Polícia Civil de Campinas se prepara para ouvir testemunhas de ataque

Deverão ser ouvidos os dois agentes da Guarda Municipal que entraram na igreja no momento em que o atirador estava lá e as pessoas saíram desesperadas. Também serão coletados depoimentos de parentes e amigos do atirador

Por Agência Brasil

Missa na Catedral Metropolitana de Campinas após ataque que deixou 5 mortos dentro da igreja
Missa na Catedral Metropolitana de Campinas após ataque que deixou 5 mortos dentro da igreja -

Brasília - A Polícia Civil de Campinas prepara a partir desta quinta-feira as notificações para coletar os depoimentos das testemunhas sobre a tragédia na Catedral Metropolitana em que seis pessoas morreram, depois que Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, atirou nos fiéis e depois se matou.

Deverão ser ouvidos os dois agentes da Guarda Municipal que entraram na igreja no momento em que o atirador estava lá e as pessoas saíram desesperadas. Também serão coletados depoimentos de parentes e amigos de Grandolpho.

Os policiais buscam compreender as motivações de Grandolpho a partir da análise do notebook, um celular e um bloco de anotações, apreendidos na casa do atirador, em Valinhos, a 11 quilômetros de Campinas. Também serão observados os detalhes do trajeto feito pelo atirador desde que saiu de Valinhos rumo a Campinas.

Armas

O delegado-chefe do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 2), José Henrique Ventura, quer saber a origem das duas armas, cuja numeração estava apagada, e da munição utilizadas por Grandolpho. O atirador fez 22 disparos, incluindo o que tirou a própria vida, e tinha cartuchos com mais de 50 munições.

Segundo o delegado, uma das armas é de uso exclusivo das Forças Armadas e Polícia Federal. Além da pistola 9 milímetros, no momento da tragédia, Grandolpho estava com um revólver. A polícia ainda quer esclarecer agora como ele conseguiu comprar o armamento.

Perfil

O atirador foi servidor concursado do Ministério Público do Estado de São Paulo, atuando como auxiliar de Promotoria I, na Comarca de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo. Mas desde 2014, no entanto, Grandolpho não trabalhava mais no órgão nem tinha renda própria.

Os policiais analisam o material coletado na casa de Grandolpho. Pelos registros escritos, segundo o delegado, o autor do ataque tinha pensamentos paranóicos e confusos. De acordo com ele, havia “certa mania de perseguição” e grande parte das anotações contém “coisas desconexas”.

Nas anotações, cuidadosamente escritas, como se fosse um diário, Grandolpho detalhava sua rotina: incluindo datas e horários, assim como números de placas de automóveis que via na rua e frases que escutava. Tudo escrito com letra de forma.

O atirador era uma pessoa recluso, de acordo com o delegado, pois não tinha amigos ou pessoas com quem mantivesse contato real ou virtual. Ele vivia praticamente isolado em um quarto na casa que morava com o pai em Valinhos.

Galeria de Fotos

Missa na Catedral Metropolitana de Campinas após ataque que deixou 5 mortos dentro da igreja Rovena Rosa/Agência Brasil
Missa na Catedral Metropolitana de Campinas após ataque de ontem (12) que deixou 5 mortos dentro da igreja Rovena Rosa/Agência Brasil
A esposa de Alves, Damiana Francisco Leandro Alves, de 76 anos, disse que, no dia do atentado, pediu ao marido para não ir à missa na Catedral, depois que ele perdeu o ônibus para Campinas Rovena Rosa/Agência Brasil
Suspeito atirou contra fiéis dentro de igreja na região central de Campinas, na tarde desta terça-feira Maycon Soldan/FotoArena/Estadão Conteúdo
O corpo de uma das vítimas do atirador é retirado da igreja Ari Ferreira / AFP
Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, abriu fogo contra fiéis após missa na Catedral Metropolitana de Campinas Reprodução
Imagens das câmeras de segurança do interior da catedral mostraram o crime Ari Ferreira / AFP
CNH de Euler Divulgação / Polícia Civil
Socorristas diante da portada da Catedral Metropolitana de Campinas. Além dos mortos, dois homens e duas mulheres foram atingidos por tiros Denny Cesare/Estadão Conteúdo
Euler Fernando Grandolpho Arquivo Pessoal

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