligado à Presidência. O cargo foi alvo de uma polêmica, após o futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, ter apontado o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro, filho do presidente eleito, para a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), o que foi rejeitado por Carlos e causou mal-estar na equipe de transição.

Direito das Minorias

Questionado se criaria o Ministério da Cidadania, Bolsonaro disse que vai ter uma pasta para abranger 'tudo isso aí: mulheres, igualdade racial...'. 

Minas e Energia

O presidente eleito disse que ainda não fechou um nome para o Ministério de Minas e Energia, mas comentou que a pasta é 'muito importante'. 

Reajuste para ministros do STF

Perguntados sobre o reajuste do salário para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sancionado na segunda-feira por Temer, Bolsonaro disse sorrindo que a pergunta deveria ser feita a Temer. "Pergunta para o Temer. Quem vai pagar é toda a população", disse. Na segunda, o ministro do STF Luiz Fux revogou o auxílio-moradia para juízes, integrantes do Ministério Público, Defensorias Públicas e tribunais de contas.

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