Eduardo Bolsonaro diz que livros escolares colocam 'militares como facínoras'

Tweet é feito um dia depois de impasse sobre mudança do edital dos livros didáticos do MEC

Por O Dia

Deputado federal Eduardo Bolsonaro: "Não. Nossos heróis não morreram de overdose, morreram em combate e isso precisa ser respeitado"
Deputado federal Eduardo Bolsonaro: "Não. Nossos heróis não morreram de overdose, morreram em combate e isso precisa ser respeitado" -

Rio - No dia em que o Ministério da Educação (MEC) abriu uma sindicância para investigar o caso da mudança do edital dos livros didáticos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-PT) escreveu em sua conta no Twitter criticando os livros escolares. Ele disse que os livros ' seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras.'

"Um povo sem memória é um povo sem cultura, fraco. Se continuarmos no nosso marasmo os livros escolares seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras", escreveu.

"Não. Nossos heróis não morreram de overdose, morreram em combate e isso precisa ser respeitado", acrescentou.

Em seguida, o parlamentar publicou outro texto dizendo que o período do regime militar é distorcido pela imprensa. "Os militares saíram em 1985 e até hoje vejo matérias na imprensa mentido sobre o que foi aquele período, só p/ enaltecer a PTzada. O BRASIL PRECISA SER PASSADO A LIMPO!", diz o texto.

O presidente Jair Bolsonaro já defendeu a tortura e disse que o regime militar no Brasil não foi uma ditadura, o que contraria os fatos históricos.

Impasse no MEC

Em edital publicado no dia 2 de janeiro, referências bibliográficas não seriam mais obrigatórias em livros didáticos, assim como as exigências de que o material não contivesse erros de revisão e material publicitário. Outras mudanças haviam sido feitas, como a exclusão de trechos relacionados à minorias.

Após ampla repercussão negativa da mudança, o MEC anunciou que as mudanças no edital seriam anuladas, e que as elas haviam sido promovidas pela gestão anterior. O ex-ministro da Educação na gestão de Michel Temer, no entanto, negou, na quinta-feira, que sua gestão tenha sido responsável pelas mudanças. O Ministério da Educação abriu uma sindicância para investigar o caso. 

Com a questão em aberto, pessoas responsáveis pelo envio do documento publicado no Diário Oficial da União (DOU) foram chamadas pelo MEC para explicar como ocorreu o procedimento. Ainda não há informação se servidores ligados ao próprio ministério também foram chamados para prestar esclarecimentos, já que o documento é formulado em uma secretaria do MEC.

Indicado para a presidência do FNDE, Carlos Alberto Decotelli da Silva não quis comentar o caso. Ele disse que, enquanto sua nomeação não for publicada no DOU, não pode responder a nada que se refira a autarquia. "Toda a parte da presidência está ainda na gestão anterior", se limitou a dizer.

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