Barroso dá 15 dias para Eduardo Bolsonaro se defender de denúncia de ameaça a jornalista

Em abril, PGR denunciou o deputado federal reeleito sobre suposta ameaça a jornalista com quem teria tido um relacionamento

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Eduardo Bolsonaro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília
Eduardo Bolsonaro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília -

Brasília - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou notificar o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para que ele apresente no prazo de 15 dias resposta à denúncia formulada em abril deste ano pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele por suposta ameaça a uma jornalista com quem teria tido um relacionamento. O comunicado foi assinado por Barroso na terça-feira.

Em novembro, a defesa do filho de Bolsonaro informou a Barroso que não aceitaria a proposta de transação penal formulada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A transação penal é uma espécie de acordo firmado entre o acusado e o Ministério Público em que são oferecidas "penas alternativas" ao denunciado em troca do arquivamento do processo. Os advogados que representam Eduardo Bolsonaro alegam que o deputado é inocente das acusações que lhe foram feitas, e que, por isso, não haveria motivos para aceitar a proposta.

De acordo com a denúncia da PGR, o parlamentar enviou várias mensagens pelo Telegram à jornalista Patrícia Lélis dizendo que ela "se arrependeria de ter nascido" e que ele iria "acabar com a vida dela". Em abril, o deputado divulgou um vídeo de oito minutos desqualificando a jornalista, acusou-a de ser "mitomaníaca" (com o hábito de mentir) e de inventar histórias envolvendo outras pessoas.

A jornalista teria tido um relacionamento com Eduardo Bolsonaro - Arquivo Pessoal

Pena

A pena mínima estabelecida a Eduardo é de um ano de detenção, mas ele pode ser beneficiado pela Lei de Transação Penal, desde que não tenha condenações anteriores, nem processos criminais em andamento.

Se cumprir as exigências legais, a proposta de transação penal é para que o deputado indenize a vítima no valor de 40 salários mínimos por reparação de dano moral, pague 25% do subsídio parlamentar mensal à uma instituição de atendimento a famílias e autores de violência doméstica por um ano, além de prestação de 120 horas de serviço à comunidade no intervalo de um ano na instituição Recomeçar, Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília.

"Eduardo Nantes Bolsonaro, nos autos do procedimento em epígrafe, em trâmite nesta Suprema Corte, por seus advogados (procuração anexa), vem a Vossa Excelência informar que não aceita a proposta de transação penal formulada às fls. 71/73 pela Procuradoria-Geral da República - pois é inocente das acusações que lhe foram feitas -, aguardando a abertura de prazo para o oferecimento da resposta prevista no art. 4º da Lei 8 038, de 28 de maio de 1990", escreveram seus advogados, na petição.

Mensagens que o deputado teria enviado para a jornalista - Reprodução / Internet

Notificação

O Estado de S. Paulo revelou, no final de outubro, que o STF tentava há mais de 20 dias intimar o parlamentar. Um oficial de Justiça foi diariamente ao gabinete dele em Brasília, mas enfrentava dificuldades para localizá-lo. No início de novembro, o deputado finalmente foi notificado pela Secretaria Judiciária do Supremo.

Mensagens que o deputado teria enviado para a jornalista - Reprodução / Internet

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Eduardo Bolsonaro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília Wilson Dias / Agência Brasil
Mensagens que o deputado teria enviado para a jornalista Reprodução / Internet
Mensagens que o deputado teria enviado para a jornalista Reprodução / Internet
A jornalista teria tido um relacionamento com Eduardo Bolsonaro Arquivo Pessoal

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